QUEM É MAIS SENTIMENTAL QUE EU?
con­vida público para se emo­ci­o­nar com his­tó­ria de cami­nho­neiro ten­tando acer­tar con­tas com o passado

Por Paulo Floro

No pri­meiro dia do Cine PE, no Centro de Convenções, em Olinda, o público con­fe­riu em pri­meira mão o novo tra­ba­lho de (de Dois Filhos de Francisco). Estrelado por , o tra­ba­lho aposta desde o iní­cio nos sen­ti­men­tos do teles­pec­ta­dor e no seu poten­cial de ir às lágri­mas. Os ingre­di­en­tes eram infa­lí­veis: um menino órfão em busca do pai que o aban­do­nou, um homem soli­tá­rio ator­men­tado pelo pas­sado e com muita sau­dade, hits de Roberto Carlos. Só o som atrapalhou.

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O filme teve a exi­bi­ção pre­ju­di­cada com uma falha téc­nica que fez o som sair meta­li­zado e com delay. Em deter­mi­na­dos momen­tos, era difí­cil enten­der o que se falava na tela. A pla­téia ainda ini­ciou um pro­testo tímido e uma pes­soa gri­tou: “ajeita o som!”. Não adi­an­tou. Uma ses­são extra será rea­li­zada com a sono­plas­tia cor­reta, segundo a organização.

Mas, isso não pare­ceu afe­tar a recep­ção do longa, que foi bas­tante aplau­dido ao final. Com estreia pre­vista para agosto em cir­cuito comer­cial, faz um road movie con­ven­ci­o­nal em que seu prin­ci­pal feito é ser fofo. Não há mati­zes nos per­so­na­gens e tudo é feito de forma pre­vi­sí­vel, dei­xando o espec­ta­dor na expec­ta­tiva pela pró­xima cena com emo­ção no limite. É um tipo de melo­drama que fun­ci­ona bem em uma pro­posta fast-food do gênero drama.

João Miguel inter­preta um cami­nho­neiro que caiu na estrada como forma de esque­cer um pas­sado trau­má­tico. Ele encon­tra um menino () cuja mãe mor­reu e agora tenta encon­trar o pai, que o aban­do­nou. Para isso, eles via­jam jun­tos até São Paulo, na velha nar­ra­tiva de auto­des­co­berta seguida de trans­for­ma­ção pes­soal. O elenco ainda traz Dira Paes (que não esteve pre­sente no Cine PE este ano), Ludmila Rosa, Denise Weinberg e Ângelo Antônio. Este é o ter­ceiro longa de Breno Silveira, que se ins­pi­rou nas can­ções de Roberto Carlos para guiar o projeto.

Seu maior feito neste tra­ba­lho foi apos­tar em João Miguel, ator que cai per­fei­ta­mente no papel do homem sim­ples cujos sen­ti­men­tos não se tra­du­zem em pala­vras. A foto­gra­fia de Lula Carvalho é outro des­ta­que do longa, com cores que ten­tam encon­trar beleza nas estradas.

Público chega ao Cine PE (Foto: Clara Gouvêia/CinePE)

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