Os sacri­fí­cios em nome da beleza sem­pre esti­ve­ram pre­sen­tes na his­tó­ria da huma­ni­dade. Desde a Pré-História, há indí­cios da pre­sença da vai­dade, ainda que esti­vesse atre­lada a ador­nos e maqui­a­gens, mas foi só com os gre­gos que o con­ceito de beleza foi fun­da­men­tado. Para eles, belo era tudo que equi­li­brava pro­por­ção e sime­tria, incluindo o corpo humano. Desde então, o padrão de beleza femi­nino sofreu incon­tá­veis mudan­ças em decor­rên­cia das alte­ra­ções cul­tu­rais nas soci­e­da­des.
Durante as déca­das de 1940 e 1950, período conhe­cido como os tem­pos dou­ra­dos do cinema hollywo­o­di­ano, musas dos fil­mes como Marilyn Monroe, Elisabeth Taylor, Ava Gardner e Brigitte Bardot cha­ma­vam aten­ção com suas cur­vas sinu­o­sas, cin­tu­ras finas mar­ca­das e qua­dris abundantes.

Brigitte Bardot e Marilyn Monroe

Só a par­tir dos anos 60 que a magreza pas­sou a ser um padrão dese­jado entre as mulhe­res. Esse modelo empla­cou sem con­tes­ta­ções depois do sur­gi­mento da pri­meira top model do mundo, a inglesa Twiggy. Com 1,67m e ape­nas 42 kg, a ima­gem andró­gina, magér­rima, pequena, de cabe­los cur­tos e olhos imen­sos da modelo se tor­na­ram um ícone daquela década. A forma magra con­cre­ti­zava sig­ni­fi­ca­dos per­ten­cen­tes ao espí­rito da época, mar­cada pela eman­ci­pa­ção da mulher, dese­jos de liber­dade e explo­são de juven­tude. A magreza, segundo o filó­sofo fran­cês Gilles Lipovetsky, foi extre­ma­mente liber­ta­dora para as mulhe­res e por essa razão foi ade­rida de maneira tão rápida. As for­mas arre­don­da­das que antes eram admi­ra­das sim­bo­li­za­vam a mater­ni­dade, ou seja, o papel repro­du­tor e sub­misso da mulher, o que não tinha mais espaço numa soci­e­dade que havia aca­bado de des­co­brir a pílula anti­con­cep­ci­o­nal. A magreza foi, então, uma maneira de se livrar dessa impo­si­ção secu­lar. Porém, o assunto tomou pro­por­ções bem mai­o­res e a ques­tão ficou fora de con­trole, estabelecendo-se uma dita­dura de pele e osso que atra­ves­sou as déca­das e che­gou até os dias atuais.

A magreza liber­ta­dora de Twiggy

Mas da Itália, terra dos pra­ze­res e de bel­da­des como Monica Belluci, veio um ensaio-manifesto que estam­pou as pági­nas da edi­ção de junho desse ano da revista Vogue Italia. Clicado pelo fotó­grafo Steven Meisel, repre­sen­tado pela pode­rosa Art + Commerce, as fotos são uma cele­bra­ção da ver­da­deira e sau­dá­vel beleza da mulher e o res­peito pelo corpo femi­nino. A publi­ca­ção man­tém, além disso, um canal vir­tual cha­mado Curvy há mais de um ano onde exibe o des­pu­dor sen­sual das mode­los mais admi­ra­das neste nicho de mer­cado como Tara Lynn, Candice Huffine, Marquita Pring, Robin Lawley e a bra­si­leira Fluvia Lacerda, ganha­dora do prê­mio de melhor modelo plus size de 2011.