COOL.AGENS
Por Daniela Arrais*, espe­cial para O Grito!

Umas pági­nas de revista esque­ci­das pelo tempo, mais umas duas, três penas de pavão. Uma foto enqua­drada pela mãe em um pôs­ter e ras­gada no meio, sem dó. O LHC, grande coli­sor de hádrons, ou uma frase clás­sica sub­ver­tida (“dia­monds are nobody´s best friends”).

Materiais e refe­rên­cias tão dís­pa­res encon­tram uni­dade nas cola­gens de . Ou cool.agens, como pre­fere a jor­na­lista, que não se declara artista, mas tem na sen­si­bi­li­dade e na pro­du­ção a maior prova disso.

Como se a agenda da escola tivesse ganhado o espaço, os gos­tos e as lei­tu­ras da vida adulta, ela recorta, cola, amassa, junta e monta nar­ra­ti­vas (hand­made, sem CTRL C + CTRL V) a par­tir do que cai em suas mãos.

Acaso, ins­cons­ci­ente e ima­gens dis­tan­tes, mas sem­pre pode­ro­sas, pare­cem nor­tear suas cola­gens. Uma hora, ela evoca as vir­gens de Klimt _em “Múmias Schiele”, em que sub­verte a leveza e o entre­la­ça­mento das moças, substituindo-as por cavei­ras cor­roí­das pelo tempo. Em outra, com seu “Surfing on a roc­ket “, com­posto por nave espa­cial, roupa colante de esque­leto e más­ca­ras de guerra, parece vol­tar ao começo do século pas­sado para evo­car o futurismo.

No meio tempo, Joana expe­ri­menta. Pesquisa, recorta, amassa, cola e com­põe mais um vez, com o olhar apu­rado de quem tem neces­si­dade de se ali­men­tar de ima­gens a cada segundo.

* Daniela Arrais, jor­na­lista, é autora do blog Don’t Touch My Moleskine.

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