Como já é tra­di­ci­o­nal aqui na Revista O Grito!, encer­ra­mos as nos­sas ati­vi­da­des do ano com a lista dos melho­res qua­dri­nhos do ano. É nosso tra­ba­lho mais impor­tante no espe­cial que reca­pi­tula o melhor em diver­sas áreas da cul­tura. Convidamos jor­na­lis­tas, crí­ti­cos e demais pro­fis­si­o­nais da imprensa que cobrem a área de HQs para esco­lher as obras mais impor­tan­tes de 2010. E o tra­ba­lho neste ano não foi fácil. Bons tra­ba­lhos foram lan­ça­dos, com des­ta­que para a pro­du­ção naci­o­nal, que ganhou vez em pra­ti­ca­mente todas as edi­to­res, gran­des, peque­nas ou novas.

Nosso prin­ci­pal cri­té­rio para a lista é que os tra­ba­lhos fos­sem iné­di­tos no Brasil. Além da qua­li­dade do mate­rial, foi pedido aos votan­tes uma aná­lise refe­rente à edi­ção das obras, já que a lista tam­bém serve para fazer um pano­rama do mer­cado edi­to­rial. Cada par­ti­ci­pante esco­lheu 10 títu­los, em ordem de impor­tân­cia. O pri­meiro lugar rece­bia nota 10, para o segundo era atri­buído nota nove, e assim por diante. Ao final, con­ta­mos todos os pon­tos e a que acu­mu­lou o maior número de boas posi­ções nas lis­tas indi­vi­du­ais ficou em pri­meiro na geral. Os empa­tes, que foram pou­cos, foram resol­vi­dos pelos edi­to­res da revista.

Algumas HQs fica­ram fora das 25 elei­tas, mas foram vota­das. São tra­ba­lhos cri­a­ti­vos e mere­cem uma lem­brança aqui. É o caso de Memória de Elefante, do ilus­tra­dor Caeto, que fez uma HQ auto­bi­o­grá­fica, ainda pouco explo­rada entre os qua­dri­nhis­tas bra­si­lei­ros. O livro de estreia do car­tu­nista João Montanaro, Cócegas no Raciocínio serve como regis­tro de uma ainda ini­ci­ante, mas rele­vante, car­reira desse artista de ape­nas 13 anos. Outros qua­dri­nhos que por pouco não entra­ram no Top 25 foram Criminal, um dos mais impor­tan­tes tra­ba­lhos de Ed Brubaker, e A Liga Extraordinária — 1910, his­tó­ria iné­dita da equipe cri­ada por Alan Moore.

Vamos aos des­ta­ques deste ano. Acompanhe tam­bém nossa lista de música, vide­o­cli­pes e discos.


Melhores de 2010 — Top 30 Videoclipes


Melhores de 2010 — Top 50 Músicas


Melhores de 2010 — Top 30 Discos

» Veja quem votou para esco­lher os melho­res qua­dri­nhos deste ano

25 — FRACASSO DE PÚBLICO DESENCONTRO DE TITÃS
Alex Robinson
[Gal Editora]

Segundo volume da elo­gi­ada HQ de Alex Robinson che­gou às livra­rias pela pequena Gal. É uma das séries inde­pen­den­tes mais acla­ma­das nos EUA e mos­tra os per­so­na­gens em meio a empre­gos ruins, encon­tros fra­cas­sa­dos, fim de namo­ros e, neste caso, mor­tes quase trá­gi­cas. “O come­di­ante Jerry Seinfeld certa vez defi­niu seu mega bem suce­dido pro­grama de TV como “uma série sobre o nada”. Pode-se dizer o mesmo de Fracasso de Público. E isso não é pouca coisa. A tri­lo­gia de Alex Robinson, publi­cada no Brasil pela Gal Editora, limita-se a retra­tar a vida nada excep­ci­o­nal de um grupo de ami­gos. Assim como em Seinfeld, cada capí­tulo da HQ — ou mesmo um certo número de pági­nas — é fechado em si mesmo, sem mai­o­res pre­o­cu­pa­ções com a cha­mada “con­ti­nui­dade”. — Jota Silvestre, no Papo de Quadrinhos.

24 — BONJOUR
Liniers
[Zarabatana Books]

A Zarabatana vem fazendo um bom tra­ba­lho ao publi­car as tiras do car­tu­nista argen­tino no Brasil. Depois de três volu­mes de sua prin­ci­pal obra, Macanudo, a edi­tora lan­çou este título que traz os pri­mór­dios de Liniers, antes de sua acla­ma­ção. “No ima­gi­ná­rio deste artista estão per­so­na­gens inu­si­ta­dos, expe­ri­ên­cias sur­re­ais e um olhar mais deli­cado sobre situ­a­ções banais do coti­di­ano. O banal é matéria-prima de pri­meira qua­li­dade para Liniers. Conhecido por sua uma sub­je­ti­vi­dade ali­ada à muita expe­ri­men­ta­ção, este autor con­se­guiu se fazer conhe­cido em outros paí­ses atra­vés da inter­net. — Paulo Floro, no JC Online.

23 — GEFANGENE — SEM SAÍDA
Koostela
[Zarabatana Books]

Com um ino­va­dor uso dos qua­dros, o car­tu­nista bra­si­leiro Koostela usou sua expe­ri­ên­cia no exte­rior para fazer uma deli­cada — mas con­tu­dente — obra sobre as pri­sões, em qual­quer lugar e época. “Sem nenhum balão, legenda ou qual­quer tipo de texto, Gefangene sur­pre­ende por trans­por­tar o lei­tor para a atmos­fera do claus­tro com bem pen­sa­das ideias esté­ti­cas e nar­ra­ti­vas. Primeiro, ele fez 31 peque­nas his­tó­rias con­ta­das em nove qua­dros de tama­nhos idên­ti­cos. Essa rigi­dez na nar­ra­tiva sequen­cial causa incô­modo no lei­tor, per­turba ao mesmo tempo que ajuda a com­pre­en­der melhor a ideia de estar apri­si­o­nado”. — Paulo Floro, na Revista O Grito!

22 — (SIC)
Orlandeli
[Conrad]

Já conhe­cido por seus exer­cí­cios esté­ti­cos nas tiras, Orlandeli teve seu tra­ba­lho com­pi­lado neste álbum da Conrad. “São his­tó­rias que con­ser­vam o molde da tira, mas apre­sen­tam ao lei­tor temas livres, mar­ca­dos pela expe­ri­men­ta­ção grá­fica, sem a piada final. O tom de crô­nica das nar­ra­ti­vas de estreia ficava ainda mais evi­dente. Com Sic, Orlandeli se soma ao grupo de auto­res bra­si­lei­ros que tem rein­ter­pre­tado a tira e dado a ela uma nova cara, dife­rente de como vinha sendo feita até então. Alguns dos resul­ta­dos que ele obtém são excep­ci­o­nais, tanto em con­teúdo quanto no aspecto grá­fico. São tiras que mere­ciam uma anto­lo­gia como esta, obra que ajuda a dar a real dimen­são de tudo o que elas apre­sen­tam. — Paulo Ramos, no Blog dos Quadrinhos.

21 — MACANUDO VOLUME 3
Liniers
[Zarabatana Books]

Terceiro volume das tiras do car­tu­nista argen­tino Liniers, que era conhe­cido pela inter­net, atra­vés de seus blogs e que agora ganha cole­tâ­neas da série Macanudo, pela Zarabatana. “A arte de Liniers é genial. Suas lúdi­cas cores aqua­re­la­das e o for­mato pecu­liar de seus per­so­na­gens já fazem escola no Brasil (vide os tra­ba­lho mais recen­tes do jovem car­tu­nista João Montanaro). Para des­ta­car duas tiras sobre seu tra­ba­lho com cores, pro­cure a da Henriqueta, na página 28, e a de um per­so­na­gem que vê uma bor­bo­leta, na 45. Em ambas, o autor usa a tran­si­ção da tira em branco e preto para uma colo­rida para mos­trar como peque­nas coi­sas ale­gram a vida. — Zé Oliboni, no Universo HQ

20 — BATMAN E ROBIN
Grant Morrison e Frank Quitely
[Publicado na revista men­sal Batman, Panini]

Uma das séries mais fala­das, Batman & Robin chega às ban­cas depois de uma con­tro­versa fase do Homem-Morcego, em que diver­sos per­so­na­gens dis­pu­ta­vam o capuz depois de sua morte. Marca o retorno da dupla cri­a­tiva Morrison e Quitely. “Desde que foi cri­ado em 1939, vários Batmen exis­ti­ram. Cada um repre­senta a visão de um escri­tor ou artista e todos são dife­ren­tes entre si. É este o poder que esses ícones repre­sen­tam na cul­tura pop: atra­ves­sam déca­das, e con­ti­nuam exer­cendo o mesmo fas­cí­nio. Essas mudan­ças que inco­mo­dam fãs puris­tas e con­fun­dem lei­to­res even­tu­ais são neces­sá­rios numa indús­tria que acu­mula déca­das de cro­no­lo­gia. Na fase atual, Batman é Dick Grayson, que já foi o pri­meiro Robin e que antes atu­ava como o herói Asa Noturna. O garoto-prodígio da vez é Damian Wayne, o filho do homem-morcego ori­gi­nal. Essa dupla impro­vá­vel está ren­dendo boas his­tó­rias escri­tas pelo polê­mico Grant Morrison e dese­nhada pelo pre­mi­ado Frank Quitely. — Paulo Floro, no JC Online.

19 — YEASHUAH — O CÍRCULO INTERNO O CÍRCULO EXTERNO
Laudo Ferreira e Omar Viñole
[Devir]

A segunda parte da elo­gi­ada série dos qua­dri­nhis­tas Laudo Ferreira e Omar Viñole, que mos­tra a saga de Jesus con­tada de maneira rea­lista e, por vezes, até mesmo natu­ra­lista. “O inte­res­sante no tra­ba­lho é que o autor real­mente cons­truiu a sua ver­são sobre a vida de Jesus Cristo. E vem fazendo isso de uma forma que a trama possa ser atra­tiva até um lei­tor que não tenha qual­quer con­vic­ção reli­gi­osa. Na arte, Laudo optou por um dese­nho mais solto e, algu­mas vezes, cari­ca­tu­ral, que fun­ci­ona bem com o roteiro. No entanto, o ponto alto está na nar­ra­tiva, com bom uso da dia­gra­ma­ção das pági­nas e das vari­a­ções de “câme­ras”. Destaque tam­bém para a com­pe­tente arte-final de Omar Viñole, com um belo jogo de luz e som­bras”. — Sidney Gusman, no Universo HQ.

18 — AS INCRÍVEIS AVENTURAS DO ESCAPISTA
Vários artis­tas
[Devir]

Um herói da Era de Ouro, que na ver­dade, nunca exis­tiu. Essa pro­posta cri­a­tiva usa a meta­lin­gua­gem das HQs e teve par­ti­ci­pa­ções de nomes como Will Eisner. “É uma espé­cie de home­na­gem aos cri­a­do­res do Superman, Jerry Siegel e Joe Shuster, no que eles têm de mais ingê­nuos e cri­a­ti­vos. Como afir­mou o edi­tor do livro, Leandro Luigi Del Manto, é uma espé­cie de “Forrest Gump” dos qua­dri­nhos. O time que aci­e­tou par­ti­ci­par da emprei­tada é de pri­meira: Howard Chatkin, Brian K. Vaughn, Harvey Pekar, Steve Lieber e até Will Eisner. O Escapista é uma espé­cie de Houdini, que usa uma chave como amu­leto que lhe dá pode­res para esca­par de todas as arma­di­lhas e pri­sões. Edição bem aca­bada e colo­rida, vale o inves­ti­mento”. — Paulo Floro, na Revista O Grito!

17 — TAXI
Gustavo Duarte
[Independente]

O autor bra­si­leiro Gustavo Duarte alcan­çou noto­ri­e­dade com sua HQ inde­pen­dente Có. Agora, sua nova obra, Taxi, teve o mesmo pres­tí­gio e con­firma o qua­dri­nhista como um das reve­la­ções este ano. “Mais uma vez, ele aposta numa nar­ra­tiva sem nenhum balão de texto, o que dá mar­gem para mos­trar seu domí­nio das téc­ni­cas de nar­ra­tiva de uma his­tó­ria em qua­dri­nhos. É quase pos­sí­vel enxer­gar o movi­mento dos per­so­na­gens entre uma cena e outra. E a vari­a­ção das expres­sões faci­ais, tanto nos seres huma­nos, quanto nos antro­po­mor­fi­za­dos, é de tirar o cha­péu”. — Sidney Gusman, no Universo HQ.

16 — PEQUENOS HERÓIS
Vários artis­tas
[Devir]

Um tri­buto ao gênero super-heróis, numa HQ sem pala­vras. Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash, Caçador de Marte e Canário Negro são os per­so­na­gens repre­sen­ta­dos. Basta ler as oito his­tó­rias em qua­dri­nhos de Pequenos heróis para se ter cer­teza de que atos de bra­vura não são exclu­si­vi­dade de seres de Krypton, de Marte ou do fundo do mar. Ou de mulhe­res ama­zo­nas como a cena acima pode suge­rir. Com roteiro de Estevão Ribeiro — tam­bém edi­tor do álbum, ao lado de Mário César — e arte de gente como Fernanda Chiella (acima), Emerson Lopes, Raphael Salimena e Vitor Cafaggi, o livro traz HQs sem pala­vras que pres­tam home­na­gem a alguns dos heróis da DC Comics. — Telio Navega, no Gibizada.

Assim, qual­quer pes­soa de qual­quer parte do mundo pode ler e enten­der per­fei­ta­mente as histórias.

15 — KICK-ASS
Mark Millar e John Romita Jr.
[Panini]

A polê­mica HQ de Mark Millar ganhou uma ver­são de luxo pela Panini, apro­vei­tando a pas­sa­gem rápida do filme pelos cine­mas. O autor explora a vio­lên­cia enquanto gênero para falar de um super-herói rea­lista. “A vio­lên­cia no uni­verso de Millar não é um fim, mas um meio, uma forma de expor que nas pes­soas comuns e suas roti­nas, reside tam­bém uma vio­lên­cia, algo que dis­torce a ideia do cará­ter ino­fen­sivo de gente sim­ples. Kick-Ass sai dos subúr­bios para lutar con­tra o crime, mas acaba tendo con­tato com uma dupla de pai e filha, que ao con­trá­rio de sua inex­pe­ri­ên­cia, são exí­mios mata­do­res. Ele pró­prio aca­bará se trans­for­mando no que no fundo sem­pre fan­ta­siou”. — Paulo Floro, na Revista O Grito!

14 — XAMPU
Roger Cruz
[Devir]

Anos depois sem lan­çar um álbum auto­ral e por muito tempo dedi­cado ao mer­cado norte-americano, o dese­nhista bra­si­leiro Roger Cruz publica sua obra mais impor­tante. “O livro é uma via­gem com toques auto­bi­o­grá­fi­cos, sobre amo­res e ilu­sões dos anos 1980. Trata de fil­mes, livros, estilo e memó­rias daquela época, com certa ide­a­li­za­ção român­tica por parte do autor. É um álbum emo­tivo, um dos melho­res tra­ba­lhos de Cruz. Artista de estilo mutante, este tra­ba­lho mos­tra um lado pouco conhe­cido de quem ficou conhe­cido por títu­los como X-Men, em sagas famo­sas, como A Era do Apocalipse (1997)”. — Paulo Floro, na Revista O Grito!

13 — NAMOR PROFUNDEZAS
Peter Milligan e Esad Ribic
[Panini]

Parte da cole­ção que publi­cou his­tó­rias do selo Marvel Knights, o per­so­na­gem Namor ganha sua obras mais rele­vante desde que foi cri­ado. “A grande car­tada da his­tó­ria é não colo­car Namor como pro­ta­go­nista e, sim, como um mis­té­rio do qual você só tem alguns vis­lum­bres. Nada de sun­gui­nhas de esca­mas ou lon­gos papos a la Greenpeace sobre como os huma­nos estão ame­a­çando os oce­a­nos. A belís­sima arte de Esad Ribic nos mos­tra um Namor de olhos negros, sem pupila, pele pálida, den­tes afi­a­dos, um ser quase oni­pre­sente no mar. A nar­ra­tiva é gui­ada pela voz em 1º pes­soa do Dr. Stein, enquanto escreve em seu diá­rio, o que leva à HQ, uma atmos­fera fan­tás­tica de Júlio Verne e outras obras das quais faz cita­ções dire­tas como Moby Dick, de Herman Melville”. — Társio Abranches, na Revista O Grito!

12 — POEMA EM QUADRINHOS
Dino Buzzatti
[CosacNaify]

Depois de anos des­co­nhe­cida do público bra­si­leiro, o jor­na­lista e artista plás­tico Dino Buzzatti tem sua famosa obra Poema em Quadrinhos publi­cada. A obra reconta o mito de Orfeu. “Do escri­tor, jor­na­lista e artista plás­tico ita­li­ano Dino Buzzati vem uma obra inclas­si­fi­cá­vel, que varia muito mais do sub­je­tivo ao obje­tivo, e garante inter­pre­ta­ções e des­co­ber­tas a cada relei­tura. A his­tó­ria conta os per­cal­ços de Orfi, um can­tor que encanta o sexo oposto com suas can­ções pop, mas sofre com a perda de sua amada Eura”. — Marcelos Santos Costa, na Revista O Grito!

11 — O QUE ACONTECEU AO HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO
Dave West e Marleen Lowe
[Gal Editora]

A his­tó­ria de um homem comum com um incrí­vel poder con­quis­tou o mer­cado inde­pen­dente norte-americano. Ele con­se­gue parar o tempo e pre­cisa resol­ver o pro­blema de sal­var cen­te­nas de pes­soas de uma ame­aça de bomba. Saiu pela Gal, que ainda incluiu diver­sos extras. “Com roteiro de Dave West e arte de Marleen Lowe, “O que acon­te­ceu ao homem mais rápido do mundo?” é uma HQ bri­tâ­nica, da pequena edi­tora Accent UK, espe­ci­a­li­zada em qua­dri­nhos inde­pen­den­tes. E, se levar­mos em con­si­de­ra­ção este lan­ça­mento, que fala de atos de heroísmo ver­da­dei­ros, deve vir mais coisa boa de lá”. — Telio Navega, no Gibizada.

10 — O FOTÓGRAFO VOLUME 3
Didier Lefèvre, Emmanuel Guibert e Frédéric Lemercier
[Conrad]

Um dos pro­je­tos mais ousa­dos dos qua­dri­nhos, enfim, ganha seu aguar­dado ter­ceiro volume pela Conrad. O livro, mais uma vez, mis­tura jor­na­lismo, foto­gra­fia e HQ numa obra ino­va­dora. “É hora de cobrir a lente e se des­pir da máquina que prende o fotó­grafo com uma corda que, se não é umbi­li­cal, é memo­rial. Nos des­pe­di­mos de Didier Lefèvre mais de três anos depois de sua morte, em janeiro de 2007. Lefèvre se des­pede de seu rela­ci­o­na­mento com o Afeganistão na edi­ção de O Fotógrafo 3, capa dura, título verde flo­resta em cima da foto cinza deserto de dois jovens e seus brin­que­dos: uma AK-47 e uma espin­garda” — Carol Almeida, no Zuper (link inativo).

9 — LOGICOMIX
Apostolos Doxiadis, Christos H. Papadimitriou, Alecos Papadatos, Annie Di Donna
[WMF Martins Fontes]

Elogiada HQ grega chega ao Brasil sem muito alarde pela WMF Martins Fontes. Conta a his­tó­ria do jovem filó­sofo inglês Bertrand Russel e os fun­da­men­tos da mate­má­tica. “Não menos intrin­cada é a forma da nar­ra­tiva. Como uma matri­oska, a boneca russa que con­tém outras simi­la­res den­tro de si, ela se cons­trói em cama­das, na defi­ni­ção de Doxiadis. A exte­rior tem como per­so­na­gens os auto­res da HQ, envol­vi­dos na ten­ta­tiva de escla­re­cer para eles mes­mos o que será tra­tado nas pági­nas a seguir. Eles apre­sen­tam os fatos da segunda camada, na qual Russell chega a uma uni­ver­si­dade ame­ri­cana, em 4 de setem­bro de 1939 – logo depois de o Reino Unido entrar na 2ª Guerra -, con­vi­dado a pales­trar sobre a lógica nas ques­tões huma­nas. É abor­dado na entrada por mani­fes­tan­tes, que cla­mam por seu apoio pela não-participação dos EUA no con­flito, e os con­vence a entrar no audi­tó­rio para ouvi-lo”. — Raquel Cozer, no O Estado de S. Paulo.

8 — MSP+50
Vários Artistas
[Panini]

Segundo volume da tri­lo­gia que home­na­geia os 50 anos do cri­a­dor da Turma da Mônica, Maurício de Sousa. Organizado por Sidney Gusman, edi­tor do Universo HQ, a obra mos­tra as cri­a­ções de Maurício ima­gi­nada por artis­tas bra­si­lei­ros. “O que pode­ria pare­cer uma ten­ta­tiva satu­rada de rede­se­nhar per­so­na­gens e apos­tar duas vezes o mesmo número num jogo de roleta se des­vela como mais uma agra­dá­vel sur­presa tanto para quem, um dia, já leu a Turma da Mônica, ou para quem é fã de uma boa his­tó­ria em qua­dri­nhos ou, em alguns casos, de uma ilus­tra­ção daque­las de encher os olhos”. — Carol Almeida, no Terra.

7 — MUCHACHA
Laerte
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

Um ano para ficar na his­tó­ria do car­tu­nista Laerte. Depois da con­sa­gra­ção de crí­tica com suas tiras mais recen­tes, ele coroa essa fase com a publi­ca­ção de suas tiras sema­nais na Folha de S. Paulo, que con­tam his­tó­rias sobre bas­ti­do­res de TV, em mais uma de suas expe­ri­men­ta­ções de lin­gua­gem. “As tiras mis­tu­ram tre­chos do pro­grama com bas­ti­do­res das gra­va­ções. Esse tipo de nar­ra­tiva sobre uma obra em cons­tru­ção já foi uti­li­zada em outros meios, como o cinema, mas nos qua­dri­nhos é uma expe­ri­ên­cia recente. E Laerte faz isso muito bem. Originalmente as tiras foram publi­ca­das na Folha de S.Paulo. Com a com­pi­la­ção em livro ficou mais fácil de enten­der a his­tó­ria. É que essa fase atual de Laerte não se rende ao riso, como esta­mos acos­tu­ma­dos. Por isso, reu­ni­das, o tra­ba­lho do autor pau­lista faz mais sen­tido”. — Paulo Floro, no JC Online.

6 KIKI DE MONTPARNASSE
José-Louis Bocquet e Catel Muller
[Galera Record / Record]

Na Paris dos anos 1920, o bairro de Montparnasse con­gre­gava um grande número de artis­tas. E Kiki, uma das pri­mei­ras mulhe­res eman­ci­pa­das do mundo, estava entre eles. “Exótica. O livro deta­lha a vida da fran­cesa, nas­cida Alice Prin e cri­ada pela avó, desde a infân­cia pobre na vila de Châtillon-sur-Seine até a morte, mais uma vez sem dinheiro e vivendo às cus­tas de ami­gos. No ínte­rim, des­creve a ascen­são da musa de corpo roliço e beleza exó­tica que, ainda ado­les­cente, come­çou a posar nua para escul­to­res. E passa pelos anos em que con­vi­veu com nomes como Picasso e Jean Cocteau, destacando-se não só como modelo, can­tora e atriz de fil­mes expe­ri­men­tais — de René Clair e Fernand Léger, entre outros -, mas tam­bém como, ela pró­pria, pin­tora e dese­nhista”. — Raquel Cozer, n’O Estado de S. Paulo

5 — SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO
Brian Lee O’Mayley
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

HQ que une lin­gua­gens caras ao geeks dos tem­pos moder­nos — qua­dri­nhos e games — ganhou edi­ção cui­da­dosa da Companhia das Letras, que orga­ni­zou a obra em três edi­ções. A rele­vân­cia do gibi para o mer­cado edi­to­rial rece­beu ainda a cola­bo­ra­ção do filme, que mesmo tendo um lan­ça­mento ver­go­nhoso nos cine­mas daqui, ficou bas­tante conhe­cido atra­vés da inter­net. “Toda essa reper­cus­são parece natu­ral para quem leu, pois o cana­dense Bryan Lee O´Malley usa e abusa de refe­rên­cias pop que vão desde a influên­cia do mangá (a japo­ne­sice dos olhos gran­des, lei­tura ágil, dia­gra­ma­ção oblí­qua, pri­vi­lé­gio da ação), super-heróis, vide­o­ga­mes, música pop, comé­dias român­ti­cas de Hollywood. É um uni­verso indie nerd retra­tado com extrema fofice, garan­tindo que homens de 20 a 40 anos vão gos­tar e suas namo­ra­das tam­bém, irmãos ado­les­cen­tes ou mais novos”. — Germano Rabelo, na Revista O Grito!

4 — CACHALOTE
Daniel Galera e Rafael Coutinho
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

Uma das obras mais comen­ta­das e aguar­da­das do ano, o sta­tus que Cachalote teve em impor­tân­cia para sua edi­tora é pra­ti­ca­mente iné­dito. Fruto de uma par­ce­ria do escri­tor Daniel Galera e o dese­nhista Rafael Coutinho, mos­tra diver­sas his­tó­rias apa­ren­te­mente des­co­ne­xas sobre o coti­di­ano e os rela­ci­o­na­men­tos. “A fixa­ção por ani­mal seme­lhante levou o capi­tão de um certo bale­eiro à lou­cura e, mui­tas pági­nas depois, à morte. Mas, no caso dos pau­lis­tas Daniel Galera e Rafael Coutinho, a pai­xão pelo gigan­tesco mamí­fero mari­nho, seme­lhante à baleia Moby Dick, do escri­tor Herman Melville, fez com que a dupla pro­du­zisse “Cachalote” (Companhia das Letras), his­tó­ria em qua­dri­nhos que é uma das mais aguar­da­das do ano. A ansi­e­dade se jus­ti­fica por duas razões. Primeiro, por­que “Cachalote” é a pri­meira de um pro­jeto que pre­tende lan­çar outras HQs assi­na­das por escri­to­res e dese­nhis­tas — já há quase uma dezena de par­ce­rias em anda­mento. E tam­bém pela expe­ri­ên­cia de cada um dos auto­res”. — Telio Navega, no Gibizada.

3 — CICATRIZES
David Small
[Barba Negra / Leya]

Principal lan­ça­mento da Barba Negra/Leya, Cicatrizes, de David Small retoma um gênero caro aos qua­dri­nhos, que são as nar­ra­ti­vas auto­bi­o­grá­fi­cas, que já ren­de­ram obras impor­tan­tes como Maus e Fun Home. Desta vez conta a his­tó­ria do autor, que sofria de cân­cer. “Depois do exce­lente álbum “Epilético”, lan­çado em dois volu­mes pela Conrad, onde o qua­dri­nista David B. conta como lidou com a epi­lep­sia de seu irmão, agora chega ao Brasil outro álbum sobre dra­mas pes­so­ais, desta vez pelos selos LeYa Cult e Barba Negra. Em “Cicatrizes”, David Small com­par­ti­lha com o lei­tor como enca­rou a vida depois que arran­ca­ram suas cor­das vocais na ado­les­cên­cia por conta de um cân­cer. Este filme mudo dis­far­çado de livro foi indi­cado para impor­tan­tes prê­mios, como o Harvey Award e o Eisner Awards 2010″ — Pedro de Luna, no JBlog Quadrinhos, do Jornal do Brasil.

2 — NOTAS SOBRE GAZA
Joe Sacco
[Quadrinhos na Cia / Companhia das Letras]

Um dos mais impor­tan­tes qua­dri­nhis­tas norte-americanos e tido como cri­a­dor do gênero jor­na­lismo em qua­dri­nhos, Joe Sacco publica no Brasil sua mais impor­tante obra, Notas Sobre Gaza. Trata-se de uma nar­ra­tiva que remonta epi­só­dios esque­ci­dos pelo mundo e adi­ci­ona novos ele­men­tos no com­ple­xi­dade que é a crise no Oriente Médio. Sacco regis­trou atra­vés de memó­ria das tes­te­mu­nhas dois mas­sa­cres ocor­ri­dos em bair­ros pales­ti­nos por mili­ta­res judeus. “A publi­ca­ção de Notas Sobre Gaza, do car­tu­nista e jor­na­lista Joe Sacco, é das melho­res notí­cias do ano para quem gosta de HQ. Em ter­mos de impacto, acho com­pa­rá­vel só a Maus, do Art Spiegelman, com dife­ren­ças essen­ci­ais – para ficar em duas, o fato de Maus ser mais memo­ri­a­lís­tico que inves­ti­ga­tivo num sen­tido jor­na­lís­tico e de Notas Sobre Gaza recriar cená­rio de deta­lhes infi­ni­ta­mente menos conhecidos.

1 — BANDO DE DOIS
Danilo Beyruth
[Zarabatana Books]

Depois de cons­truir sua car­reira com o inde­pen­dente Necronauta, Danilo Beyruth lan­çou Bando de Dois, uma nar­ra­tiva que trans­fi­gura o ser­tão dos can­ga­çei­ros para uma esté­tica e refe­rên­cias do cow­boy ame­ri­cano. Saiu pela Zarabatana. A his­tó­ria mos­tra dois can­ga­çei­ros à caça dos assas­si­nos de seu bando. “O tra­ba­lho de Beyruth enve­reda por uma tri­lha pouco explo­rada nas nar­ra­ti­vas grá­fi­cas naci­o­nais mais lon­gas, a da ação. Ora mais, ora menos, ela está pre­sente em toda a obra. Não por acaso o autor e a edi­tora rotu­la­ram o álbum como um bangue-bangue à bra­si­leira. Há, de fato, os ele­men­tos cen­trais do gênero. Mas o bri­lho está no modo de nar­rar. Os dese­nhos de Beyruth casam com a ambi­en­ta­ção que ele se propôs a criar para a trama. E ele cons­trói pelo menos um segundo momento que ajuda a dar aquele algo a mais à obra. (…) Com este novo álbum, Beyruth mos­tra que é capaz de muito mais. Ele criou um dos prin­ci­pais álbuns do ano. No atual mer­cado de qua­dri­nhos bra­si­leiro, há obras que con­quis­tam fama no grito e outras que se fir­mam por méri­tos pró­prios. “Bando de Dois” se enqua­dra no segundo caso”. — Paulo Ramos, no Blog dos Quadrinhos.

» Leia entre­vista com Danilo Beyruth

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