, num dos shows mais inte­res­san­tes da Sala Cine. Foto: Caroline Bittencourt

A “Sauna Cine”, ape­lido cari­nhoso dado para a Sala Cine – tam­bém no Centro de Convenções da UFPE –, local dos shows de aber­tura do No Ar: , antes conhe­cida pelo aperto e calor, deu lugar a um novo espaço com quase o dobro do tama­nho. A nova con­fi­gu­ra­ção faz eco com a pró­pria música inde­pen­dente que o fes­ti­val faz de vitrine. Bandas que se apre­sen­ta­ram na Sala Cine pode­riam estar no tea­tro e vice-versa. Nos dois dias de evento, o público conhe­ceu nomes tidos pela orga­ni­za­ção como pro­mes­sas, entre eles os per­nam­bu­ca­nos Voyeur e Massarock e Bemba Trio, da Bahia. Além dos tra­di­ci­o­nais suecos.

Dessa leva de emer­gen­tes quem mais cha­mou aten­ção foi o Do Amor, banda cari­oca for­mada por músi­cos que já toca­ram com Caetano Veloso e que acom­pa­nham a can­tora Nina Becker nos shows. O grupo faz um rock bem-humorado sem que isso com­pro­meta a qua­li­dade das músi­cas. O público lotou o espaço para dan­çar ao som de forró, carimbó para­ense e heavy metal, pre­sen­tes no disco de estreia, como Chalé, I pic­ture to myself e Pepeu bai­xou em mim. Como no ano pas­sado a Sala Cine apos­tou em expe­ri­ên­cias sono­ras mais expe­ri­men­tais, rit­mos que fogem da ideia pré-concebida que se tem do Coquetel.

O Bemba Trio, um dos pro­je­tos do músico bai­ano Russo Passapusso foi mais um exem­plo feliz da voca­ção da Sala Cine den­tro do fes­ti­val. O can­tor se mos­trou bem à von­tade em seu reg­gae com hip hop. Conseguiu boa empa­tia com a pla­teia, mas o uso de alguns cha­vões aca­ba­ram por com­pro­me­ter um inte­resse pos­te­rior no trio. Houve até o momento “levan­tem os isqueiros”.

Na mesma pro­posta de fun­dir esti­los, os per­nam­bu­ca­nos do Voyeur se saí­ram melhor. Formados por Ju Orange (Ampslina) nos vocais, Paulista (Candeias Rock City) nas gui­tar­ras e Pauliño Nunes (Júlia Says), todos da atual cena indie da cidade, con­se­gui­ram mos­trar novas ideias para o revi­si­o­nismo do electro-rock dos anos 80.

Das ban­das sue­cas nova­tas ou menos conhe­ci­das que sem­pre ganham vez nesse palco gra­tuito, a que mais cha­mou aten­ção foi a dupla Taxi Taxi!. As irmãs gêmeas Miriam e Johanna, 20 anos, fize­ram um show bem deli­cado, com músi­cas tris­tes, o que nos leva a ima­gi­nar de onde tiram ins­pi­ra­ção para tanta melan­co­lia com tão pouca idade.

Simpáticas, repre­sen­ta­ram bem a fofu­rice escan­di­nava que sem­pre aporta por aqui no Coquetel Molotov. Na mesma linha, o show de Anna von Hausswolff ao piano mos­trou por­que a garota está sendo com­pa­rada a Kate Bush. Com essa nova fase a Sala Cine UFPE rea­firma sua voca­ção den­tro do fes­ti­val. Os indies nani­cos – em pro­je­ção – agradecem.

O texto saiu na segunda-feira no Caderno C, do Jornal do Commercio.

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