Lenine no em 2009: indies em esquema mega (Foto: Rafaella Soares/RoG!)

A HISTERIA ALTERNATIVA NO DO RECIFE
Na época da folia, não fal­tam opções para quem deseja se esbal­dar num cir­cuito off-frevo

Por Paulo Floro
Editor da Revista O Grito!, em Recife

O bloco Quanta Ladeira anun­ciou sua cole­tiva de imprensa para às 14h. De 13h30, can­ce­lou. Não con­firma sua apre­sen­ta­ção no Rec-Beat no domingo de Carnaval, mas alar­deia que não tem inte­resse em fazer o show, um dos mais lota­dos da folia reci­fense. Formado por músi­cos e enca­be­çado pelo can­tor Lula Queiroga, o bloco é o ícone da his­te­ria alter­na­tiva que se ins­ta­lou no Carnaval do Recife. Democrático, todos acham seu lugar na folia, sobre­tudo aque­las pes­soas que gos­tam de sen­tir espe­ci­ais e pre­fe­rem fre­quen­tar espa­ços ditos moder­nos e des­co­la­dos até nos dias de momo.

O Quanta Ladeira ficou famoso por iro­ni­zar com a indús­tria mar­ke­teira que se tor­nou o Carnaval. “Tudo era uma anar­quia no começo”, lem­bra a pro­du­tora do bloco, Karina Hoover. Quando ainda nem fazia parte da orga­ni­za­ção, Karina assis­tia às apre­sen­ta­ções da troça no Centro Luís Freire, em Olinda. Hoje, com recorde de público, o QL rea­liza uma pré­via quase secreta e um show no palco do Rec-Beat na tarde do domingo de Carnaval.

“Não é nosso intuito divul­gar o bloco. No que ele se trans­for­mou, se tor­nou algo des­con­for­tá­vel para nós”, admite Karina. Ela e Lula, ao lado da mulher Dani Hoover, tam­bém pro­du­zem o bloco Guaiamum Treloso. Este ano, a grande estrela são os Titãs. Eles foram res­pon­sá­vel pela gênese “indie” que se for­mou no Carnaval. Com 16 anos de vida, o Guaiumum sem­pre trouxe nomes alheios ao frevo que impera na época. “A gente que come­çou com essa his­tó­ria de ‘mul­ti­cul­tu­ral’. Sempre qui­se­mos tra­zer outros esti­los musi­cais para essa época”, diz Felipe Cabral, fun­da­dor do bloco. Em anos ante­ri­o­res, já se apre­sen­ta­ram Lenine, Eddie e Gilberto Gil.

A busca por esti­los além do frevo tam­bém é o mote do Rec-Beat, fes­ti­val ins­ta­lado den­tro da pro­gra­ma­ção ofi­cial da Prefeitura do Recife. Este ano com­pleta 15 anos, refor­çando seu inte­resse em inte­grar mais artis­tas da América Latina. O pro­du­tor Antônio Gutierréz, o Gutie, ficou conhe­cido por reve­lar nomes de des­ta­que no cená­rio pop inde­pen­dente, como Vanguart, Lucy and The Popsonics e Móveis Coloniais de Acaju em seu palco.

Deslocex
Na semana pré, diver­sas pré­vias ser­vem de ponto de encon­tro do público mais ligado em música pop. O Enquanto Isso na Sala de Justiça, que faz pré­via pró­ximo dia 6 de feve­reiro, este ano traz Nação Zumbi e con­vi­da­dos como Arnaldo Antunes para seu palco. O I Love Cafusu, um dia antes, brinca com a explo­são brega com show da banda Lapada e dis­co­te­ca­gem dos DJ’s da festa Sem Loção. “Fechamos com o Armazém 14, mas ainda ten­tei pro­cu­rar um lugar maior para a festa”, reve­lou a pro­du­tora Cris Garrido.

Outras fes­ti­nhas e tro­ças ani­mam o Carnaval do Recife, como o Amantes de Glória, no bairro da Boa Vista, for­mado majo­ri­ta­ri­a­mente por jor­na­lis­tas. É Hoje que a man­gueira entra, que acon­te­ceu no último sábado (23), o Pré-AMP, fes­ti­val de música inde­pen­dente que acon­tece na semana pré-Carnavalesca, no Recife Antigo e mais diver­sas outras. Em Recife, “não gos­tar de Carnaval” não tem um sig­ni­fi­cado muito obje­tivo. Aparentemente, cabem todos, até quem não quer se misturar.

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