MÚSICA É MÚSICA
Mais uma vez unimos faixas brasileiras e estrangeiras no mesmo balaio. Rap de Emicida, Kanye West, novidades como Lorde e Sky Ferreira e surpresas como Selton, Juvenil Silva estão entre as músicas mais representativas de 2013

Pela Equipe da Revista O Grito!

Veja nosso especial de melhores de 2013
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MAC MILLER feat. AB-SOUL – “Matches

Um dos discos mais subestimados de 2013, Watching Movies With The Sound Off, de Mac Miller, traz um hip hop longe dos grandes centros tradicionais do gênero (LA e NY, para ficar claro). “Matches” tem uma letra autobiográfica sobre a vingança do adolescente loser que retorna anos depois, já como gangsta. É hip hop de pista com participação de um dos nomes mais legais do rap indie, Ab-soul.

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MY BLOODY VALENTINE – “only tomorrow”

My Bloody Valentine retornou 22 anos depois já sabendo que o jogo estaria ganho. Verdadeira lenda do indie rock com apenas dois discos lançados, este novo trabalho apenas continua o trabalho da banda, que nada mais fez do que reforçar sua assinatura bem particular. E como estão afiados. “only tomorrow” é uma faixa que deixa o ouvinte suspenso, que sempre foi a intenção do rock cheio de camadas e distorções do grupo.

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JANELLE MONÁE feat. Erykah Badu – “Q.U.E.E.N.”

A cantora Janelle Monáe se uniu com uma das lendas modernas do R&B, Erykah Badu em mais uma incursão conceitual para seu novo álbum. O resultado foi um hit dançante que se aproveita das batidas sexy já conhecidas nas faixas de Badu, mas que adiciona o jeitão nervoso e tanto esquisito de Monáe, que sempre se diferenciou dentro do gênero por apostar em uma estética e sonoridade longe do lugar-comum.

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APANHADOR SÓ – “Mordido”

Poucas bandas brasileiras conseguem equilibrar tão bem o experimentalismo com coesão e profundidade, clareza. “Mordido” foge dos artifícios fáceis como refrão pegajoso e batidas cheias de cadência, mas ainda assim soa incrivelmente pop. Faixa com uma base desconstruída, com guitarras pesadas e distorção, é uma das mais interessantes do novo disco, Antes Que Tu Conte Outra. Corajosos.

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PHOSPHORESCENT – “Song For Zula”

Matthew Houck lançou um dos trabalhos mais elogiados no indie folk este ano e “Song For Zula” é uma das faixas mais emotivas do álbum. Ela vai numa vibe bem sofrida, falando de um fim de relacionamento, mas ganha um espírito mais alentador conforme a faixa se aproxima do fim.

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SÃO PAULO UNDERGROUND – “The Love I Feel For You Is More Real Than Ever

O projeto de Rob Mazurek, Maurício Takara e Guilherme Granado pode parece de difícil digestão à primeira vista. Mas o som cheio de desconstruções do trio recompensa o ouvinte com uma proposta de imersão, que até chega fácil. É difícil ter essa empatia com o trabalho ouvindo uma música solta, mas “The Love I Feel For You Is More Real Than Ever” é uma ótima pedida para conhecer o som deles. E é uma música de amor rasgada.

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JOHNNY HOOKER – “Volta”

Parte da trilha sonora do filme Tatuagem, de Hilton Lacerda, “Volta” é um brega sobre um amor perdido. Um amor gay, cheio de referências ao submundo do Recife, com um tom de uma bela gafieira e que ganhou um ótimo clipe estrelado por Hooker e Irandhir Santos. Hooker é um dos nomes mais interessantes hoje a se utilizar da força poética do underground recifense, misturado com punk rock.

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DEAFHEAVEN – “Dream House

O Deafheaven é uma das bandas que melhor uniu o rock pesado, com os dois pés fincados no heavy metal, e o post-rock. “Dream House” com toda sua distorção e vocais berrados, é uma das faixas mais tristes de 2013, melancólica a seu modo e por isso mesmo, única. Um misto de sentimentos de raiva e tristeza que a banda soube externar como poucas.

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THE NATIONAL – “Pink Rabbits”

O The National burilou ainda mais seu som com entonação pomposa e entregou uma faixa delicada, cantada baixinho, mas que conserva a melancolia que a banda sempre se apegou. “Pink RaBbits” é uma das melhores músicas do mais recente disco do grupo.

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FKA TWIGS – “Water Me”

A britânica FKA Twigs é um dos nomes mais peculiares de 2013, um desses artistas dispostos a buscar algo no som experimental que aponta para paisagens tenebrosas – mesmo campo de Burial, SBTRKT, John Talbot, entre outros. “Water Me” é quieta, com uma batida nervosa e um vocal meio tenebroso.

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EDI ROCK com Sandrão e Nego Jam – “Você Não Pode Se Enganar

Enquanto o Racionais MCs ainda finaliza seu aguardado novo disco, os integrantes seguem prolíficos em seus trabalhos solo. Edi Rock foi o que mais se aproximou do mainstream nesta faixa dançante que faz parte do disco Contra Nós Ninguém Será.

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CAFÉ PRETO – “Dandara

O quão inusitado seria Cannibal, líder da lendária banda punk-rock recifense Devotos fazer um disco de música eletrônica com inspirações dub? O resultado foi o ótimo projeto Café Preto, feito em parceria com o DJ e produtor Bruno Pedrosa e o também músico PI-R. “Dandara” reforça a veia eclética de Cannibal (que este ano também soltou um disco de afrobeat!) e também a diversidade da cena musical do Recife.

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ARCTIC MONKEYS – “Do I Wanna Know?”

Os ingleses do Arctic Monkeys conseguiram convencer todo mundo que seriam capazes de recuperar a relevância que tinham no início dos anos 2000. A saída encontrada foi a melhor possível: uma tentativa de se renovar. “Do I Wanna Know” é a melhor prova de como conseguiram sair do rock empancado que muitos colegas da sua geração ainda praticam sem mexer muito no seu DNA.

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DEERHUNTER – “Monomania”

O Deerhunter não conseguiu superar seu último trabalho com o disco lançado este ano, mas a faixa-título “Monomania” com seu longo trecho de distorção e diversas evoluções ainda é um dos melhores exemplos do rock desta década.

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DORGAS – “Hortência

Tiração de onda ou genialidade incompreendida, o que importa é que “Hortência”, dos cariocas do Dorgas é uma das faixas mais viciantes de 2013, com um vocal insano no qual se entende pouco da letra (o “eu como sua mãe” é fácil de identificar) e uma batida experimental, mas cheia de ritmo.

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KURT VILE – “Walkin On A Pretty Day

Kurt Vile é hoje um dos melhores contadores de história do indie rock. Só ele consegue, como poucos, conduzir o ouvinte por essa faixa de abertura de quase 10 minutos sem nenhuma dificuldade. Os rifes de guitarra e o tom intimista de sua voz fazem dessa faixa uma das mais “fáceis” de se envolver. E vale prestar atenção na letra, que basicamente diz um monte de coisas que queremos ouvir (mesmo que não seja verdade).

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LORDE – “Royals

A faixa anti-ostentação “Royals” da neozelandesa Lorde é a prova de como o pop comercial clama por uma renovação e artistas dispostos a arriscar. Pop chiclete, com um vocal cheio de personalidade e melodia arrastada que gruda na mente por muito tempo. Sem tanta ambição de fazer um libelo contra a futilidade que impera em seu meio, Lorde quis apenas mostrar que se pode fugir da mesmice e mesmo assim ir parar no topo das paradas.

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SLIM RIMOGRAFIA – “Conduta de Risco

Slim Rimografia, nome respeitado no hip hop paulista, fez um belo dever de casa ao beber na fonte dos bailes black nessa faixa cheia de ginga e letra que diz verdades, mas sem muita veia pulando de raiva. Tudo numa vibe suave.

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JUVENIL SILVA – “Desapego”

Nome principal de uma nova geração de músicos pernambucanos, Juvenil Silva se destacou por unir psicodelia com blues e rockabilly, tudo sem soar pretensioso. “Desapego” é a faixa-título de sua estreia e também um hit desse momento de renovação pelo qual vive a cena indie do Estado.

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FÁBRICA – “Mais Um

Composta por Emygdio (baixo, voz, violão, guitarra), acompanhado por Sávio de Queiroz (também co-produtor) na guitarra, Gabriel Feitosa na bateria e o noise de Cadu Tenório, “Mais Um” é uma das faixas mais intrigantes de 2013 no indie nacional. Mistura de rock pesado com melodias singelas, é uma música que funciona como um prisma e que desperta sensações diferentes dependendo de quem ouve.

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CIARA – “Body Party

Impossível passar incólume ao hit “Body Party”, da diva do R&B Ciara. A faixa traz diversos elementos conhecidos, para não dizer batidos, do gênero, mas a entrega da cantora em cada verso da música é seu maior diferencial. Além disso a faixa é o melhor exemplo de sofisticação na música pop esse ano: simples, direta, e no caso de Ciara, incrivelmente sexy.

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DAVID BOWIE – “The Stars (Are Out Tonight)

David Bowie retornou sem nada disruptivo como já fez outras vezes. Mas trouxe um disco em que explora seu lado mais roqueiro. Isso no entanto não impediu o cantor de embutir alguma ousadia estética, como é o caso dessa faixa em que discute o próprio estrelato e questiona seu lugar hoje no mundo pop. Não chega aos pés da maioria dos seus hits, mas ainda é um ótimo Bowie para se ouvir.

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JAMES BLAKE – “Retrograde

Principal single do novo disco de James Blake, Overgrown, “Retrograde” mostra todo o talento de Blake como um crooner soul interessado em explorar o lado mais atormentado do pop. A faixa fala de solidão e traz uma espécie de pedido de reconciliação. Tudo com a produção do cantor, sempre marcada por texturas meio fúnebre e arranjos meio fragmentados.

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KANYE WEST – “Blood On The Leaves

Um sampler de Nina Simone serve para dar ainda mais tensão nesta faixa do novo disco de Kanye West, Yeezus. “Blood On The Leaves” mostra o novo jeito de Kanye de fazer uma música de amor, agora com uma batida mais pesada, com influência de industrial, batidas secas e pouco espaço para orquestrações e firulas.

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JUSTIN TIMBERLAKE – “Mirrors

A declaração de Justin Timberlake para a nova noiva gerou um hino moderno com tom meio épico. A faixa de oito minutos relaciona o relacionamento a uma busca interior e traz o cantor fazendo diversas reflexões ao longo da letra. Musicalmente é um trabalho ousado, que desafia os limites impostos pela música pop apoiada pela rigidez do refrão-virada-refrão ao propor diversas viradas e um final inusitado que mais parece outra faixa. Pena que a maioria das rádios cortaram a faixa pela metade para poder tocar.

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COMBO X com Majê Molê – “Ciranda

Integrante da Nação Zumbi, Gilmar Bola 8 fez em seu projeto solo um rico balaio de influências que relacionam o flerte da cultura popular típico de sua banda original com um lado mais pop e universal. “Ciranda” é uma ode ao ritmo e remete aos primórdios do mangue, ainda com Chico Science. Atualizado aos dia de hoje, a proposta do groove pernambucano ganhou texturas mais eletrônicas e uma produção sofisticada dos cariocas BiD e Kassin.

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CHANCE THE RAPPER – “Chain Smoker

“Chain Smoker” é o cartão de visitas de Chance The Rapper, uma das revelações do hip hop este ano, que chamou atenção com a mixtape Acid Rap. Na música ele se compara com outros músicos, expõe suas deficiências, apresenta suas intenções musicais e convida o ouvinte a curtir seu som.

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RHYE – “Open”

O duo de R&B Rhye desafiou os limites de gênero da música pop ao trazer uma música etérea com um vocal que confunde o ouvinte: é um homem ou uma mulher? O cantor Milosh surpreendeu com sua voz de contralto que ainda hoje intriga quem o escuta pela primeira vez e fez um álbum que trabalha bem a androginia. “Open” conta com a produção do multi-instrumentista Robin Braun, a outra metade da dupla, para criar uma faixa sexualmente confusa.

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DJ DOLORES – “Polka do Cu

DJ Dolores é um dos nomes mais importantes da música eletrônica brasileira, isso já é sabido. Mas ele é também uma das peças mais relevantes para a engrenagem do cinema nacional recente por causa das trilhas sonoras que faz para longas como O Som Ao Redor. “Polka do Cu” está presente em Tatuagem, de Hilton Lacerda e trata com deboche da nossa identidade nacional ao mesmo tempo em que lança questões filosóficas ao relacionar a democracia com o cu, que todo mundo tem.

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FOXYGEN – “San Francisco

“Eu deixei meu amor em São Francisco. Tudo bem, eu estava entediado mesmo”. Legítima música de pé na bunda, “San Francisco” une lo-fi com psicodelia e faz parte do ótimo trabalho do Foxygen lançado este ano, We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic.

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SAVAGES“She Will”

Com muita influência do post-punk inglês, o Savages, banda formada apenas por mulheres, chamou atenção em 2013 com um apelo visual e atitude que atingiu direto uma geração ávida por novos ídolos. “She Will” é dramática e teatral e com o vocal de Fay Milton oscilando do tédio à raiva em questão de minutos.

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CHVRCHES – “The Mother We Share”

O grupo de synthpop escocês CHVRCHES reuniu boas letras e melodias com jeitão singelo, mas que escondem delicadas viradas de tempo (não se deixe enganar pela fofurice do grupo). “The Mother We Share” traz outro grande trunfo da banda, a voz melodiosa da vocalista Lauren Mayberry.

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THE KNIFE – “Full Of Fire”

Formado pelos irmãos suecos Karin Dreijer Andersson e Olof Dreijer em 1999, o The Knife ficou conhecido pelo som experimental. Neste novo trabalho, eles apostam nas discussões de gênero como base conceitual do disco. “Full Of Fire” é um batidão que dialoga sobre sexualidade gay e também feminismo. Vale a pena ver o clipe dirigido por Marit Östberg, onde tudo isso é mostrado em forma de imagens.

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SKY FERREIRA – “You’re Not The One”

Um dos principais singles do ótimo disco de estreia de Sky Ferreira, “You’re Not The One” mostra a desenvoltura da moça em passear pelo rock visceral de nomes como PJ Harvey e o pop de forte apelo sexual e comercial de colegas de sua geração.

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HAIM – “The Wire”

Outra banda formada por meninas a chamar atenção em 2013, o Haim soube fazer canções com inspirações de rock de arena (solos, palmas, refrão grudento), ao mesmo tempo em que abusavam da beleza e feminilidade. “The Wire” mostra o quanto elas conseguem emular o glamour de divas do cinema e da moda, ao mesmo tempo em que posam como garotas duronas.

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SELTON – “Ghost Song”

Formado por brasileiros na Espanha, a banda conseguiu reconhecimento primeiro na Europa, onde já lançou dois discos cantando em inglês, espanhol e italiano. O terceiro trabalho, Saudade, marcado pelo banzo das terras brasileiras saiu no primeiro semestre e traz faixas como essa “Ghost Song”, que promove intercâmbio de ritmos regionais como baião com medalhões do rock tipo Beach Boys. É um rock brasileiro buscando caminhos diferentes e isso é ótimo.

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DRAKE – “Starting From The Bottom”

Drake marcou seu retorno em 2013 com esse single quase minimalista na forma, mas que parece ser seu libelo contra todos os seus desafetos colecionados até aqui. A letra é a quintessência do hip hop indie que luta para se firmar dentro da indústria com letras que falam de injustiça social, mas que não se rogam de usar a ostentação e a violência como autoafirmação.

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VANGUART – “Estive”

Enquanto todos ainda discutem que o Vanguart perdeu a mão em um estilo cultivado por eles dentro da música pop, a banda se mostra como uma das mais afiadas na construção de hits nacionais como esse “Estive”. Se eles abandonaram o lado mais duro do folk, com letras amarguradas e melodias melancólicas, a nova fase foi compensada por uma proposta mais singela e, por que não, feliz.

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MARCELO JENECI – “De Graça”

Um tecladinho apressado, uma batida estranha a Marcelo Jeneci. É nesse tom de estranhamento que se desenvolve parte do novo disco do músico, lançado este ano. “De Graça” é a mostra de que se pode arriscar – e acertar – depois de um trabalho consagrado. A faixa conclama uma dança involuntária enquanto canta o mantra “o melhor da vida é de graça”.

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VAMPIRE WEEKEND – “Step”

Uma das faixas que melhor definem o novo trabalho do Vampire Weekend, Modern Vampires Of The City, que traz temas como religião, velhice e a ansiedade típica dos dias de hoje. A música faz referência a uma garota citada no disco Contra, um dos sucessos da banda. “Step” tira onda com o envelhecimento, e contrastando com o tom melancólico da música, traz uma letra bem-humorada sobre como é difícil amadurecer.

MIA

10
M.I.A. – “Double Bubble Trouble”

A rapper anglocingalesa M.I.A. volta a cantar a dura vida dos imigrantes nesta faixa com forte inspiração ragga. Parte de um dos seus discos mais emotivos, a música joga na cara do Ocidente – sobretudo dos EUA – o forte preconceito com estrangeiros e a paranóia que beira a xenofobia. A música ainda termina com um batidão funk, que remete à fase mais pesada da cantora.

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DISCLOSURE feat. Aluna George – “White Noise”

Hit mais dançante do ano, a dupla inglesa Disclosure se uniu com outra dupla promissora, o AlunaGeorge, para fazer uma das faixas mais representativas da dance music em muitos anos. Relacionando o fim de um relacionamento com a propagação do som, a faixa é ideal para catarse em pistas de dança. Os jovens irmãos Guy e Howard Lawrence, recém saídos da adolescência (têm 19 e 20 anos), trouxeram frescor para um gênero que carecia de renovação.

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EARL SWEATSHIRT – “Chum”

Com uma base tenebrosa e clima tenso, o rapper Earl Sweatshirt (parte do The Odd Future ao lado de Tyler The Creator e Frank Ocean) usou a faixa “Chum” para falar do abandono de seu pai e como isso ainda afeta sua vida. Com apenas 19 anos, ele é um dos principais cronistas do lado mais barra-pesada dos subúrbios americanos. Seu talento precoce vem ajudando a renovar a gama de temas do rap independente.

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RODRIGO AMARANTE – “Tardei”

“Tardei” é a prova de como uma ruptura pode resultar em boa música. Indo pelo caminho mais difícil para fugir das paisagens tranquilas criadas pelo seu antigo grupo, o Los Hermanos, o cantor Rodrigo Amarante decidiu parir um trabalho minimalista, obscuro, melancólico e pesado. A faixa é uma das mais representativas – e conhecidas – do disco e que fica ainda melhor quando ouvida dentro do contexto do álbum, Cavalo, lançado este ano.

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06
AUTRE NE VEUT – “Play By Play”

Faixa de abertura de Anxiety, “Play By Play” é a R&B pós-moderna que se mascara de música pop para conquistar ouvintes. Trabalho ousado e cheio de pretensão, a música traz uma orquestração e teatralidade para discutir sobre o mal estar dos dias atuais. Nervosa e dançante conta ainda com um vocal falsetto que revela um surpreendente final. Vale a pena também ver o clipe, uma videoarte que resume a proposta estética do artista.

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ARCADE FIRE – “Reflektor”

O Arcade Fire discutiu o amor nos tempos de Facebook e demais redes sociais neste single “Reflektor”, que é também a faixa-título de seu mais novo trabalho. “Estamos tão conectados, mas somos mesmo amigos?”, canta Win Butler. A letra pode ir mais longe, ao gosto de quem se dispor a interpretá-la — estamos isolados, presos em um prisma de luz, nas telas dos dispositivos. A música, assim como todo o disco, ainda faz referência ao mito de Orfeu e Eurídice e até ao filósofo Kierkegaard. Tudo isso embalado pelo rock grandioso e cheio de orquestração/afetação que sempre marcou o grupo, agora um pouquinho mais dançante. Para completar, a música traz o backing vocal de luxo, David Bowie.

daftpunk

04
DAFT PUNK feat. NILE RODGERS & PHARRELL – “Get Lucky”

A produção de Nile Rodgers, do Chic e Pharrell fizeram de “Get Lucky” a faixa mais improvável para o Daft Punk. E foi esse groove dos robôs que garantiu a surpresa necessária para tornar a música um sucesso. Remetendo a uma discoteca dos anos 1970, a dupla francesa entregou um hit instantâneo, com cadência incrivelmente sensual, mas com detalhes que trazem sua assinatura, como a voz robótica. Em tempos em que tudo é constantemente, o Daft Punk recriou a disco music sem deixar a originalidade de lado.

passo torto

03
PASSO TORTO – “Passarinho Esquisito”

Separados, Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral, os nomes que fazem o Passo Torto já são responsáveis por trazer renovação na música brasileira – tanto nos temas quanto na sonoridade, além do trabalho que fazem como produtores. O Passo Torto é um experimento coletivo de que tem ainda mais ambição. “Passarinho Esquisito” traz a guitarra para o samba em uma letra nada cândida. Sujeira que incomoda a MPB, mas que gera algo de fato novo para o gênero.

kanye

02
KANYE WEST feat. Frank Ocean – “New Slaves”

Em seus versos mais politizados até aqui, Kanye West denuncia o racismo nos EUA, o tratamento reservado aos negros, sejam pobres ou podres de rico como o próprio Kanye. Fala dos novos escravos, que anos após a dominação que sofreram ainda sentem na pele o sentimento de uma sociedade que os recebe com ressalvas. É uma faixa raivosa, pesada, diferente de tudo o que o rapper fez até então. Faz parte do mais experimental trabalho do músico, recheado com batidas industriais, produção minimalista e muito, muito peso.

emicida

01
EMICIDA – “Crisântemo”

Emicida chamou sua mãe, Dona Jacira, para falar da história de seu pai, Miguel, morto durante uma briga quando o cantor tinha seis anos. Ela aparece no final da faixa, narrando o caso original em um dos momentos mais contundentes do rap nacional, superado apenas talvez por “Diário de Um Detento”, clássico dos Racionais MCs.

Era dia de Cosme e Damião, conta Jacira, que diz que previu a desgraça ao ouvir o aviso no terreiro que algo aconteceu com seu marido. Ela narra de maneira poética, mas muito simples e direta, sua compreensão da dor dos filhos, que perderam o pai muito cedo.

Cantando “a vida é só um detalhe”, Emicida usa seu carisma para fazer jus à tradição do rap nacional, que conquistou público ao narrar problemas típicos dos mais pobres, o humor das periferias, o preconceito contra negros. Se hoje o rapper circula com facilidade no mainstream, sua veia poética ainda continua conectada com aquele início humilde.

“Crisântemo” também aponta para um pulo do gato longe das obviedades do gênero, o que coloca Emicida um degrau acima da evolução do hip hop hoje. Uma faixa bela e triste no conteúdo e cheia de possibilidades – atente para o sambinha triste que embala a história de Dona Jacira. “O silêncio de Miguelzinho cala cada vez mais fundo no peito da gente”. Difícil não se emocionar. E para quem essa realidade é algo próximo, a música bate ainda mais forte.

Comentários

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  • Foi a pior lista que eu j´vi! Que absurdo ROAR não estar aí!!!!!!!

    Gabriela dos Santoos 15.03.2014 11h50