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ASSIM, MEIO ALIEN
Os se apre­sen­tam no Recife no Carnaval, rene­gam o termo “banda cana­dense” e falam de como a estra­nheza faz parte do tra­ba­lho que fazem

Por Lidiana de Moraes
Colaboração para a Revista O Grito!

Antes de colo­car os pés no Brasil para tocar no , no dia 07 de março, a por­ção femi­nina do Handsome Furs, Alexei Perry, con­ce­deu uma entre­vista para a Revista O Grito! na qual fala das influên­cias da banda, como é a vida na estrada, outros pro­je­tos e até as expec­ta­ti­vas de vir ao país pela pri­meira vez.

O ultimo disco do Handsome Furs é 2009 – Face Control. Quando vocês pre­ten­dem lan­çar um tra­ba­lho novo? Vocês pre­ci­sam de um inter­valo da turnê para con­se­guir tra­ba­lhar em um mate­rial novo ou é pos­sí­vel tra­ba­lhar nisso mesmo na estrada?
Há alguns dias atrás ter­mi­na­mos a gra­va­ção do pró­ximo disco. Agora esta­mos ali­vi­a­dos, mas ainda no pro­cesso de mixa­gem. Ele será lan­çado o mais cedo pos­sí­vel, depende ape­nas da Sub Pop. Dan e eu escre­ve­mos muito enquanto esta­mos em turnê por­que temos mui­tas ideias vin­das das nos­sas expe­ri­ên­cias que que­re­mos usá-las para dar forma ao nosso disco, tanto no som quanto nas letras. Quando vol­ta­mos para Montreal e con­se­gui­mos entrar no estú­dio temos bas­tante mate­rial com o qual tra­ba­lhar. Nós des­pe­ja­mos as ideias da turnê e as gra­va­mos o mais rápido possível.

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Quais as expec­ta­ti­vas de vocês quanto ao show no Brasil? E o que os bra­si­lei­ros podem espe­rar de um show do Handsome Furs?
Nunca esti­ve­mos no Brasil, então posso ape­nas dizer que estou imen­sa­mente ansi­osa. Na ver­dade, não sei muito o que espe­rar do show já que eu não espero que as pes­soas sai­bam quem nós somos, mas eu real­mente quero tocar e tam­bém ver outros músi­cos durante o fes­ti­val. De uma forma egoísta, espero estar em algum lugar tro­pi­cal durante esse período de inverno severo que está acon­te­cendo no Canadá. Estou ansi­osa para ver a cidade à noite e ir a alguma das praias com água tur­quesa que vocês têm e tam­bém comer cal­dei­rada e car­nes gre­lha­das além de des­co­brir novas fru­tas que nem exis­tem por aqui. Quanto aos bra­si­lei­ros, vocês podem espe­rar do nosso show: um momento diver­tido e suado, bati­das altas e muita ener­gia com o entu­si­asmo genuíno de quem acha que está com sorte de tocar aí.

Como vocês se conhe­ce­ram e come­ça­ram a tra­ba­lhar jun­tos?
Nos conhe­ce­mos na droga de um tra­ba­lho de tele­mar­ke­ting. Vender coi­sas para pes­soas que não pre­ci­sam delas. Nós dois está­va­mos que­bra­dos e ten­tando encon­trar uma saída. O tra­ba­lho aca­bava com nossa alma, mas per­se­ve­ra­mos para con­se­guir dar uns amas­sos no ele­va­dor e divi­dir um cigarro nos inter­va­los e tro­car livros um com o outro. Trabalhar com música veio natu­ral­mente. Nós dois gos­tá­va­mos do que o outro estava fazendo e não con­se­guía­mos man­ter as nos­sas ideias separadas.

Como você define o som do Handsome Furs? Quais as mai­o­res influên­cias e o que vocês tem ouvido de novo?
Eu nunca sinto que con­sigo des­cre­ver nosso som. É como se um Techno mal­vado encon­trasse um cora­ção Punk. As nos­sas influên­cias são mui­tas. Eu amo The Clash, Sister Nancy, T Rex, Skinny Puppy, Richard Hell, Kraftwerk, Suicide, The Nerves, Dead Moon, Debbie Harry, Husker Dü, Cheap Trick, Jesus Lizard e Sinead O’Connor só para nomear alguns, mas não con­sigo dis­cer­nir o que influ­en­ciou o nosso som de uma forma espe­cí­fica. É o cânone da música deles que me leva a fazer a minha. De coi­sas novas eu amo No Age, LCD Soundsystem, Zola Jesus, Grinderman, Cold Cave, The Bug, Health, White, Carsick Cars e Fever Ray.

O tra­ba­lho [de tele­mar­ke­ting] aca­bava com nossa alma, mas per­se­ve­ra­mos para con­se­guir dar uns amas­sos no ele­va­dor e divi­dir um cigarro nos inter­va­los e tro­car livros um com o outro

Além de tra­ba­lhar com música você tam­bém é escri­tora. Quando você encon­tra tempo para escre­ver as suas his­tó­rias?
Eu estou sem­pre tra­ba­lhando. E ape­sar de ser uma tarefa árdua e can­sa­tiva, eu con­sigo tempo para escre­ver na estrada todos os dias. É muito impor­tante para mim. Eu man­te­nho a busca pela música e pela escrita bem sepa­ra­das de forma geral, mas eu tenho sorte o bas­tante de con­se­guir uns tra­ba­lhos que com­bi­nam os dois. Ano pas­sado, eu tra­ba­lhei para uma revista em Pequim cobrindo o cená­rio musi­cal e isso foi muito inte­res­sante. Mas a natu­reza do que eu escrevo é bem dife­rente do que eu faço com a banda e eu tento dei­xar cada um em seu domí­nio. Agora estou tra­ba­lhando num thril­ler eró­tico com uma pers­pec­tiva para­lela que tem me dei­xado arrepiada.

Vocês pare­cem uma banda “multi-tarefas”. Como apa­re­ceu a opor­tu­ni­dade de fazer o docu­men­tá­rio Indie Asia pra CNN? Há alguma chance dele se espa­lhar para outros locais?
O docu­men­tá­rio pra CNN foi algo ines­pe­rado. Nós está­va­mos tocando com o The Thermals em Viena e naquela noite a nossa turnê pela Ásia foi con­fir­mada. Estávamos exci­ta­dos e con­ver­sando sobre isso com todo mundo que qui­sesse ouvir. Para a minha sur­presa, eu des­co­bri mais tarde que uma das pes­soas para quem eu expres­sei a minha feli­ci­dade era da CNN. Eles entra­ram em con­tato conosco enquanto está­va­mos na Austrália e per­gun­ta­ram se que­ría­mos fil­mar a turnê. O inte­resse deles na gente foi cho­cante e meio estra­nho, mas tira­mos pro­veito da oferta deles, feliz­mente. Câmeras grá­tis! Além disso, Dan e eu gos­tá­va­mos de gra­var as nos­sas via­gens de diver­sas for­mas – foto­gra­fias, escre­vendo, na música, etc – então pare­cia que se encai­xava de forma natu­ral. Continuaremos a docu­men­tar a nossa turnê por todos os luga­res do mundo por­que nos sen­ti­mos tão sor­tu­dos de fazer o que faze­mos – tal­vez não com a CNN nova­mente, mas quem sabe? Nunca se sabe!

Por volta de 2001, todos os crí­ti­cos de música fala­vam na nova “inva­são do Rock vindo da Big Apple” lide­rada pelo Strokes. Agora, espe­ci­al­mente depois que o Arcade Fire ganhou o Grammy, a inva­são parece ser cana­dense. Como vocês lidam com isso? Vocês con­si­de­ram isso a moda musi­cal do momento
Os mem­bros do Arcade Fire são gran­des ami­gos nos­sos, então sen­ti­mos como se a vitó­ria deles fosse uma vitó­ria pes­soal. Talvez as pes­soas este­jam inte­res­sa­das em música nova­mente, e não no sta­tus de cele­bri­dade. Quanto à cena musi­cal cana­dense em geral, ela é muito, mas muito mis­tu­rada. Crystal Lakes não soa nada como Silver Mount Zion que não soa nada como Besnard Lakes, que soam nada como o Holy Fuck, que soa nada como Black Mountain, que soa nada como Grimes, mas é tudo música muito boa. Não me iden­ti­fico com o rótulo “Banda Canadense”, mas eu penso que a mai­o­ria dos cana­den­ses se sen­tem dessa forma. Somos um país de diver­sas ori­gens e esse sen­ti­mento do estran­geiro, meio ali­e­ní­gena, apa­rece na arte que faze­mos. Mas no fundo somos ape­nas um bando de estra­nhos ten­tando enten­der como viver bem.

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