sabor_

Obra acerta no tom crí­tico ao falar da rela­ção do Brasil com novelas

Por Fernando de Albuquerque
Da Revista O Grito!

1359041156capaA HQ , que chega às livra­rias pela Zarabatana Books, tem uma van­ta­gem bem clara que a dis­tin­gue: soube usar um traço carac­te­rís­tico da cul­tura bra­si­leira em um his­tó­ria de fic­ção muito bem con­tada. Mais que isso, aden­trou um campo pouco explo­rado pelas outras artes, que seguem igno­rando a TV como cená­rio ou mote para ficção.

A obra, escrita por , Hector Lima e dese­nhada por e , conta os bas­ti­do­res de uma novela de sucesso cha­mada Sabor Brasilis. Estamos no clí­max da trama e todo o Brasil quer saber: “quem matou Olívia Ribeiro”. A HQ então nos coloca do outro lado, mos­trando os bas­ti­do­res da pro­du­ção da novela. Os qua­tro per­so­na­gens prin­ci­pais, rotei­ris­tas, não sabem como desen­ro­lar o des­fe­cho do folhe­tim fal­tando ape­nas dois meses para o final.

Leia Mais: Sabor Brasilis
Autores da HQ comen­tam o pro­cesso de cri­a­ção do livro

Os auto­res con­se­gui­ram dar espaço a cada um dos per­so­na­gens, mos­trar suas vidas pes­so­ais, e como tudo isso acaba inter­fe­rindo na trama da novela. Quem for mais nove­leiro, vai encon­trar com faci­li­dade refe­rên­cias a auto­res con­sa­gra­dos, como Aguinaldo Silva, a briga entre Globo e Record e uso de mace­tes dra­má­ti­cos usa­dos em mui­tas pro­du­ções. Já que quem não é habi­tu­ado a esse uni­verso vai ficar com uma his­tó­ria de intri­gas, briga de egos e um jogo de influên­cia e poder.

Ainda que alguns per­so­na­gens durem pouco e sumam quando cri­a­mos inti­mi­dade (caso do jovem gay Matheus e Helena), há um embate inte­res­sante entre o autor prin­ci­pal Antonio Callado e o assis­tente Lauro Henrique, ami­gos e rivais. Um caso de ami­zade, frus­tra­ções e favo­res tro­ca­dos que deve exis­tir aos mon­tes no meio tele­vi­sivo. Outro ponto em que o roteiro acerta é tra­tar a rela­ção do bra­si­leiro com a novela de forma crí­tica, e tam­bém e tam­bém expor os vícios e falta de escrú­pu­los que existe nesse meio.

sabor1

A arte da HQ optou por aban­do­nar o tra­di­ci­o­nal preto e branco por uma paleta de três cores, o que demora um pouco para se acos­tu­mar (lem­brei de Asterios Polyp, mas aqui a arte não foi tra­ba­lhada em cima das cores, mas o con­trá­rio). Mas, pas­sado o estra­nha­mento, damos de cara com uma nar­ra­tiva ágil, que soube apro­vei­tar a dife­rença de estilo entre os dois dese­nhis­tas. Fora que — por ser um tanto raro — ainda existe como “extra” aquele pra­zer em ler uma obra cujo cená­rio é conhe­cido por mui­tos bra­si­lei­ros, no caso São Paulo. O ano come­çou bem para as HQs nacionais.

SABOR BRASILIS
De Hector Lima, Pablo Casado (texto) e Felipe Cunha e George Schall (arte)
Editora: Zarabatana Books, 2013
128 pági­nas em cores
Preço: R$ 45

Nota: 8,5

Curta nossa fan­page no Facebook! Siga tam­bém a Revista O Grito! no Twitter

_