Revista O Grito!

Primeira imagem do novo trabalho de Luciano Salles

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O autor do ótimo O Quarto Vivente (leia resenha aqui) e também da HQzine Luzcia, A Dona do Boteco, anuncia para novembro L’Amour 12 oz.

Diz a sinopse: “Ao abrir da contagem feita pelo juiz, os dez segundos são uma eternidade ensanguentada. Quando os olhares se encontram, as horas adquirem um comportamento volátil. É como um poderoso vírus mutante. De qualquer forma, o tempo castiga os eleitos que amam. É dessa maneira que L’Amour: 12 oz se conduz dentro das histórias de quatro personagens. O velho pugilista (M) nos orienta em tudo, do início ao fim”.

Luciano tem ilustrações publicadas nas coletâneas Ícones dos Quadrinhos e Mônica(s), e desenhou uma história escrita por Raphael Fernandes na independente Quatro Estações.

Quem quiser acompanhar o desenvolvimento de L’Amour 12 oz pode visitar o blog do autor.

Esquadrão Suicida em “Arrow”

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Atualmente em hiato nos Estados Unidos – os episódios inéditos voltam a ser exibidos na próxima semana (26) –, a série televisiva do Arqueiro Verde vem com novidades.

O site Comic Book Resources divulgou a estreia do Esquadrão Suicida no programa no episódio do dia 19 de março (Suicide Squad). A equipe de vilões será comandada por Amanda Waller (num visual semelhante ao da linha Novos 52 dos quadrinhos), Pistoleiro, Tigre de Bronze e Granada – todos já vistos em Arrow.

A surpresa fica por conta de Diggle, atual parceiro do Arqueiro, e Lyla Michaels, sua ex-esposa. A relação de Lyla com Amanda e a agência governamental A.R.GU.S. foi mostrada no episódio Keep Your Enemies Closer, da segunda temporada.

Segundo o produtor-executivo Andrew Kreisberg, Amanda recruta Diggle e Lyla para uma missão, e diz que ele vai precisar de um time: o Esquadrão Suicida.

Na TV, a equipe segue a mesma orientação dos quadrinhos: é formada por vilões condenados que aceitam trabalhar secretamente para o governo americano em troca de redução da pena.

No Brasil, a segunda temporada de Arrow não estreou e nem tem previsão.

O Jogo do Exterminador: Obra-prima da Ficção Científica

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O livro de Orson Scott Card foi publicado originalmente em 1985 e voltou a ganhar notoriedade com a recente adaptação para o cinema – uma produção milionária estrelada por Harrison Ford e Ben Kingsley.

O Jogo do Exterminador, relançado neste ano pela Devir, acompanha a formação de Ender Wiggin — uma criança superdotada entre tantas outras — no líder que a Humanidade espera para evitar a terceira invasão de uma raça alienígena apelidada de “abelhudos”.

Seus treinadores, em especial o Coronel Graff, vão não só aperfeiçoar seu talento nato para a estratégia e a guerra, mas também desenvolver seu potencial para a bondade, a morte, a autopreservação e a obsessão pela vitória. Para isso, Ender é isolado, humilhado, torturado, tem a vida colocada em risco.

Como uma boa ficção científica, o livro não se atém apenas aos aspectos tecnológicos – viagens espaciais, raças alienígenas, estações futuristas –, mas também ao aspecto humano, à psicologia do homem do futuro. Apesar da narração em terceira pessoa, o leitor está constantemente na cabeça de Ender e conhece suas motivações, dúvidas, raciocínio lógico.

O autor não se esqueceu geopolítica. Elaborou uma ordem mundial de nações unidas sob a Hegemonia após a primeira invasão. Manteve uma nação dentro de outra, chamada de Segundo Pacto de Varsóvia, liderada pelos russos – na época que o livro foi escrito ainda vigorava a Guerra Fria.

Como escritor e mestre em Língua Inglesa, Card dá grande importância à palavra. Muito antes do advento das redes sociais, demonstra como a escrita pode influenciar pessoas, garantir notoriedade, conquistar o poder e até criar uma nova religião.

Por todos estes atributos, O Jogo do Exterminador é uma obra-prima da ficção científica, premiada em vários países e um dos melhores livros do gênero que você lerá na vida.

Obscurantismo

No início do ano passado, Card e sua obra ganharam notoriedade, mas por vias tortas.

Contratado pela DC Comics para escrever o primeiro capítulo de uma série de quadrinhos digitais do Superman, passou a sofrer pressão do grupo de ativistas LGBT All-Out, que em petição online pedia o fim do seu contrato com a editora.

Card é diretor de um grupo que combate a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos.

Num primeiro momento, a DC saiu em sua defesa, dizendo em nota oficial que respeita a liberdade de expressão e que a opinião de seus contratados não reflete a da empresa.

Mas quando o artista Chris Sprouse abandonou o barco por “não se sentir confortável” com a repercussão, a DC aproveitou para engavetar o projeto.

Para ler a história completa, clique aqui

Por conta da intolerância com a opinião contrária, justamente de um grupo que prega a tolerância, perdemos todos.

Considerando a abordagem científica e humanista que Card imprime a sua ficção, era de se esperar que fizesse um excelente trabalho com o Superman.

Filme

A versão cinematográfica de O Jogo do Exterminador (Ender’s Game) se esforça para fazer uma adaptação honesta. Há vários cortes, saltos, atalhos e mudanças esperados nesse tipo de transição do livro para o cinema.

Apesar do esforço, o resultado é desanimador. Se por um lado é interessante ver a reprodução cheia de efeitos especiais da Sala de Combate e das batalhas especiais, por outro o filme mal arranha a superfície da obscura personalidade de Ender, sua conflituosa relação com a família e as maquinações do Coronel Graff. Para tanto, precisaria, no mínimo, o dobro dos seus 114 minutos.

Sem conseguir cativar os leitores da obra original nem conquistar os não-leitores, O Jogo do Exterminador amargou uma bilheteria mundial de US$ 112 milhões, pouco mais que os US$ milhões investidos na produção.

Em tempo: outro grupo, o Geeks Out, propôs boicote ao filme para atingir Card.

Gal Editora lança segundo volume de “Lôcas”

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Conforme anunciado pelo Papo de Quadrinho no início do ano, a editora acaba de fazer chegar às lojas especializadas, livrarias e sites de compras Lôcas: As Mulheres Perdidas e Outras Histórias, de Jaime Hernandez.

Nesta sequência, a mecânica Maggie é dada como morta ao se envolver no perigoso conflito de uma ilha que vive sob opressão. Agora, Hopey, Daffy, Izzy e Penny Century precisam a aprender como levar a vida sem sua melhor amiga. O encadernado apresenta também o passado das personagens e o encontro final entre Maggie e Rand Race.

A série Love and Rockets é considerada uma das mais importantes dos quadrinhos independentes, e influenciou toda uma geração de autores.

Lôcas: As Mulheres Perdidas e Outras Histórias, segundo volume da série, tem formato 21 x 26 cm, 136 páginas, capa colorida e miolo preto e branco, e preço de R$ 42.

“Life, In Pictures”: autobiografia de um mestre dos quadrinhos

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Num tempo em que qualquer obra mais caprichada é considerada “definitiva”, eis que surge uma que de fato merece o adjetivo.

A editora Criativo acaba de lançar Life, In Pictures (Vida, Em Quadrinhos), antologia de histórias do mestre Will Eisner.

Pelo caráter pessoal das histórias, o livro chega perto do que se pode chamar de autobiografia em quadrinhos. Por meio de personagens fictícios, Eisner revisita o nascimento da indústria norte-americana de comics, a relação com familiares, conhecidos, chefes e colegas de profissão, o cotidiano das comunidades judaicas de Nova York.

O livro, de peso – formato 21 x 28 cm, 500 páginas –, reúne cinco HQs: A Sunset in Sunshine City, O Sonhador, Ao Coração da Tempestade, O Nome do Jogo e The Day I Became a Professional.

Algumas delas já foram publicadas no Brasil, mas nunca haviam sido reunidas num único volume, de modo a se ligarem, interagirem e formarem um mosaico mais ou menos completo de um profissional com sete décadas de atuação.

Como extras, há um texto introdutório do quadrinhista Scott McCloud, notas do editor original Denis Kitchen e um conteúdo exclusivo da edição nacional: o relato do estudioso dos quadrinhos Álvaro de Moya sobre sua relação de amizade com Eisner.

Life, In Pictures é item obrigatório em qualquer coleção e vale quanto pesa: R$ 99. Pode ser encontrado apenas em pontos de venda selecionados: Comix, Art Camargo e Saraiva.

Vale o investimento: “Apocalipse Zumbi 2 – Inferno na Terra”

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A segunda parte da trilogia criada por Alexandre Callari dá sequência aos eventos que abalaram as estruturas físicas e emocionais dos sobreviventes do quartel Ctesifonte.

Manes, mais afetado que todos os demais, tenta substituir a dor e a culpa por uma utopia: reunir os poucos grupos organizados da Humanidade e retomar o planeta dos contaminados.

Mais uma vez, o líder abandona seus protegidos para seguir em missão suicida – agora rumo à Catedral, a maior e mais temida comunidade humana. Mesmo sem dizer o nome, fica claro que se trata do Santuário de Aparecida, no interior de São Paulo.

Ao mesmo tempo, um obscuro plano de vingança, engendrado por um dos sobreviventes mais cruéis do holocausto humano, é colocado em curso. Quando o Quartel fica às escuras, mais dois batedores valorosos expõem-se ao perigo para investigar as causas do blackout.

A partir deste ponto, a história se desenvolve a partir de três focos: a viagem de Manes, Espartano e Júnior rumo à Catedral; o trajeto curto e perigosíssimo percorrido por Cortez e Zenóbia até a subestação elétrica; e o ataque ao Ctesifonte.

Somado a isso, o autor mantém os flashbacks que ampliam a compreensão sobre os personagens já conhecidos e oferecem um background dos novos.

Ao intercalar os três núcleos com acontecimentos passados, o livro posterga o clímax e prende a atenção do leitor desde as primeiras páginas.

O domínio da narrativa é um dos méritos de Callari como escritor. Ele faz com que sua trama caminhe num ritmo que nem entrega demais nem deixa a leitura entediante.

Esta técnica funciona melhor nos dois primeiros terços do livro. Na parte final, quando aumenta a expectativa pela conclusão, os flashbacks ficam mais longos e quebram um pouco o ritmo.

Para piorar, o aguardado clímax não vem. Diferentemente do primeiro volume, este segundo não fecha o arco. Apesar de frustrante, a decisão editorial é compreensível, já que o desfecho torna obrigatória a leitura do terceiro volume.

Callari tem muitas qualidades como autor: texto envolvente, vocabulário rico e uma farta bagagem de cultura pop. Assim como no primeiro volume, o que não faltam são referências nesta sequência.

Há apenas um senão: a qualidade das ilustrações de Eduardo Costa não está à altura do texto. Todavia, da mesma forma que não fariam falta se não estivessem lá, também não chegam a atrapalhar.

Apocalipse Zumbi 2: Inferno na Terra é uma experiência agradável de leitura, recomendado para todos que gostam de literatura fantástica e, especialmente, do gênero consagrado por George Romero nos cinemas.

O livro é publicado pela editora Generale, tem 362 páginas, custa R$ 39,90, e vem acompanhado de um CD com a trilha sonora composta pelo próprio Callari. Vale o investimento.

Vale o Investimento: Wáluk

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“Hoje em dia, quando as mudanças climáticas já são uma realidade científica e as empresas de navegação de todo o mundo incluem rotas de verão no Ártico para seus barcos, enquanto os países da região lutam por recursos naturais como o gás e o petróleo, o mundo dos ursos desaparece e os vemos agarrarem-se a um pedacinho de gelo no meio do mar, esgotados de tanto nadar. Por isso, mais do que nunca devemos nos lembrar deles”, explica o roteirista de Wáluk, Emilio Ruiz já na introdução da HQ.

Wáluk é pequeno um urso polar que ao ser abandonado pela mãe segue faminto e desorientado até que conhece Esquimó, um velho urso sábio e paciente, que lhe ensinará como encarar os desafios da vida no Polo Norte. A partir daí, os dois viverão uma uma longa jornada em busca de alimento, enfrentando perigos, que para serem superados vão exigir coragem e amizade.

Waluk-Capa222A arte da ilustradora espanhola Ana Miralles é linda e dá leveza para a história. Além de quadrinhos Ana já desenhou para todas as mídias impressas, e ganhou destaque em 2009, quando recebeu o Grande Prêmio do Salão de Barcelona, em reconhecimento por sua profícua carreira no mundo dos quadrinhos.

Wáluk é uma HQ emotiva, que vai além da conscientização ecológica e toca em questões pessoais que afetam a todos nós: solidão, amizade e companheirismo. Recomendada para leitores de todas as idades, tem o preço camarada de R$ 34,00, o tratamento gráfico com aquele capricho já conhecido da Nemo e vale muito o investimento.

 

Resenha: Livro, Clássicos em HQs

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Uma edição primorosa da editora Peirópolis, apresenta no livro Clássicos em HQ, um panorama da produção de algumas adaptações importantes de clássicos da literatura para as HQs .

O livro reúne trechos de álbuns da Coleção Clássicos em HQ, textos sobre as obras literárias quadrinizadas e seus autores, com testemunhos dos artistas envolvidos, além de entrevistas com os quadrinistas e roteiristas, feitas especialmente para esta edição.

A introdução de Wilton José Marques, Por que ler os Clássicos, fala de forma clara e concisa da importância de conhecer e celebrar as mais importantes obras produzidas pelos ícones da literatura mundial e de como esse trabalho sobrevive ao tempo. Já na sequencia, Fabiano Azevedo Barroso, continua com Quadrinizar a Literatura ou Literatulizar o quadrinho, dando mais pistas sobre a importância de ambas as mídias e suas convergências.

O livro tem trechos comentados e públicados na compilação: Dom Quixote, por Caco Galhardo; Os Lusíadas, por Fido Nesti; O Corvo, por Luciano Irrthum; Demônios, por Guazzelli; Auto da Barca do inferno, por Laudo Ferreira; Conto de Escola, por Silvino; A Divina Comédia, por Piero e Giuseppe Bagnariol; Frankenstein, por Taisa Borges; I-Juca Pirama, por Silvino; Eu, Fernando Pessoa, por Susana Ventura e Guazzelli e A mão e a luva, por Alex Mir e Alex Genaro.

É um livro que deve constar na lista de leitura de estudiosos, educadores e pesquisadores do gênero. E o bacana é que o projeto pode ser baixado na íntegra e gratuitamente clicando aqui.

 

2014: O que vem por aí pela Peirópolis

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Neste ano, a editora mantém em sua linha de quadrinhos a coleção Clássicos em HQ, com adaptações de clássicos da literatura brasileira e universal feitas por artistas brasileiros.

Os títulos previstos para 2014 são:

A morte de Ivan Ilitch: considerada uma das novelas mais bem escritas da literatura universal, o livro de Lev Tolstói acompanha as reflexões de um juiz de instrução à beira da morte e o arrependimento de uma vida inteira baseada em aparências. A tradução e adaptação do texto são de Boris Schnaiderman e a arte, de Caeto (programado anteriormente para 2013).

Fausto: o clássico do alemão Goethe tem início quando Mefistófeles e Deus fazem uma aposta pela alma de Henrique Fausto, sábio que almeja deter todo o conhecimento do universo. O livro tornou-se o símbolo do que significa vender a alma ao Diabo. Roteiro adaptado por Léo Santana, arte de Rom Freire e cores de Dinei.

Os Sofrimentos do Jovem Werther: Mais uma obra de Goethe selecionada pela Peirópolis, foi publicada originalmente em 1774. A história é centrada em Werther, jovem talentoso e introspectivo em busca de si mesmo e de seu lugar no mundo. Adaptação para os quadrinhos de Daniel Gisé. (programado anteriormente para 2013).

Édipo Rei: tragédia grega escrita por Sófocles e encenada pela primeira vez no ano 427 a.C. Por meio do relato de um escravo cego, o jovem rei Édipo descobre como foi vítima da profecia que seus pais tentaram evitar – e que acabaram provocando. Roteiro e arte de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole (arte conceitual acima).

Orlando: escrito por Virginia Wolf em 1928, expõe questões atuais até hoje, como identidade e gênero. Adaptado para cinema e teatro, é a primeira vez que o livro chega aos quadrinhos de Luciana Penna e Luana Geiger.

2014: O que vem por aí pela Zarabatana Books

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A editora sempre se pautou pela qualidade. Neste ano, continua a investir em títulos consagrados no exterior, sem se esquecer da produção nacional.

Já em janeiro chegam duas novidades. A Máquina do Tempo de Adão Iturrusgarai (64 páginas, colorido, R$ 42) reúne parte da produção do artista gaúcho nos últimos 30 anos.

Entre as histórias, a série de ficção científica Stronzata Galattica e Fuck! Fuck! Fuck!, com roteiro de Adão e arte de Laerte. Do autor, a Zarabatana já publicou Momentos Brilhantes da Minha Vida Ridícula.

O outro lançamento do mês é Paolo Pinocchio (96 páginas, colorido, R$ 54), quarto volume da Coleção Fierro de quadrinhos argentinos, em que o quadrinhista Lucas Varela recria o clássico conto infantil com uma visão bastante particular.

Em algumas histórias, o personagem utiliza suas trapaças para tentar escapar do inferno; noutras, exercita seu cinismo em encontros com seres da mitologia, dos contos de fadas, da Idade Média e da Renascença.

Os outros títulos já publicados da Coleção Fierro são Noturno, de Salvador Sanz; Dora, de Ignacio Minaverry; e Angela della Morte, também de Sanz.

Para completar a lista de lançamentos previstos para 2014 pela Zarabatana Books estão mais dois volumes de Macanudo (o sétimo e oitavo), do argentino Liniers, e uma nova edição de Crônicas Birmanescas, em que o canadense Guy Delisle retrata a difícil situação da república asiática de Myanmar.