Revista O Grito!

Jazz Metal — Por Paulo Floro

Da Estante: Ibáñez, o herói de Alberto Breccia e Robin Wood

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O Grito! vai entrando em uma nova e instigante fase e ainda podemos falar pouco sobre ela. Uma das novidades diz respeito à reformulação dos layouts, começando pelos blogs. O JazzMetal é o primeiro da fila, como vocês podem ver dando uma volta por aqui.

O blog vai reforçar seu projeto inicial de ser um depositário de descobertas minhas no campo dos quadrinhos, com destaque para a produção independente e de outros países. Desta vez aperto o gatilho de uma ideia que já elaboro há tempos: cair de cabeça na minha coleção para escrever mais sobre cada obra. Serve tanto para compartilhar boas HQs como para me forçar a revisitar e pesquisar mais sobre os autores. Vai ser bem legal, espero.

A ideia é postar uma HQ por dia, mas sei que isso nem sempre será possível. Por isso, o tamanho dos posts pode variar bastante, bem como a periodicidade. Já já crio um banner aí do lado para ficar mais fácil a busca pelos posts anteriores. Espero que a nova seção instigue vocês leitores a caçar novas e desconhecidas HQs, seja em sebos, sites ou em sites online, daqui ou de fora. É essa diversidade de temas e formatos que me faz colecionar quadrinhos.

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Ibáñez é um livro bem representativo e importante em qualquer coleção de HQs argentinas. É a única colaboração de dois grandes nomes dos quadrinhos, Robin Wood e Enrique Breccia. Esta edição de 2006 da Doedytores reúne pela primeira vez em livro as histórias dos autores em seu formato original preto e branco. É que nos anos 1980 a editorial Columba coloriu os originais de Breccia em uma tentativa de popularizar as histórias, mas o tratamento foi horrível e bem aquém dos traços do desenhista argentino.

A edição da Doedytores traz ainda um prefácio do editor explicando a história de Ibáñez, um clássico do quadrinho argentino, que saiu pela primeira vez em 1983 na revista D’artagnan, da Columba. Durou ao todo sete meses.

Ibáñez se passa em Aragón, na Espanha do século 16, época de Carlos V. O Conde Alonso de Ibáñez, que foi a mão direita de Fernando, o Católico, na guerra contra os mouros, hoje dedica-se à cuidar de sua lavoura ao lado do seu filho Gonzalo Ibáñez. O jovem Gonzalo, ao contrário do pai, não é tão estóico e decide enfrentar seu velho inimigo, o duque de Cisneros, que é o dono e guardião das terras montanhosas que impedem os franceses de atacar a Espanha.

A série teve edições coloridas, hoje mal vista pelos colecionadores. (Reprodução).

A série teve edições coloridas, hoje mal vista pelos colecionadores. (Reprodução).

A obra não fez tanto sucesso como se esperava, mas conseguiu completar seu primeiro arco. Sua importância só seria recuperada anos depois. A aposta na época foi alta: Breccia é filho de uma lenda das historietas argentinas, Alberto Breccia. Já o paraguaio Robin Wood já era famoso à época pelo personagem Dago.

É uma pena que mais obras clássicas do quadrinho argentino como essa não sejam publicadas aqui no Brasil.

Os traços de Breccia sabem explorar bem a expressividade do preto e branco e consegue criar um cenário soturno como poucos. Quem quiser ver mais do trabalho dele pode ir atrás de Che, biografia de Che Guevara que ele assinou ao lado do pai, Alberto. Foi lançada pela Conrad em 2008. Já o escritor Robin Wood, esse sim tem bem menos espaço por aqui. O site dele tem diversas informações e farto material sobre sua obra.

3ªs Jornadas Internacionais de Quadrinhos em São Paulo traz Paul Gravett e recorde de lançamentos

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Começa nesta terça (18) as 3ªs Jornadas Internacionais das Histórias em Quadrinhos, o maior congresso científico sobre HQs, que acontece na Escola de Comunicação e Artes, da USP. Entre os convidados desta edição estão Ian Gordon, autor de Film and Comic Books e Paul Gravett, um dos estudiosos mais conhecidos da área, autor de 1001 Comics You Must Read Before You Die.

Gravett fará a palestra de abertura do Jornadas nesta terça (18). O inglês escreve sobre HQs desde os anos 1980 e foi responsável por divulgar produções de outros mercados, como Egito, África do Sul e Japão. Os amigos Érico Assis e Ramon Vitral fizeram ótimas entrevistas com Gravett sobre o panorama dos quadrinhos e a expectativa por essa visita ao Brasil.

Este ano vou participar das Jornadas Internacionais pela primeira vez. Vou apresentar o trabalho Identidade e Memória Sertaneja nos Quadrinhos Brasileiros, dentro da seção Quadrinhos, História e Cultura coordenado pela professora Sônia Bibe Luyten. No artigo eu discuto a importância das obras Bando de Dois, de Danilo Beyruth e Estórias Gerais, de Wellington Srbek e Flavio Colin para um novo entendimento das questões do Semi-árido brasileiro.

O evento está cheio de trabalhos interessantes e será impossível acompanhar tudo. Aqui a programação completa.

O evento deste ano também terá um recorde do número de lançamentos de livros teóricos de HQs, com destaque para O Sistema dos Quadrinhos (Marsupial Editora), do francês Thierry Groensteen, considerado um clássico da área

Quadrinhistas brasileiros e a maioridade penal

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Uma das tiras de Dahmer sobre o tema.

Os quadrinhistas brasileiros têm sido vozes importantes contra o retrocesso representado pela redução da maioridade penal. A PEC 171 passou em votação de primeiro turno na Câmara dos Deputados nessa quarta (1º) através de uma manobra regimental do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB). Um dia antes, a proposta tinha sido rejeitada pelo plenário.

Nomes como Laerte, Angeli e Jean estão usando a grande mídia para chamar atenção para o tema e o quanto isto vai prejudicar a juventude brasileira – em especial os mais pobres e negros. Outros nomes como André Dahmer consegue bastante repercussão na interwebz com trabalhos tão tristes quanto chocantes. Fizemos uma seleção de autores que estão opinando sobre a maioridade penal. O post vai ser atualizado com novas produções em breve. Conhece alguma charge/tira legal para compartilhar? Diz aí nos comentários.

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A charge de João Montanaro, publicada na Folha de S. Paulo, viralizou esta semana.

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Bennet, chargista da Folha de S. Paulo, tem feito diversos trabalhos contra o retrocesso da redução da maioridade.

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Angeli, na Folha de S. Paulo.

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Nani.

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Laerte, uma das mais vozes mais ativas sobre o assunto. Aqui na coluna Laertevisão, na Folha.

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As tiras acima foram publicadas na Folha de S. Paulo entre o final do ano passado e o começo deste ano. Daria para fazer um post apenas com o trabalho da quadrinhista sobre o assunto.

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Angeli tem produzido charges para a Folha de S. Paulo sobre o assunto desde 2013, como esta acima.

Erramos: Uma versão anterior deste post creditava a Jean Galvão uma tira de João Montanaro. Pedimos desculpas pela mancada.

Turma da Mônica – Lições, dos irmãos Cafaggi, tem preview divulgado

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A HQ Turma da Mônica – Lições, dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, teve o preview divulgado. A obra é mais um volume da bem-sucedida coleção Graphic MSP, onde autores brasileiros criam trabalhos autorais a partir de personagens icônicos de Maurício de Sousa.

As imagens foram divulgadas pelo editor Sidney Gusman em um evento no Facebook. A obra é uma continuação de Turma da Mônica – Laços, de 2013. A obra traz a delicadeza no traço e no roteiro típico do estilo dos Cafaggi.

A história mostra o relacionamento dos personagens da Turma. Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão cometem um erro grave na escola. Agora, terão que encarar as consequências.

A obra está em pré-venda. Tem 80 páginas e custa R$ 31,90 (capa dura) e R$ 21,90 (brochura).

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A capa de “Desengano”, nova HQ de Camilo Solano

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O quadrinista Camilo Solano divulgou a capa de sua nova HQ, Desengano. Ele aproveitou o mote de suas pré-indicações no Troféu HQ Mix para soltar esse teaser. Ele foi indicado nas categorias melhor novo talento roteirista e novo talento desenhista.

“A alegria foi tanta da pré-indicação ao HQ Mix que resolvi divulgar a capa de Desengano que logo será lançado. Acho que essa é a capa mais minimalista que já fiz”, escreveu em seu blog.

Solano é autor de Inspiração – Deixa entrar Sol nesse porão, uma das ótimas surpresas que tive no FIQ de 2013. No ano passado ele lançou Captar, ao lado de Thobias Daneluz.

O novo livro, Desengano, sai ainda este ano.

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