Revista O Grito!

Exclusivo: Novo álbum de Luciano Salles sai em outubro

darkmatter

Nem bem seu mais recente lançamento, L’Amour 12 oz, saiu do forno – o lançamento foi em dezembro na Comic Con Experience – e Luciano Salles anuncia seu novo projeto.

Limiar: Dark Matter está com o roteiro finalizado e revisado, e tem previsão de lançamento em outubro deste ano. Segundo o autor, a HQ conta a história de vingança de dois amigos sob o ponto de vista das lembranças de um deles, morto. “O ensejo da trama é de que somos apenas memória e isso se aplica para tudo, inclusive ao universo”.

Salles destaca também que, de forma inconsciente, acabou criando um arco entre seu novo trabalho e os anteriores, O Quarto ViventeL’Amour: 12 oz.

“The Flash”: revelada a identidade do Flash Reverso

flash

Atenção: as informações a seguir contêm spoilers e podem atrapalhar a surpresa de quem acompanha a série.

 

Pois é, um dos grandes mistérios de The Flash, a bem sucedida série que adapta o herói velocista dos quadrinhos para a TV, foi revelado nesta semana.

Antes da coletiva de imprensa do canal CW com staff e elenco das séries Arrow e The Flash, foram exibidas no telão fotos dos atores ao lado de imagens de seus respectivos personagens nas HQs.

A foto de Tom Cavanagh, que interpreta o Dr. Harrison Wells, veio acompanhada do Flash Reverso – maior inimigo e assassino da mãe do Flash quando ele ainda era uma criança.

Poderia ser só uma pegadinha, mas a confirmação veio logo depois, quando um repórter questionou Cavanagh: “Eu acho que a resposta mais direta para sua pergunta é: Sim, eu sou o Flash Reverso”.

A desconfiança entre os fãs era grande, já que o Dr. Wells finge ter sido ferido pela explosão do reator nuclear que deu origem ao Flash, mantém uma sala secreta em que acessa notícias do futuro e já se mostrou capaz de matar para proteger o destino do herói.

No entanto, o fato de outro personagem ostentar nome parecido à identidade civil do Flash Reverso nos quadrinhos – no caso, o detetive Eddie Thawne – e de o vilão e Dr. Wells terem contracenado no 9º episódio da temporada, desviaram a atenção.

Sobre Thawne, o produtor-executivo Andrew Kreisberg disse: “O nome dele não é um acidente. A conexão de Eddie com o Flash Reverso vai ser um dos grandes momentos da série”.

2015: O que vem por aí pela HQM Editora

BONE

Das editoras brasileiras de quadrinhos de pequeno e médio porte, a HQM é a que anuncia o maior número de lançamentos para este ano.

Alguns deles – Spawn – Jogo Final, Rachel Rising, Haunt, Rocketeer e a volta de Estranhos no Paraíso – vêm sendo programados desde 2013. Vamos ver se agora vai.

Nos próximos dias chega às lojas o encadernado com as tiras de Edibar, primeira incursão impressa da tira nacional que fazem grande sucesso na internet.

Entre as novidades, a mais esperada é Bone, premiada obra de Jeff Smith que teve 14 volumes publicados pela Via Lettera no Brasil e foi interrompida em 2010. À diferença daquela, a HQM relança a HQ em cores. O primeiro volume está previsto para sair entre janeiro e fevereiro, e é provável que o segundo fique pronto ainda neste ano, no segundo semestre.

O mesmo vale para Concreto, de Paul Chadwick, que a HQM trouxe de volta ao Brasil em 2014 na revista mix Dark Horse Apresenta e agora ganha publicação própria.

Ainda sem data de lançamento, a HQM anuncia Perry Bible Fellowship, série de tiras cômicas de Nicholas Gurewitch; o primeiro volume de Spawn: Origens, com história inédita de Dave Sim; e o segundo volume de O Ladrão dos Ladrões, uma das melhores HQs de 2014 segundo o Papo de Quadrinho.

Isso tudo vem somado à continuidade dos títulos mensais que a editora publica mensalmente: Dark Horse Apresenta, X-O Manowar, Universo Valiant e The Walking Dead.

Por falar em Os Mortos-Vivos, os encadernados 17 e 18 devem chegar no primeiro semestre. Segundo a HQM, a intenção é publicar até o 20º ainda neste ano.

2015: O que vem aí pela JBC

ageha

A editora anuncia várias novidades nacionais e internacionais, entre one-shots, minisséries e séries fechadas e de linha. Veja as confirmadas até o momento:

Kizu (one-shot): de Otisuichi e Hiro Hiyohara (mesmo desenhista de Another);

Sailor V (2 volumes): spin-off da série Sailor Moon;

Ageha (2 volumes), de Koshi Rikudo (Excel Saga): mistura drama e comédia ao mostrar como o jovem Tateha tenta mudar o final trágico de sua amada Ageha a cada novo capítulo (imagem acima);

Love in The Hell (3 volumes): Rintaro morre após uma noitada de bebedeira e vai parar no Inferno. Agora, aceita todo tipo de ajuda para voltar ao plano dos vivos;

Steins Gate (3 volumes) – A famosa série dos games e animes foi adaptada para mangá em 2009 e, segundo a editora, a edição brasileira vem sendo muito solicitada pelo público;

Enigma (7 volumes), de Kenji Sakaki: O estudante Sumio tem a habilidade de prever o futuro em sonhos. Mas eles e seus amigos terão que enfrentar a entidade Enigma se quiserem sair da escolar com vida;

Zetsuen no Tempest (10 volumes): Mahiro Fuwa e seu amigo Yoshiro Takigawa decidem ajudar o líder do clã Kusaribe abandonado por seus membros, que pretendem acordar a “Árvore do Êxodo”. O mangá tem referências a duas obras de Shakespeare: Hamlet e A Tempestade;

Nanatsu no Taizai — The 7 Deadly Sins: série de grande sucesso no Japão, onde já foram publicados 11 volumes.

Robô Esmaga: versão impressa das webtiras publicadas pelo carioca Alexandre Lourenço.

Combo Rangers 2: O álbum dá continuidade à saga Combo Rangers – Somos Heróis, de Fabio Yabu, lançada em 2013 pela JBC. Segundo o autor, a meta é fazer uma trilogia.

2015: O que vem por aí pela Peirópolis

Macunaíma2A editora tem pelo menos três novos títulos programados para sua principal linha de quadrinhos, a ótima Clássicos HQ, que adapta obras da literatura brasileira e universal, sempre pelas mãos de autores nacionais.

Dois deles estavam previstos para 2014 e foram reprogramados: Fausto, de Goethe, com roteiro de Léo Santana e arte de Rom Freire; e Os Sofrimentos do Jovem Werther, também de Goethe, adaptada por Daniel Gisé.

A novidade mesmo chega agora em março: Macunaíma, de Mario de Andrade. Publicada em 1928, a história inovadora do anti-herói que encarna todos os vícios do povo brasileiro se converteu numa das obras-símbolo do Modernismo. O roteiro adaptado e a arte são de Ângelo Abu.

Infelizmente, Édipo Rei, a tragédia grega de Sófocles na versão dos talentosos Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole, programada para 2014, não saiu naquele ano e nem está na previsão de 2015.

2015: O que vem aí pela Quadrinhos na Cia

dois irmaos

A partir de hoje, Papo de Quadrinho dá início a uma série de postagens com os títulos em quadrinhos já planejados pelas principais editoras brasileiras para o ano que começa.

A primeira é a Quadrinhos na Cia, selo de quadrinhos da Companhia das Letras, que mantém um catálogo caprichado de HQs nacionais e estrangeiras.

Para março, está previsto o lançamento de Todo Bob Cuspe, que reúne as tiras estreladas pelo punk criado pelo cartunista Angeli. O encadernado deve seguir o mesmo modelo da republicação de Toda Rê Bordosa (2012): formato grande (19.50 x 26.50 cm) e capa dura.

Ainda na linha dos nacionais, sem data de lançamento, está Dois Irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá. A obra adapta o livro de Milton Hatoum, de 2000, sobre dois gêmeos de família libanesa residente em Manaus. É o primeiro trabalho conjunto da dupla de irmãos desde Daytripper, de 2011.

Estão planejados três lançamentos internacionais, também sem previsão. Em Metamaus, Art Spielgman vai fundo no processo de criação de sua obra-prima, Maus, que continua bastante atual mais de 25 anos depois da primeira publicação.

Kill my mother, do premiado cartunista Jules Feiffer, prestes a completar 86 anos, é uma homenagem aos pulps e tiras que preencheram sua infância. Em clima de filme noir, a graphic novel é centrada em cinco mulheres ligadas pelo destino ao um detetive particular acabado e beberrão.

Por último, Marzi é a autobiografia em que a cartunista polonesa Marzena Sowa conta sua infância na década de 1980 por trás da Cortina de Ferro, antes do fim do comunismo na Polônia. A HQ estava prevista para sair em 2014.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs nacionais de 2014

Depois de eleger algumas das melhores HQs estrangeiras publicadas no ano recém-encerrado, chegou a vez de revelar nossa lista de obras nacionais.

O critério é o mesmo — apenas HQs inéditas – e sujeito à mesma falha: foram selecionados os títulos preferidos entre aqueles lidos pelos editores do Papo de Quadrinho.

Conheça nossa lista de Melhores HQs nacionais de 2014.

lizzie10. Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço (Germana Viana – Jambô Editora)

Uma grata surpresa do ano que passou. Em seu primeiro trabalho em quadrinhos, a veterana ilustradora Germana Viana destila um humor nonsense, inteligente, anárquico. São histórias curtas, publicadas originalmente na internet, sobre um grupo pouco comum de amigas que viajam pelo espaço. Quem quiser, pode acompanhar o trabalho da autora neste endereço.

Veja matéria completa aqui.

Klaus9. Klaus (Felipe Nunes – Balão Editorial)

O jovem autor, de apenas 19 anos, criou uma fábula instigante para retratar a passagem da adolescência para a vida adulta. O personagem-título é o único humano numa terra de animais antropomórficos. Por ser diferente, passou a vida como vítima de preconceito, até que a verdade se revela e ele precisa fazer uma escolha: manter a convivência com os pais-tigres amorosos ou dar um salto no escuro rumo à maturidade.

Vigor Mortis Comics8. Vigor Mortis Comics 2 – Sangue, Suor e Nanquim (José Aguiar, Paulo Biscaia, DW Ribatski e André Dulci – Quadrinhofilia)

Segundo volume das HQs que adaptam obras multimídia da Cia. Vigor Mortis. Neste caso, a história fundiu o filme Nervo Craniano Zero e a peça Seance – As Algemas de Houdini. O resultado é uma trama ambientada em 1969 repleta de repressão política, assassinatos em série e viagens alucinógenas, misturada à vida miserável da enfermeira Lavínia, personagem fictícia da protagonista Bruna Bloch. Destaque para a mudança de estilo artístico a cada aspecto diferente da narrativa.

Beladona7. Beladona (Ana Recalde e Denis Mello – Avec Editora)

A personagem Samantha nasceu na internet, em páginas semanais publicadas no site Petisco. Graças ao financiamento coletivo, ganhou este belo álbum de terror sobre uma menina assombrada por pesadelos. Parte da história se passa nesse mundo de sonhos terríveis, em que Samantha é perseguida e atormentada por espíritos malignos; outra parte, menor, se dá no mundo real. Ana Recalde é uma das grandes roteiristas da atual geração, e o traço nervoso de Denis Mello faz jus à trama.

Click6. Click (Samanta Flôor – Independente)

Outra grata surpresa de 2014: apesar de curto – pouco mais de 30 páginas –, é o trabalho mais longo até agora da jovem, porém veterana, ilustradora. Sem diálogos, a história combina uma câmera misteriosa, zumbis, um artista de rua e uma garota amável.

 

 

Helena5. Helena (Montserrat e Simone Beatriz – New Pop)

Mangá produzido no Brasil, adapta a obra homônima de Machado de Assis. Da fase romântica do autor, a história tem todos os ingredientes daquela escola literária: a heroína trágica, o herói nobre, um amor impossível. Como outros livros deste período, é possível identificar elementos do Realismo, em especial a crítica social.

Leia resenha completa aqui.

bidu4. Bidu – Caminhos (Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho – MSP/Panini)

Ao longo da trama, o famoso cãozinho azul criado por Mauricio de Sousa precisa fazer uma série de escolhas: encarar ou não um cão maior para proteger seu território; deixar-se ou não capturar pelos donos do canil; ajudar ou não um companheiro em dificuldade. À medida que enfrenta novos desafios, suas escolhas amadurecem de uma atitude instintiva e autocentrada para outra mais generosa. Tudo isso antes de encontrar seu dono e eterno amigo Franjinha. Mais uma obra-prima da série Graphic MSP.

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Jonas3. A Vida de Jonas (Magno Costa – Zarabatana Books)

Envolvido em problemas com álcool e recém-separado de Júlia, Jonas tem uma existência solitária e sem perspectiva. Só mesmo uma grande perda para fazê-lo por fim à autoindulgência e encontrar um novo sentido para a vida. A grande sacada de Magno Costa é a caracterização dos personagens como fantoches de pano.

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Yeshuah2. Yeshuah volume 3 – Onde tudo está (Laudo Ferreira e Omar Viñole – Devir)

Depois de uma longa espera, Laudo concluiu a trilogia com sua visão personalíssima da vida de Jesus. Baseados em textos apócrifos de diferentes origens, este volume concentra-se na etapa final do Novo Testamento: a viagem a Belém para a comemoração da Páscoa, a prisão, calvário e execução. Ao longo dessa trajetória, Laudo reforça, de forma sensível e assertiva, a base dos ensinamentos de Jesus: o amor acima de tudo. Valeu a espera. Uma HQ emocionante.

Rafaela1. Aos Cuidados de Rafaela (Marcelo Saravá e Marco Oliveira – Zarabatana Books)

Rafaela, moça rebelde e independente, se passa por cuidadora de idosos e conquista a confiança da velha atriz Aurelita e os desejos secretos de seu filho, Nicolas. Aos poucos, ela domina a rotina de casa e tem início uma espiral de luxúria e submissão que só poderia terminar em tragédia. Tão perturbador quanto o roteiro de Saravá é a arte de Marco Oliveira, repleta de rostos disformes, planos ousados e uma intencional ausência de perspectiva.

Leia resenha completa aqui.

Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs estrangeiras de 2014

Atualizado em 31.12.2014: 

Miracleman, que ocupava o sétimo lugar da lista, já foi publicado no Brasil, ainda que parcialmente, pela editora Tannos no final dos anos 1980. Assim sendo, fugiu do critério estabelecido e abriu lugar para o mais recente volume dos encadernados do Demolidor. Veja abaixo como ficou a nova lista.

 

Mais uma vez o final do ano impõe a difícil e prazerosa tarefa de preparar a lista das melhores HQs.

Como nas vezes anteriores, cabe explicar o critério: HQs inéditas publicadas no país ao longo de 2014, o que deixou bons importados e ótimos relançamentos de fora.

Que fique claro, também, que estes títulos foram os preferidos entre aqueles lidos pelos editores do Papo de Quadrinho. Apesar de ultrapassar 200 HQs lidas, é ainda um universo muito pequeno frente ao grande e qualificado volume de lançamentos do ano.

Portanto, como bem disse o jornalista Telio Navega na lista do Gibizada, mais do que uma seleção dos “melhores” – sempre subjetiva e passível de cometer injustiças – a relação abaixo serve como um guia para os leitores aproveitarem pelo menos uma parte da ótima safra de 2014.

Como foram muitos e bons lançamentos, decidimos dividir a lista deste ano em duas categorias: estrangeiros e nacionais. A primeira você encontra abaixo; a segunda, nos próximos dias.

10. Demolidor 6 (Panini)

DemolidorO sexto volume de encadernados do Demolidor fecha com chave de ouro a fantástica fase do personagem nas mãos do talentoso roteirista Mark Waid. Ele conseguiu, ao mesmo tempo, retomar a origem mais leve do Demolidor sem, no entanto, fingir que as últimas décadas da cronologia não existiram. Obrigado a encerrar esta fase para abrir o caminho do novo selo Marvel NOW!, Waid optou por uma história simples, porém direta e impactante. Sem dúvida, um dos melhores – se não o melhor – título de super-heróis nas bancas brasileiras.

Star Wars9. Star Wars Legends (Panini)

Muito esperado pelos fãs da saga de George Lucas, este lançamento marca o início, no Brasil, da publicação do material da editora Dark Horse, de 2013, que amplia a trama original. A primeira história, À Sombra de Yavin, se passa logo após a destruição da Estrela da Morte em Star Trek IV – Uma Nova Esperança. A segunda é situada cronologicamente um pouco antes, depois dos eventos mostrados em Star Wars III – A Vingança dos Sith.

Ladrão dos ladrões8. O Ladrão dos Ladrões (HQM Editora)

O que levou Conrad Paulson, o maior ladrão do mundo, reconhecido e respeitado por seus pares e clientes, a se aposentar? O amor perdido? O filho que fracassou ao tentar seguir seus passos? Ou a pressão de uma bela e incansável agente do FBI? Em se tratando de um ladrão, todas as respostas podem estar corretas… ou nenhuma delas. Numa trama repleta de espionagem e reviravoltas que lembram o filme Onze Homens e Um Segredo, o roteiro de Nick Spencer vem recheado pela arte elegante de Shawn Martinbrough. O personagem foi criado por Robert Kirkman, de The Walking Dead, e pode até virar série de TV.

A Guerra dos Tronos7. A Guerra dos Tronos HQ – volume 3 (Casa da Palavra)

A série em quadrinhos, que vem sendo lançada no Brasil em encadernados caprichados, adapta diretamente os livros de George R.R. Martin, e não o seriado da HBO. Apesar de a fidelidade ao texto original tornar ambas as obras bastante parecidas, a HQ permite um olhar diferente, em especial na caracterização dos personagens e na solução narrativa de algumas passagens. O nível de detalhamento é tamanho que só agora, neste terceiro volume, a adaptação dos quadrinhos alcançou o final da primeira temporada da série de TV.

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Sweet Tooth6. Sweet Tooth – Depois do Apocalipse volume 6 (Panini)

O encadernado conclui de forma genial o calvário do menino-cervo que constitui a chave para a praga que dizimou a Humanidade e transformou a geração seguinte em híbridos de animais. Finalmente todos os mistérios são revelados e Jeff Lemire dá uma aula de narrativa gráfica, fechando de forma sublime uma trama cheia de dor, preconceito e perdas.

 

Hideout5. Hideout (Panini)

História de terror escrita e desenhada primorosamente por Masasumi Kakizaki. A leitura tem duas camadas: a primeira, linear, é a trama de um homem que planeja assassinar a esposa numa viagem de férias, mas cai vítima de uma assustadora família canibal; a segunda, mais sutil, revela como nossos demônios interiores tendem a emergir numa situação limite. Em determinado ponto, a narrativa mistura fatos atuais com flashbacks que ajudam na construção dos personagens e na compreensão do inescapável final.

Calvin e Haroldo4. As tiras de domingo 1985 – 1995 — Calvin e Haroldo (Conrad)

Como o nome diz, o volume reúne as tiras dominicais publicadas por Bill Watterson neste período. Lançado originalmente em 2001, o álbum traz revelações importantes sobre as influências do autor, processo de licenciamento das tiras, evolução do traço dos personagens, bastidores das tiras polêmicas e muitas outras informações para satisfazer os fãs apaixonados pelo espirituoso garoto e seu amigo imaginário.

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Hoshi Mamoru Inu Capa.indd3. O Cão que Guarda as Estrelas (JBC)

São duas histórias que se relacionam. No início da primeira, o leitor já sabe como será o fim. Seguir a leitura sem um nó na garganta não é nada fácil. Um homem de meia idade perde tudo que tinha na vida: emprego, casamento, casa, saúde. O que lhe resta é a agradável e fiel companhia de um cão – e isso não é pouco. A segunda história parte do início (ou fim) da primeira e, novamente, versa sobre o amor pelos animais. Emocionante.

Fashion Beast2. Fashion Beast (Panini)

Reza a lenda que esta história nasceu como roteiro de Alan Moore para um filme de Malcolm McLaren, o polêmico produtor da banda punk Sex Pistols. Fashion Beast usa o conto infantil A Bela e a Fera como metáfora para revelar a face nada glamorosa da alta moda. Se já era atual no início dos anos 1990, é ainda mais hoje, num tempo de culto aos estilistas-celebridades.

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Parafusos-capa.indd1. Parafusos – Mania, Depressão, Michelangelo e eu (WMF Martins Fontes)

Poucas vezes o Transtorno Bipolar, que assola parte significativa da população, foi tratado de forma tão honesta, transparente e detalhada. Ainda mais com recurso da linguagem dos quadrinhos. Depois de diagnosticada com a doença, a quadrinhista Ellen Forney vai fundo no estudo de grandes gênios das artes que sofreram o mesmo mal. Ela narra os dolorosos processos do Transtorno Bipolar e a batalha contra o tratamento medicamentoso que poderia afetar sua criatividade. Tudo isso num traço estilizado, eloquente e desafiador.

Leia matéria aqui.

“Aos Cuidados de Rafaela” e “A Vida de Jonas”: HQs inteligentes e provocadoras

rafelajonasAos Cuidados de Rafaela e A Vida de Jonas têm muitos pontos em comum. Ambas são produções nacionais, financiadas por meio do ProAC Quadrinhos – programa de fomento do Estado de São Paulo – e lançadas pela editora Zarabatana. E, mais importante, ambas estão entre as melhores HQs de 2014.

A primeira foi produzida por Marcelo Saravá (1000 Palavras – Tiras 100 Desenho) e Marco Oliveira (Overdose Homeopática). Aos Cuidados de Rafaela, como muito se disse por aí – com razão –, é um drama típico de Nelson Rodrigues. Rafaela, moça rebelde e independente, se passa por cuidadora de idosos e conquista a confiança da velha atriz Aurelita e os desejos secretos de seu filho, Nicolas.

Dissimulada e prestativa, aos poucos ela domina a rotina de casa. Até que Aurelita morre, e Nicolas vai ao extremo para manter Rafaela por perto. Quando a moça percebe a farsa, tem início uma espiral de luxúria e submissão que só poderia terminar em tragédia.

Tão perturbador quanto o roteiro de Saravá é a arte de Marco Oliveira, repleta de rostos disformes, planos ousados e uma intencional ausência de perspectiva. Oriundo das tiras, esse é seu primeiro trabalho de fôlego, e é notório como o artista faz uso de recursos gráficos de sua origem para dar ritmo à história, sem que haja perda da narrativa.

Em A Vida de Jonas, de Magno Costa (Matinê, Oeste Vermelho), a trama é menos rocambolesca, mas não menos interessante. Envolvido em problemas com álcool e recém-separado de Júlia, Jonas tem uma existência solitária e sem perspectiva. Só mesmo uma grande perda para fazê-lo por fim à autoindulgência e encontrar um novo sentido para a vida.

A grande sacada de Magno Costa é a caracterização dos personagens como fantoches de pano. Com isso, o autor abre mão das expressões faciais para evidenciar seu estado emocional.

O resultado é que, qualquer que seja a situação, cômica ou dramática, os atores em geral, e Jonas em particular, parecem alheios, distantes. Ou, como bem disse o jornalista e amigo Marcelo Naranjo, Costa delega ao leitor a responsabilidade de imprimir as emoções aos personagens.

Mais do que todos os pontos elencados no início deste texto, o que Aos Cuidados de Rafaela e A Vida de Jonas têm de mais relevante é que ambas representam o atual estado da arte de boa parte do quadrinho brasileiro: profissional, inteligente, provocador. Nestas duas HQs, os autores fizeram escolhas que desafiam a linguagem dos quadrinhos e o senso comum dos leitores.

Não é pouca coisa.

“Astronauta – Singularidade”: O que faz um personagem e um artista únicos

Astronauta-Singularidade-Capa

Danilo Beyruth consegue extrair o melhor de cada gênero dos quadrinhos em que se aventura: do super-heroísmo sobrenatural de Necronauta ao existencialismo de Astronauta – Magnetar, passando pelo faroeste caboclo de Bando de Dois.

Ele é o tipo de artista que definitivamente não se “deita em berço esplêndido”, como se costuma dizer de alguém que não quer ou não consegue abandonar uma fórmula que deu certo.

Prova disso é seu mais novo trabalho no selo Graphic MSP, que revisita personagens de Mauricio de Sousa com visão autoral: Astronauta – Singularidade (veja um preview aqui).

Mesmo tendo sido convidado a dar continuidade a provavelmente seu trabalho de maior popularidade – Danilo já era um artista premiado por ocasião de Magnetar, mas não é exagero dizer que a graphic novel ampliou sobremaneira seu espectro de leitores –, ele optou por seguir um caminho oposto.

Na primeira Graphic MSP, o autor explorou a principal característica do personagem, a solidão. Em Singularidade, este aspecto é solenemente descartado: agora, ele é forçado a trabalhar em equipe. O tom filosófico da HQ anterior foi substituído por outro, mais aventureiro – o que também não deixa de ser algo inerente ao Astronauta. O resultado é menos poético, é verdade, mas não menos divertido.

Na trama, o Astronauta embarca na investigação de um buraco negro – a chamada “singularidade” do título – na companhia da psicóloga que vinha avaliando sua sanidade após os eventos traumáticos de Magnetar, e de um oficial de outro país.

No chamado “horizonte de evento”, a área periférica ao buraco negro, o grupo se depara com um objeto descomunal e desconhecido. É aí que diferentes interesses começam a aflorar e o Astronauta precisa partir literalmente para a ação a fim de não colocar em risco nosso planeta.

Como em todos os trabalhos de Danilo Beyruth, revela-se aqui a ampla pesquisa que norteia o roteiro. Neste em particular, a pesquisa estendeu-se à mitologia do próprio Astronauta, com direito a uma breve participação de um integrante dos chamados Homens-Geleia.

Danilo, como foi dito, transita com naturalidade entre diferentes gêneros. Mas uma constante em seu trabalho é a qualidade de roteiro e arte, e o domínio da narrativa gráfica, em particular na escolha da disposição dos quadros nas páginas. Assim como em Magnetar, em Singularidade as cores de Cris Peter potencializam a força do traço e contribuem para dar o tom de continuidade entre as duas obras.

Se o buraco negro é uma metáfora para evidenciar a singularidade do Astronauta enquanto personagem, também vale para Danilo Beyruth enquanto artista.