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Jazz Metal — Por Paulo Floro

Wimmen’s Comix: histórica revista feita por mulheres quadrinistas ganha antologia

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Já está sendo vendido o gigantesco volume The Complete Wimmen’s Comix, uma compilação com material da histórica publicação formada por autoras de quadrinhos nos anos 1970.

Fundada em 1972, a Wimmen’s Comix trazia um contraponto ao cenário underground de quadrinhos nos EUA, formado em sua maioria por homens. A revista trazia discussões sobre sexualidade, política e era bem afiada em sua crítica à sociedade norte-americana do período.

Em seus 20 anos de circulação trouxe nomes como Aline Kominsky-Crumb, Carol Tyler, Melinda Gebbie, Phoebe Gloeckner, Roberta Gregory, Carol Lay, Dori Seda, Lee Marrs, Diane Noomin, Mary Fleener, Joyce Farmer e muitas outras. Agora a editora Fantagraphics reúne todo esse material em um livro de 728 páginas.

A edição da obra é histórica por resgatar a relevância da Wimmen’s Comix, mas também por publicar alguns trabalhos que seguem fora de catálogo por décadas. Estão presentes no livro a primeira HQ feita inteiramente por mulheres da história, “It Ain’t Me, Babe”, de 1970. A edição traz uma introdução de Trina Robbins.

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Pelo tamanho do livro e acabamento luxuoso, não podíamos esperar nada muito barato. O preço da obra é de 100 dólares (o que inclui uma caixa slipcase, além de dois volumes em capa dura). Na Amazon BR sai por R$ 357. Veja um preview.

O curta-metragem “Lavagem”, de Shiko

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A editora Mino disponibilizou o curta-metragem Lavagem, que deu origem à HQ de mesmo nome de Shiko, lançada no ano passado. A obra é uma das melhores HQs nacionais lançadas em 2015 e mostra a relação de um casal que habita um mangue. Com um traço naturalista, Shiko conta uma história em estilo horror gore sobre fé, paranoia e desejo.

Aqui a minha crítica para a HQ.

O curta foi lançado originalmente em 2011, com direção do próprio Shiko e produção da cooperativa Filmes a Granel. No elenco estão Mariah Teixeira, Omar Brito e João Faissal. Veja abaixo:

Editoras francesas pedem boicote ao Angoulême em busca de mais diversidade

Ilustração parodia o tradicional gato mascote do festival como um testículo. (Reprodução).

Ilustração parodia o tradicional gato mascote do festival como um testículo. (Reprodução).

O último Angoulême foi uma mancha na história do festival em seus mais de 40 anos. Depois de acumular uma reputação de ser o mais importante evento de quadrinhos do mundo, uma celebração da arte e um incentivo para a evolução do meio, seus organizadores se embrenharam em uma série de erros após excluírem mulheres quadrinistas do prêmio principal.

Agora, as maiores editoras de quadrinhos da França propõem um boicote ao festival caso o evento não anuncie mudanças nas regras. Gigantes editoriais como a Glénat, Delcourt, Dargaud e Casterman estão entre as empresas que assinaram um documento pedindo um novo momento menos sexista e mais inclusivo para o festival.

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FIQ discutiu presença das mulheres nos quadrinhos

Tudo começou após a divulgação dos indicados ao Grande Prêmio, uma das maiores distinções do Angoulême, concedido aos quadrinistas não por uma obra específica, mas pelo trabalho de uma vida. A surpresa geral foi não ter nenhuma mulher entre os 30 anunciados. Isso é, de longe, inadmissível, sobretudo em uma arte com tantos talentos femininos.

Não bastasse esse erro crasso, a organização do festival demorou a se desculpar e só piorou o debate. O diretor geral do evento, Franck Bondoux, relutando em reconhecer o erro histórico, disse que o festival não poderia “distorcer a realidade”. “O festival não pode distorcer a realidade, mesmo reconhecendo o fato de que a lista realmente poderia ter incluído o nome de uma ou duas mulheres”, disse. Ele ainda comentou que o festival não poderia adotar um sistema de cotas.

Angoulême tem um histórico ruim quando o assunto é reconhecer o trabalho de mulheres. Apesar de diversas quadrinistas já terem sido indicadas a outras categorias, como melhor álbum, roteiro, etc, apenas uma venceu o Grande Prêmio, Florence Cestac, em 2000. No ano passado, Marjane Satrapi (de Persépolis) foi indicada, mas não levou.

Entre os 30 homens indicados em 2016 vários deles decidiram pedir a retirada de seus nomes da lista em respeito às colegas. O primeiro a fazer isso foi Joan Sfar, celebrado autor de O Gato do Rabino, seguido por outros quadrinistas como Milo Manara, Daniel Clowes, entre outros. Como quadrinho é coisa série na França, a secretária do Estado para os Direitos das Mulheres, da França, Pascale Boistard, disse no Twitter que a luta por mais reconhecimento das mulheres autoras é importante. A secretária recebeu no final do ano passado o Coletivo das Criadoras de Quadrinhos contra o Sexismo.

Esse grupo reúne 147 artistas e luta por mais espaço e visibilidade para as quadrinistas mulheres. Foram eles quem criaram o trocadilho com o nome oficial de Angoulême, que logo viralizou: de FIBD – Festival International de la Bande Dessinée (Festival Internacional de Quadrinhos), a sigla mudou para FIBD – Femmes Interdites de Bande Dessinée (Mulheres Proibidas nos Quadrinhos).

Depois de toda essa repercussão negativa, o Festival de Angoulême, de forma constrangedora, decidiu que o prêmio este ano não teria indicados. Qualquer quadrinista era elegível e todos os membros e autores que tiveram trabalhos publicados em 2015 puderam votar em quem quiseram. Ao fim, venceu o belga Hermann, pouco conhecido no Brasil, autor de Lune de Guerre e outros. (Um parêntesis: Marcello Quintanilha venceu como melhor HQ policial com o ótimo Tungstênio).

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Um novo Angoulême

O festival tem agora uma chance de remediar sua imagem negativa e retomar seu posto na relevância das HQs no mundo. O recado das editoras é importante para lembrar de que uma maior diversidade de gênero é benéfico para todo mundo, de autores ao público.

O documento emitido nesta quinta à imprensa também mostra a força cultural que tem os quadrinhos no mundo, sobretudo na Europa. “O Festival conseguiu desacreditar a nossa profissão nos olhos do mundo”, diz o documento. “O festival deve ser repensado em profundidade, em sua estrutura, sua governança, estratégia, projetos e ambições”. Os editores pedem que a Ministra da Cultura da França seja a mediadora nesse debate pela nova fase do evento.

Veja abaixo o documento na íntegra, em francês e em inglês.

Atualizado: aqui a versão em português (tradução de Sergio Costa Floro).

Salvemos o festival Angoulême

Apoiadores leais do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême (FIBD) desde a sua criação, os editores têm repetidamente alertado seus organizadores, seus financiadores e os poderes públicos sobre as deficiências recorrentes deste evento anual.

Consequência da falta tanto de uma visão compartilhada como de uma gestão eficaz, a última edição do Festival tem acumulado erros: ausência de mulheres na lista de autores elegíveis no Grand Prix da cidade de Angoulême, o descontentamento de autores frequentemente mal tratados pela organização, declínio de público, a falta de transparência nas seleções dos prêmios, cerimônia de encerramento desastrosa…

O Festival conseguiu deslegitimar a nossa profissão aos olhos do mundo, como demonstrado apropriadamente por Fabrice Piault, editor chefe de Livres Hebdo, em seu editorial de 05 de fevereiro de 2016.

Este evento tem um lugar central na vida dos quadrinhos. é impossível deixá-lo deteriorar-se e, assim, degenerar a imagem da 9ª Arte tanto na França como no exterior.

É por isso que decidimos não participar na próxima edição da FIBD se uma revisão radical não for implementada sem demora. O festival deve ser repensado em profundidade, em sua estrutura, sua gestão, sua estratégia, seu projetos e suas ambições.

Dada a magnitude da tarefa e a importância da questão, tanto para a nossa profissão quanto para a população de Angouleme e sua região, onde os quadrinhos geraram todo um complexo institucional e industrial, fazemos um apelo ao Estado: solicitamos à Senhora Ministra da Cultura que nos receba e nomeie um mediador para realizar urgentemente, esta reforma radical.

Assinaram o documento as editoras do Sindicato Nacional: Casterman, Dargaud, Delcourt, Denoël, Fluide Glacial, Futuropolis, Gallimard, Glénat, Jungle, Le Lombard, Panini, Rue de Sèvres, Sarbacane, Soleil, Urban, Vents d’Ouest.

Editoras da União das editoras alternativas (SEA): Anathème, Arbitraire, L’Association, Ça & Là, La Cafetière, La Cerise, La 5éme Couche, Cornélius, Éditions 2024, Frémok, Ici Même, Ion, L’Égouttoir, L’Employé du Moi, L’Œuf, Le Lézard Noir, Les Requins Marteaux, Les Rêveurs, Misma, Pré Carré, Radio As Paper, Super Loto, Vide Cocagne, Même Pas Mal, The Hoochie Coochie.

Refúgio, a nova HQ de Cátia Ana

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A quadrinista Cátia Ana lança sua nova HQ, Refúgio. Descobri Ana no último FIQ onde ela lançou SPAM, antologia de quadrinhos feito por mulheres que saiu pela Zarabatana. Ela é autora da webcomic O Diário de Virgínia, que já foi duas vezes indicada ao Troféu HQ Mix.

Refúgio marca o final de um ciclo para a autora, que agora se despede desse seu projeto após cinco anos de publicações online. A HQ traz duas histórias de forte teor autobiográfico, que servem como capítulos finais do gibi online.

O novo projeto de Cátia Ana é o Quadrinhos Infinitos, onde ela irá publicar suas novas HQs. E Ana é também integrante do Ladys Comics, iniciativa que divulga o trabalho de mulheres quadrinistas.

A HQ online Refúgio pode ser comprado por R$ 10 na loja da autora.

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O encontro de Stan Lee e Frank Miller

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Dois importantes nomes dos quadrinhos mainstream norte-americanos, Stan Lee e Frank Miller se encontraram para um papo neste final de semana em Los Angeles. A ocasião foi a comemoração dos 30 anos de Batman – O Cavaleiro das Trevas, minissérie que é tida como revolucionária para o universo dos gibis de super-heróis.

Os dois quadrinistas estiveram na livraria Barnes & Noble de LA. A DC Entertainment fez o registro histórico. Na ocasião Lee saudou Miller por seu trabalho na clássica minissérie de Batman e por sua contribuição aos quadrinhos.

Apesar de serem ícones dentro da indústria dos comics, Miller e Lee são de “universos” diferentes. O primeiro é um celebrado autor da DC Comics. Além de Batman ele é conhecido por outros clássicos como 300 de Esparta e Martha Washington, além de Sin City. Já Stan Lee, criador da maior parte dos populares heróis Marvel, é hoje mais ligado às produções executivas dos filmes da Marvel Studios.

Miller está atualmente promovendo a terceira parte de O Cavaleiro das Trevas, minissérie que deve chegar ao Brasil ainda este ano pela Panini. [Foto via TheBeat]

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