REPÓRTER HIGH-TECH
Impecável na téc­nica, ima­gi­nado por Spielberg pode­ria ser qual­quer outro herói de aventura

Por Paulo Floro

Difícil jul­gar uma obra adap­tada com­pa­rando com os ori­gi­nais, sobre­tudo entre fil­mes e qua­dri­nhos, mas é impos­sí­vel não notar a dis­cre­pân­cia gri­tante entre os livros de Tintim escri­tos e dese­nha­dos por Hergé e o filme , diri­gido por , que chega aos cine­mas bra­si­lei­ros nesta semana. Com cenas escu­ras e ele­tri­zan­tes cenas de ação, o visual não remete às his­tó­rias clás­si­cas do per­so­na­gem e acaba cri­ando um novo herói, bem dife­rente do jor­na­lista franco-belga das HQs.

Esse decal­que feito por Spielberg pega de Tintim seus per­so­na­gens e parte de seu uni­verso, mas cla­ra­mente vemos aqui outro herói, que pode­ria estar pre­senta em qual­quer outro filme. É uma espé­cie de home­na­gem às aves­sas. Ao che­gar em Hollywood, Tintim foi tão modi­fi­cado que ficou quase irre­co­nhe­cí­vel. Isso não chega a ser um pro­blema, mas com cer­teza irá inco­mo­dar os fãs dos quadrinhos.

E com toda liber­dade per­mi­tida numa adap­ta­ção, Spielberg acaba fazendo uma home­na­gem, no final das con­tas, a si mesmo. Não fal­tam refe­rên­cias aos suces­sos de aven­tura, como Tubarão e Jurassic Park, e mais ainda à Caçadores da Arca Perdida. Tintim acaba sendo uma ver­são fran­zina e culta de Indiana Jones. Veterano nas pro­du­ções com muita ação e per­se­gui­ção, o dire­tor con­se­guiu mais um sucesso den­tro da sua fór­mula. E, se o obje­tivo era atin­gir esse público, ele con­se­guiu cum­prir o obje­tivo com êxito. Mas, com um mate­rial tão inte­res­sante nas mãos, o resul­tado final não deixa de ser decepcionante.

(Tintim) e Andy Serkis (Hadockk) usando a cap­tura de movi­men­tos (Divulgação)

O roteiro baseia-se em três livros, incluindo O Segredo do Licorne, que dá nome ao longa e foi recen­te­mente colo­cado nas livra­rias pela Companhia das Letras. Quem dá vida ao pro­ta­go­nista é Jamie Bell, reve­lado no filme Billie Elliot (2000). Já o vilão Hackham tem voz de Daniel Craig. Na trama, Tintim pre­cisa elu­ci­dar um mis­té­rio que levará a um enorme tesouro, sem­pre acom­pa­nhado do seu cão, Milu.

Feito em par­ce­ria com Peter Jackson, As Aventuras de Tintim vem sendo desen­vol­vido desde 2009 e faz parte do pro­jeto de Spielberg em se man­ter à frente nas téc­ni­cas mais moder­nas de tec­no­lo­gia apli­cada à block­bus­ters. Neste caso, o “motion cap­ture”, que capta os movi­men­tos dos ato­res para depois trans­for­mar em ani­ma­ção. Avatar, King Kong e Planeta dos Macacos — A Origem já uti­li­za­ram, mas tal­vez este Tintim seja o mais sofis­ti­cado. Até o ator Andy Serkis, pio­neiro no assunto foi cha­mado para dar vida ao Capitão Haddock. Mas, o resul­tado final é algo inós­pito e sem alma.

O defeito fica por conta do 3D. A téc­nica não cola­bora com o colo­rido do filme por dei­xar tudo muito escuro. Sem falar que é um tipo de diver­são exclu­dente: quem usa óculos sofre o des­con­forto de usar um apa­rato pesado para poder assis­tir a um filme. Mas, esse é um tipo de debate que nem diz tanto sobre esse longa de Spielberg.

O maior pro­blema é que falta a esse Tintim mais ima­gi­na­ção e menos téc­nica. No meio de tanto flo­reio, efei­tos espe­ci­ais, foto­gra­fia rea­lista e téc­ni­cas impe­cá­veis de ani­ma­ção e edi­ção ner­vosa, não seria mal encon­trar o bom e velho Tintim per­dido no meio disso tudo.

AS AVENTURAS DE TINTIM — O SEGREDO DO LICORNE
Steven Spielberg
[The Adventures Of Tintim, EUA, 2011]
Paramount Pictures

Nota: 7,1

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  • cláu­dio souza

    É fácil resol­ver. Os senho­res crí­ti­cos fazem uma soci­e­dade, pegam uma cãmara, alguns com­pu­ta­do­res e fazem sua ver­são fiel da obra. Ora, ora.

  • Manuel Silvestre

    Vocês são doi­dos, todo mundo falando (cri­ti­cando) que o Spielberg foi res­pei­toso demais HG, e você vem dizendo que o filme des­res­peita a série ani­mada e os qua­dri­nhos?!! Pelo Amor de Deus, vamos ler mais um pouco! Steven foi muito fiel a série, esse é o pro­blema, não você dizer que o filme não foi!

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