UM DISPARO AQUI, OUTRO ALI
Battleship é baba­ção ao mili­ta­rismo falido dos EUA e tem roteiro vazio base­ado ape­nas nos efei­tos especiais

Por Paulo Floro

Existe um desejo forte em , que estreia em todo o Brasil nesta sexta, de enal­te­cer aquilo que fil­mes recen­tes ten­ta­ram pro­ble­ma­ti­zar: quando o assunto é defen­der o povo e ata­car o ini­migo, nin­guém é mais durão que os mili­ta­res ame­ri­ca­nos. E o ini­migo neste caso são ali­e­ní­ge­nas que inva­di­ram a Terra tra­mando — é claro! — uma ani­qui­la­ção do pla­neta. São tan­tos cli­chês de fil­mes de ação e ale­go­rias da supe­ri­o­ri­dade dos EUA que nem os efei­tos espe­ci­ais sal­vam o longa.

Veja o roteiro de cinema desta semana

Inspirado no famoso jogo Batalha Naval, da Hasbro, Battleship era uma das estreias mais aguar­da­das do ano entre os block­bus­ters. De fato, sua gran­di­o­si­dade impres­si­ona e agrada durante algum tempo. Os efei­tos espe­ci­ais con­se­gui­ram ideias inte­res­san­tes para entre­ter uma pla­teia já esco­lada em fil­mes cheios de piro­tec­nia, e o design dos ali­ens, naves e armas impres­si­o­nam o fã de ficção-científica. Mas, a his­tó­ria é tão vazia e óbvia que não exi­gem o mínimo de com­pro­me­ti­mento com que assiste.

A estrela é Taylor Kistch, ator reve­lado em John Carter. Rebelde, incon­se­quente, ele é alis­tado na Marinha pelo seu irmão, um mili­tar res­pon­sá­vel e cen­trado inter­pre­tado por (de True Blood). Tem ainda como brinde a can­tora Rihanna, que tem um papel total­mente inex­pres­sivo, assim como a mai­o­ria dos coad­ju­van­tes. Logo em seguida, entra uma mas­sa­gem de ego no mili­ta­rismo ame­ri­cano (atu­al­mente em crise com suas ope­ra­ções pelo mundo, diga-se). O roteiro enal­tece tanto que ganha até um tom moti­va­ci­o­nal perto do fim. Um antigo encou­ra­çado vai par­tir pra briga com a esqua­dra alien con­tando em sua mai­o­ria com mili­ta­res vete­ra­nos, ja idosos.

Mais do que sua ide­a­li­za­ção boba dos mili­ta­res ame­ri­ca­nos que cui­dam do mundo, Battleship inco­moda mais por ser vazio. É um típico fast-food, aquele san­duí­che sabor vento em que nos esque­ce­mos do sabor segun­dos depois de comer. Não há nada mais em sua trama do que ali­ens vs mari­nhei­ros ian­ques durante quase uma hora e meia. Sem falar nas inco­e­rên­cias, nas falhas da trama, que todo mundo na sala de cinema dá aquele des­conto para não com­pro­me­ter a diver­são (a real é que nin­guém teria chan­ces para os ali­ens). O longa pelo menos foi fiel ao jogo que se ins­pi­rou. Traz aquela mecâ­nica arras­tada: Um lado atira, o outro revida. Em uma jogada, um navio é der­ru­bado, na seguinte, erra-se o alvo. A dife­rença é que na telona o jogo não é tão diver­tido quanto no tabuleiro.

BATTLESHIP — A BATALHA DOS MARES
Peter Berg
[Battleship, EUA, 2012]
Universal

Nota: 3,8

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