Já disse pra vocês que tra­ba­lho com comu­ni­ca­ção estra­té­gica, né? Aqui no tra­ba­lho a gente tem algu­mas máxi­mas que aju­dam a ali­viar o stress do coti­di­ano e pra faci­li­tar a vida de vez em quando. Aquelas coi­sas que a gente sus­surra men­tal­mente enquanto conta até dez pra não pular sobre o pes­coço alheio quando é afron­tado sem quais­quer jus­ti­fi­ca­ti­vas plau­sí­veis. Uma delas diz: “Eu não quero ter razão, eu quero é ser feliz”.

Pois é. A gente bem que tenta, inventa, estica daqui e enco­lhe dali. Mas eu, par­ti­cu­lar­mente, acho que sou pra­ti­ca­mente um ímã de malu­cos. A quan­ti­dade de gente sem noção com quem eu topo devido ao tra­ba­lho não é careta não. Só nos últi­mos dois anos, acho que tive que enfren­tar – pelo menos – oito casos clás­si­cos. Coincidentemente, todos os focos de con­fli­tos foram com mulhe­res. Ô raça complicada!

Tá achando pouco, né? É por­que eu só con­ta­bi­lizo os que ver­da­dei­ra­mente são intra­gá­veis. Gente que é ‘ape­nas’ mala sem-alça, sonsa, falsa e mau-caráter sequer entra nessa minha lista.

Já tive que ouvir a seguinte pérola:

- Quem você pensa que é para defi­nir quem vai dar entre­vista pela entidade?

Oi? EU sou a asses­sora de imprensa da enti­dade. Oi? EU tenho mais de uma década de atu­a­ção no mer­cado. Oi? EU já tinha deci­dido isso com o supe­rior da pes­soa em ques­tão, com quem EU tra­ba­lhava há OITO anos, ao con­trá­rio da ‘pes­soa opi­ni­osa’, que tra­ba­lhava com ele há TRÊS meses. Melhor do que isso foi a forma como per­gun­tou: 1) Em tom de ame­aça; 2) Na minha sala e 3) Na frente das minhas duas cole­gas de trabalho.

Se há algo que me irrita – além do fato de subes­ti­ma­rem a minha parca inte­li­gên­cia – é gente sem edu­ca­ção domés­tica. Gente que nunca apren­deu a tra­tar as pes­soas como gos­ta­riam de ser tra­ta­das. Gente que não con­se­gue sequer com­pre­en­der a máxima de que elo­gios são fei­tos em público e crí­ti­cas em par­ti­cu­lar e ao pé-do-ouvido do inte­res­sado. Para quê espa­lhar aos qua­tro ven­tos uma crí­tica que não neces­sa­ri­a­mente é 1)  Verídica, 2) Embasada ou 3) Faça sentido?

Estou into­le­rante, né? Mas ava­lia: hoje foi um daque­les dias em que uma pes­soa manda um e-mail com uma crí­tica pes­soal nº 2 (não emba­sada) e nº3 (sem qual­quer sen­tido) para mim com cópia para OITO pes­soas que não esta­vam envol­vi­dos no pro­cesso. Ah, e antes que eu me esqueça, nem sequer a pró­pria crí­tica estava envol­vida no pro­cesso em questão.

Este ano tam­bém teve outra louca (mais uma mulher, né? Eita raça desu­nida!) que sur­tou! É meio cruel ten­tar expli­car sem dar infor­ma­ções, datas ou fatos, mas o seguinte é que esta pes­soa havia cap­tado patro­cí­nio para desen­vol­ver uma ação que rece­beu pouco des­ta­que da mídia em detri­mento de uma outra ação capi­ta­ne­ada por um par­ceiro comer­cial nosso que, pelo jeito, pare­ceu mais inte­res­sante aos olhos de imprensa e público. Adivinha?

A louca ligou pra os jor­nais. Ameaçou colu­nista, falou com edi­tor, com supe­rin­ten­dente e o zás-trás. Citava o meu nome com a ‘bri­lhante’ jus­ti­fi­ca­tiva de que eu (coi­tada de mim) estava que­rendo pre­ju­di­car seu mag­ní­fico trabalho.

Tsc-tsc.… No dia em que eu tiver ple­nos pode­res de con­se­guir uma inser­ção em qual­quer meio de comu­ni­ca­ção que não seja fruto de um bom tra­ba­lho ali­ado a um bom pro­duto sig­ni­fica que eu virei dona de jor­nal, emis­sora de TV ou de rádio. E vocês acham que eu iria estar aqui, me lamen­tando dessa pá de doido? Tava nada, menino! Estava mesmo era de frente pro mar, tomando uma flûte de espu­mante gela­dís­sima, lendo um bom livro e saco­le­jando de rir des­sas esto­ri­e­tas. Avalia? Euzinha me pas­sando pelo mico de ligar pra reda­ção pra falar mal dos outros? Credocruz! Vaderetro! Arre!

Lembrando ape­nas de outra máxima: o que é ruim de pas­sar é bom de con­tar, né? E quem nunca teve um louco que cru­zou o cami­nho do seu tra­ba­lho pelo menos uma vez na vida, que atire a pri­meira pedra.

Só pra encer­rar o assunto, vou dar a vocês uma pano­râ­mica de como eu dou sorte com as doi­das de plan­tão. Certa vez – lá pelos idos de 1998, quando eu ainda tra­ba­lhava em Bsb (Brasília), a secre­tá­ria do dire­tor da empresa para a qual eu tra­ba­lhava cis­mou da peri­quita que eu estava que­rendo tomar o lugar dela. Tentadora a pro­posta não? Eu, jor­na­lista, ganhando o tri­plo do que ela ganhava (não que fosse muito por­que jor­na­lista é morta-fome mesmo). Ela, secretária.

Ahnnn, deixa eu ver? Acho que vou con­ti­nuar a ser jor­na­lista. Por enquanto.

Sabe o que ela fez? Esperou por mim na porta do pré­dio (onde tra­ba­lha­vam umas 500 pes­soas) e fez um e-s-c-â-n-d-a-l-o com tudo o que há direito. Literalmente teve um surto. Sem brin­ca­deira, ela dis­pa­ra­ria uma arma de fogo con­tra mim se pudesse. Como resul­tado, teve que ser inter­nada por uns dias pra ficar sob con­trole de calmantes.

Tenho ou não tenho pára-raio pra mulher doida? Vocês devem estar pen­sando: “Mas essa Rainha do Maracatu Roubada de Ouro deve ser uma mala mesmo pra atrair essas lou­cas de plan­tão”. Sou não, filhote. Quisera eu! Tudo o que eu que­ria fazer era revi­dar vez por outra. Em vez disso, fico com a minha boa e velha edu­ca­ção domés­tica que, ali­ada ao meu bom senso, me impe­dem de embo­la­char pes­soas sem-noção. Fazer o quê? Vida que segue.

PS.: Remédio para desa­fo­gar o fígado: domin­guei­ras de no Quintal do Lima até o final de setem­bro. Eu vou rir muito!

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[+] A Rainha do Maracatu Roubada de Ouro é o pseudô­nimo de uma jor­na­lista per­nam­bu­cana. Toda semana, escreve nesta coluna, crô­ni­cas de desa­bo­res, desen­can­tos e memórias.

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  • http://www.revistaogrito.com Rainha do Maracatu Roubada de Ouro

    Caro Sidney,
    Respondi para você atra­vés do meu e-mail cor­po­ra­tivo com meu nome real. Fico no aguardo de suas ori­en­ta­ções.
    Abs cor­di­ais
    Iara Lima

  • http://www.monica.com.br Sidney Gusman

    Oi, Rainha. O Mauricio de Sousa leu seu texto sobre ele e ficou mui­tís­simo feliz. Por isso, pediu que eu entrasse em con­tato con­tigo. Pode me man­dar um e-mail para con­ver­sar­mos a respeito?

    Grato

    Sidney Gusman

  • http://www.revistaogrito.com Rainha do Maracatu Roubada de Ouro

    Nossa Luiz, a parte do sêmen do menino vir­gem é difí­cil heim, gato? Acho que esse banho deve ser um estouro mesmo.
    Beijo e obri­gada pela dica.

  • Luis

    Nêga, pelamôr­di­deus. Tenho a receita de um banho que afasta esse povo: três folhi­nhas de arranca-toco, meio colher de sopa de sêmem de menino vir­gem, um copi­nho de água do mar (da pri­meira maré baixa de agosto), um copo ame­ri­cano de suco de uberê-mirim-guará e três colhe­res de sal grosso. Funciona oti­ma­mente bem, vá por mim.