Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

A importância da HQ do Pantera Negra escrita por Ta-Nehisi Coates

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Com a proximidade do filme de Pantera Negra, a Marvel ligou o modo turbo do marketing do personagem. A editora divulgou as capas do novo gibi do herói que será escrito pelo aclamado autor Ta-Nehisi Coates. Só isso já é motivo para ficar muito empolgado.

Em tempos mais críticos quanto à representatividade e diversidade racial na arte, a Marvel acerta ao apostar em um escritor comprometido com o tema. Coates é autor de Entre o Mundo e Eu, livro que foi ovacionado pela crítica dos EUA no ano passado e saiu por aqui pela Objetiva. Está ainda na minha lista de leituras futuras, mas li o trecho publicado na revista piauí em setembro do ano passado. (já disponível para não-assinantes).

Em Entre o Mundo e Eu Coates relembra sua infância em Baltimore nos EUA faz reflexões sobre como as tensões raciais que sempre fizeram parte da sociedade norte-americana. Polêmico, ele também aborda a importância da cultura negra em contraponto à violência policial sofrida contra os jovens nos bairros de periferia. Em resumo, é uma obra sobre o que é ser negro na América. O contraponto à situação do Brasil é bem possível de ser feita.

Coates: questões raciais na linha de frente.

Coates: questões raciais na linha de frente.

Vejam que trecho poderoso:

Eu não podia mais prever onde encontraria meus heróis. Às vezes eu caminhava com amigos ate a rua U e circulava pelos clubes de lá. Era a época da Bad Boy e do Biggie, “One More Chance” e “Hypnotize”. Eu quase nunca dançava, por mais que quisesse. Ficava paralisado por um medo infantil do meu próprio corpo. Mas via como os negros se moviam, como dançavam como se seus corpos fossem capazes de tudo, e seus corpos pareciam ser tão livres como a voz de Malcolm X. Lá fora os negros não controlavam nada, que dirá o destino de seus corpos, que podiam ser requisitados pela polícia; que podiam ser apagados pelas armas, tão pródigas; que podiam ser estuprados, espancados, encarcerados. Mas nos clubes, sob a influência de rum e Coca-Cola na proporção de dois para um, no encantamento das luzes baixas, sob o domínio do hip-hop, eu os sentia no controle total de cada passo, cada aceno, cada giro.

Voltando ao Pantera Negra, é significativo a Marvel ter tido esse cuidado em selecionar Coates, um estrante nos quadrinhos, como o escritor do título. Com isso poderemos ler uma HQ com algum significado além de trazer lastro à produção hollywoodiana. Este também é o ano em que o personagem completa 50 anos. A arte será de Brian Stelfreeze.

Ainda não sabemos detalhes sobre a trama do gibi, mas o personagem é bem rico em possibilidades. Em todos esses anos, figurando a maior parte do tempo como coadjuvante do universo dos Vingadores, o Pantera sempre foi subaproveitado, com poucas exceções. Basta lembrar que ele é um super-herói que governa um estado na África (Wakanda, uma terra rica e de tecnologia avançada que possui reservas do fictício metal Vibranium). Criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1966 ele foi o primeiro super-herói negro da história.

No Brasil as publicações com o personagem são escassas. Ele apareceu na mensal Marvel Action (já encerrada), em histórias do Demolidor e outros títulos. No final de 2014 ganhou uma edição na coleção da Salvat na ótima fase desenhada por John Romita Jr. Um título raro e muito recomendado saiu pela editora Globo em 1990, uma minissérie em duas partes homônima com roteiro de Peter B. Gillis e arte de Denys Cowan.

pantera

O longa do Pantera Negra estreia dia 15 de fevereiro de 2018 e terá direção de Ryan Coogler (de Creed). Quem interpreta Tchalla/Pantera é Chadwick Boseman (de James Brown). Veja abaixo as capas variantes da nova HQ do herói.

Capa por Oliver Coipel.

Capa por Olivier Coipel.

Arte de Alex Ross.

Arte de Alex Ross.

Pedro Cobiaco é o primeiro vencedor do Prêmio Grampo 2016 de Grandes HQs

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O quadrinista Pedro Cobiaco foi o grande vencedor da primeira edição do Prêmio Grampo de Grandes HQs. A lista foi organizada pelos colegas Ramon Vitral, editor do Vitralizado e por Lielson Zeni, jornalista e roteirista de quadrinhos.

Aventuras na Ilha do Tesouro apareceu em 15 das 20 listas dos eleitores convidados do prêmio, acumulando 102 pontos na contagem dos votos. A obra bateu Talco de Vidro, de Marcello Quintanilha (89 pontos) e Dupin de L.M. Melite (76 pontos).

Os rankings individuais de cada um dos eleitores estão disponíveis aqui. E o Top 20 aqui.

Entrevistei Cobiaco para a Revista O Grito!. Em nossa tradicional lista de melhores do ano, Aventuras… ficou em segundo, atrás apenas de A Propriedade, de Rutu Modan.

Gene Luen Yang é nomeado embaixador da juventude na Biblioteca do Congresso Americano

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O quadrinista Gene Luen Yang foi nomeado pela Biblioteca do Congresso norte-americano “embaixador para a literatura jovem”. É a primeira vez que um autor de quadrinhos ganha essa honraria desde que o posto foi criado, em 2008.

A Biblioteca do Congresso dos EUA é uma das maiores instituições culturais do mundo, além de ter um dos maiores acervos de livros, discos e filmes em todo o planeta.

Dar destaque a um quadrinista é ótimo para os quadrinhos. O jornal The New York Times fez uma longa matéria com Yang por causa da nomeação.

Yang já tinha superado outras barreiras. Seu álbum, O Chinês Americano, que saiu por aqui pela Companhia das Letras em 2011, foi o primeiro gibi a ser finalista do National Book Award.

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“Assovios”: nova HQ online recupera a lenda da Cumadre Fulozinha

assovios

Os quadrinhistas André Balaio (roteiro) e Téo Pinheiro (arte) recuperaram um dos maiores medos urbanos dos recifenses na nova HQ online do site “Recife Assombrado”: a Cumadre Fulozinha.

“Assovios” foi postado no site que é referência no terror em Pernambuco. A dupla é a mesma da HQ A Rasteira da Perna Cabeluda, lançada ano passado. Veja aqui.

Shiko divulga capa e lançamento da sua nova HQ, A Boca Quente – Parte 1

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

O quadrinista paraibano Shiko divulgou a capa da sua nova HQ, A Boca Quente – Parte 1, que deve ser lançada ainda este ano. A obra será lançada de forma independente.

Para financiar seus quadrinhos, Shiko vende seus originais na internet. Desta vez, em vez de leilão ele decidiu criar um álbum no Facebook onde colocou os desenhos à venda.

Quem acompanha mais de perto meu trabalho como autor de quadrinhos já sabe que eu costumo financiar minhas publicações independentes realizando aqui um leilão de originais.
É com a venda desses desenhos que eu pago a gráfica e publico parte das coisas que eu faço.
Pois bem, nesse instante as máquinas já estão rodando e preciso mais uma vez da ajuda dos amigos pra pagar a conta do gibizinho novo.
Mas dessa vez não farei leilão.Em vez disso criei esse álbum com as obras que estão a venda.

O último álbum de Shiko, Lavagem é um dos melhores do ano até aqui. Leia a resenha que fiz do trabalho aqui.

A Boca Quente – Parte 1 será lançada em São Paulo no dia 18 de setembro em São Paulo, no Hotel Bar da Rua Augusta.

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