Revista O Grito!

2014: O que vem por aí pela Quadrinhos na Cia

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Spacca, Angeli, Laerte. A nata dos quadrinhos nacionais é destaque entre os lançamentos do selo de quadrinhos da Companhia das Letras para o primeiro semestre do ano.

Já neste mês de janeiro chega às livrarias As Barbas do Imperador, do cartunista Spacca e a historiadora Lilia M. Schwarcz. A HQ adapta o livro homônimo de Lilia sobre o Segundo Império no Brasil.

Ainda dentro da produção nacional, estão previstas duas coletâneas de tiras: Todo o Bob Cuspe, de Angeli (março) e Manual do Minotauro, de Larte (maio).

O destaque internacional fica por conta do primeiro volume de Marzi, quadrinho autobiográfico em que a cartunista polonesa Marzena Sowa conta sua infância na década de 1980 por trás da Cortina de Ferro. A previsão de lançamento é fevereiro.

2014: O que vem aí pela 8Inverso

8INVERSO - Turnê de Despedida

Neste ano, a editora gaúcha vai privilegiar a publicação de literatura brasileira, mas nem por isso abandona os leitores de quadrinhos. Há apenas um lançamento previsto para 2014. E vale muito a pena.

Trata-se de Bourbon Street 2 – Turnê de Despedida, de Philippe Charlot e Alexis Chabert, conclusão da trama iniciada em Os Fantasmas de Cornelius.

No primeiro volume, lançado pela 8Inverso em 2012, o músico sexagenário Alvin reúne seus amigos para lembrar os velhos tempos da estrada, e dá início à busca pelo desaparecido Cornelius. Alvin conta com a ajuda inesperada de ninguém menos que o fantasma de Louis Armstrong.

Em Turnê de Despedida, a trupe, mais uma vez guiada por Armstrong, sai em turnê por bares decadentes e revive todas as dificuldades de quem tem a música como ofício e paixão.

A previsão para chegar às livrarias é no primeiro semestre.

2014: O que vem por aí pela WMF Martins Fontes

How To Draw Comics The Marvel Way

A editora costuma dar poucos tiros, porém certeiros: já trouxe para o Brasil aclamadas obras como Pagando por Sexo, Logicomix e farto material do cartunista argentino Quino.

Para 2014, a WMF Martins Fontes tem previstos bons lançamentos relacionados a quadrinhos. O primeiro promete agradar em cheio não só os aspirantes a desenhista, mas também os fãs da Marvel em geral.

How to Draw Comics in the Marvel Way, de John Buscema e Stan Lee, foi publicado originalmente em 1978, ganhou várias reimpressões e nunca havia sido lançado por aqui. Como o próprio nome diz, o livro é um manual de desenho que tem como base os personagens da editora. Buscema encarrega-se de transmitir a técnica, enquanto Lee, em seu estilo inconfundível, dá conselhos sobre narrativa.

Como Desenhar Quadrinhos no Estilo Marvel – o título em português – ainda não tem data de lançamento e preço definidos.

Outra novidade é Quadrinhos: História Moderna de uma Arte Global, de Dan Mazur e Alexander Danner. Com mais de 300 ilustrações, o livro traça a evolução da nona arte por mais de quatro décadas e em cinco continentes, até o surgimento dos quadrinhos digitais, que podem — ou não — se transformar no futuro desta mídia.

Por fim, a editora lança Os Ignorantes, do francês Étienne Davodeau. O livro é uma espécie de documentário em quadrinhos sobre o ano inteiro que o artista passou trabalhando junto com o fabricante de vinhos Richard Leroy. A graça está no fato de que nenhum deles tinha a menor noção do trabalho do outro, e a narrativa vai descrevendo aos poucos tanto o processo de produção da bebida quanto de uma HQ. A previsão de lançamento é junho.

2014: O que vem por aí pela Gal Editora

GAL - Lôcas 2

A partir de hoje, Papo de Quadrinho passa a divulgar os lançamentos programados pelas editoras brasileiras de quadrinhos para este ano.

A série começa com a Gal Editora, que vem premiando seus leitores com excelentes obras do circuito independente. Em 2014, será mantida a linha editorial, com adição de novos produtos. Veja alguns dos lançamentos:

Lôcas: as mulheres perdidas e outras histórias (Jayme Hernandez): a Gal dá continuidade a uma das mais aclamadas séries dos quadrinhos independentes. Neste segundo volume, Maggie envolve-se na guerra civil de uma ilha e é dada como morta. Suas amigas Hopey, Daffy, Izzy e Penny Century terão que lidar com a dor e tentar levar a vida sem a companhia da jovem mecânica. Previsão de lançamento: janeiro (a capa que ilustra esta matéria foi cedida com exclusividade para o Papo de Quadrinho).

Nação Fora-da-Lei: Rumo Ao Inferno (Jamie Delano e Goran Parlov): conclusão da saga de Story Johnson, iniciada no volume anterior, também pela Gal. A elogiada série mistura violência, sexo e crítica ácida ao “american way of life”. Previsão de lançamento: fevereiro.

Noite Insana (Richard Sala): até agora, o astro do underground americano estava inédito no Brasil. Nessa aventura, violentos assassinatos atraem a atenção da destemida e desbocada repórter Judy Drood. Misto de horror gótico, suspense e humor negro. Previsão de lançamento: abril.

Perdido e Mal Pago: Volume 2 (Bob Fingerman): mais um capítulo das aventuras do quadrinhista Rob e sua namorada Sylvia. Agora, o jovem casal precisa enfrentar os desafios do casamento. Previsão de lançamento: segundo semestre.

Novidades: ainda em fase de negociação, a Gal planeja outros títulos de quadrinhos, inclusive nacionais. A grande novidade do ano é a expansão do catálogo com livros voltados para o público nerd e uma coleção de romances de ficção científica, fantasia e terror.

Esclarecimento

A Gal Editora esclarece que, apesar ter lançado apenas um álbum em 2013 (Perdido e Mal Pago), não saiu do mercado. A empresa passou por mudanças de escritório e internas que interferiram na agenda de lançamentos. Além disso, a Gal presta também serviços de editoração, revisão e tradução a outras editoras e empresas, e neste ano trabalhou em muitos projetos dos clientes, o que também influenciou o ritmo de lançamentos.

Começou a votação do 30º Prêmio Angelo Agostini

AngeloAgostini

A Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP) disponibilizou em seu site a cédula eletrônica para escolha dos melhores trabalhos nacionais de 2013.

Para votar, clique aqui.

São oito categorias: Lançamento, Lançamento Independente, Roteirista, Desenhista, Fanzine, Cartunista/Chargista, Mestre do Quadrinho Nacional e Prêmio Jayme Cortez – as duas últimas seguem critérios específicos, como tempo no mercado ou contribuição significativa para o desenvolvimento do quadrinho nacional.

A votação vai até o dia 20, e a cerimônia de entrega do prêmio está agendada para dia 1 de fevereiro, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

A exemplo do ano passado, a votação e apuração serão automatizadas – o que permitiu um recorde de participantes (quase 15 mil) e redução no tempo de apuração.

Os organizadores ainda não conseguiram criar um controle automático para evitar fraudes, como cadastro prévio ou controle do endereço IP. Porém, comprometem-se a supervisionar a votação e eliminar votos que configurem má fé (um autor votar várias vezes no seu próprio trabalho, por exemplo).

Feliz 2014!

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Papo de Quadrinho escolhe as Melhores HQs de 2013

Toda lista é subjetiva, e esta, claro, não é diferente. E falha, também. O maior defeito desta é que só contempla as HQs lidas por este editor ao longo do ano: foram 90 no total, entre impressas e virtuais, álbuns e revistas de série, lançamentos e reimpressões.

Para manter o critério dos anos anteriores, foram escolhidas apenas as histórias inéditas publicadas no Brasil. Por isso, ótimos títulos como O que aconteceu ao Homem de Aço, Livros da Magia, Homem Aranha: A morte de Jean DeWolff e outros ficaram de fora.

A boa notícia é que, diferentemente de 2012, neste ano o gênero de super-heróis voltou a apresentar alguma coisa que preste. E é inegável que o quadrinho brasileiro mantém o pique, representado aqui por dois volumes da série Graphic MSP e pela adaptação de um clássico da literatura.

Dito isto, vamos à nossa seleção das Melhores HQs de 2013.

Morning Glories

10) Morning Glories

Série que a Panini vem publicando por aqui sem periodicidade definida. O que parece ser mais uma história linear de terror adolescente ganha camadas de mistério a cada novo capítulo. Morning Glory é uma das mais prestigiadas escolas preparatórias dos Estados Unidos. O que ninguém sabe é que seu método de ensino é baseado em tortura física e psicológica, e até morte. Leia a resenha completa aqui.

 

A Mão e a Luva9) A Mão e a Luva

Alex Mir e Alex Genaro fazem uma tradução competente do clássico de Machado de Assis, sem cortes abruptos nem sobressaltos no roteiro. Mesmo que páginas inteiras acabem sofrendo com o excesso de palavras, o estilo de Machado é tão instigante, especialmente nos diálogos, que não torna a leitura maçante. Leia a resenha completa aqui.

 

O Boxeador8) O Boxeador

Mais uma biografia em quadrinhos do alemão Reinhard Kleist trazida até nós pela editora 8Inverso. Hertzko Haft, judeu polonês enviado aos campos de concentração, destacou-se nas lutas de boxe improvisadas pelos militares alemães. Quando o horror que o nazismo representou na história da Humanidade é trazido para a vida cotidiana das pessoas percebe-se com mais clareza a amplitude de sua crueldade. Leia a resenha completa aqui.

O Inescrito7) O Inescrito

Nesta série, pode-se dizer que a vida molda a arte ao bel prazer de um poderoso e sinistro grupo. Tom Taylor é o modelo para criação da maior obra literária de seu pai, o menino bruxo Tommy Taylor (qualquer semelhança com Harry Potter não é mera coincidência). Mas o escritor dotou seu filho com as armas necessárias para por um fim nisso, e agora o jovem e seus amigos precisam aprender como lidar com o poder. Fantasia, literatura e quadrinhos se misturam em aventuras que envolvem viagens pelas páginas dos grandes clássicos da literatura universal.

Demolidor6) Demolidor – Um Novo Começo

Em mais um recomeço na atribulada trajetória do Demolidor, Mark Waid decidiu trilhar um caminho brilhante. As histórias têm um tom pré-Idade das Trevas: o herói é herói, e ponto final. O Demolidor vive para ajudar os mais fracos e chega a experimentar satisfação na luta contra oponentes aparentemente superiores. Uma luz na escuridão na atual fase sofrível do gênero de super-heróis, e uma ótima oportunidade para leitores que querem travar o primeiro contato com o personagem. Leia a resenha completa aqui.

Sweet Tooth5) Sweet Tooth

Uma praga desconhecida matou bilhões de pessoas e deixou como efeito colateral uma geração de crianças nascidas com características mistas de humanos e animais. O dócil cervo Gus deixa a segurança de sua fazenda na companhia do sombrio Jepperd, e descobre que não há bondade no mundo. Uma fábula moderna: pessimista, descrente, cruel. Desaconselhável para quem gosta de bichinhos falantes e finais felizes. Destaque também para as ótimas experiências narrativas.

Laços4) Turma Da Mônica – Laços

A graphic novel dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi parte de um argumento simples: Floquinho, o cachorro do Cebolinha, sumiu, e a turma do bairro do Limoeiro embarca numa grande aventura para encontrá-lo. A partir daí, a HQ explora a rica mitologia da Turma da Mônica e carrega nas referências à própria formação pop dos autores, como os filmes Conta Comigo e Os Selvagens da Noite. Leia a resenha completa aqui.

 

Manhattan3) Antes de Watchmen: Dr. Manhattan

Em meio à mediocridade da série como um todo, este volume se destaca for fugir da abordagem óbvia. J.M. Straczynski optou por ir fundo na psique do personagem, fez direitinho a lição de casa sobre Física Quântica e transformou a Caixa de Schrodinger numa metáfora de como nossas escolhas – ou, no caso do Dr. Manhattan, a manipulação das probabilidades – abrem um leque infinito de universos possíveis. As idas e vindas no fluxo temporal são intercaladas de forma orgânica com o passado do personagem. Apesar da complexidade, não é “quadrinho-cabeça”. Leia resenha completa aqui.

Piteco2) Piteco: Ingá

O paraibano Shiko insere elementos da cultura nordestina numa aventura do tempo das cavernas. O título faz referência à Pedra do Ingá, no agreste paraibano, em que constam inscrições datadas de milhares de anos. Shiko resgata a mitologia dos personagens de Mauricio de Sousa para criar um universo novo, adulto, em que a palavra e os símbolos têm grande relevância. O autor arrasa na caracterização dos personagens; os drealocks do povo de Lem e o estilo de suas roupas conferem um visual que mistura cultura rastafári com futuro pós-apocalíptico. Leia a resenha completa aqui.

Mágico de Oz1) O Maravilhoso Mágico de Oz

A mais recente adaptação para os quadrinhos do clássico de L. Frank Baum não traz nada de novo em relação ao original. E aí está seu maior mérito. Depois de tantas versões – tanto do primeiro livro quanto das sequências – é gratificante reler a história primordial com tamanho grau de fidelidade. O roteirista Eric Shanover conseguiu captar com maestria o tom de “clássico moderno feito exclusivamente para agradar as crianças de hoje”, nas palavras de Baum. O correto seria dizer “as crianças de sempre”, porque O Maravilhoso Mágico de Oz é o tipo de texto que não envelhece. Leia resenha completa aqui.

Mundo dos Super-Heróis chega à 50ª edição

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A edição de dezembro da principal publicação brasileira sobre quadrinhos e outras mídias relacionadas ao gênero de super-heróis começa a chegar às bancas do País na próxima segunda-feira (23).

Para comemorar o marco de 50 edições, a capa apresenta 50 histórias (25 da editora Marvel e 25 da DC) escolhidas pela redação. Na seleção, os jornalistas optaram por HQs marcantes, mas pouco conhecidas. A capa foi ilustrada pelo artista brasileiro Caio Cacau.

A edição traz também um pôster central de 55 x 41 cm do filme O Homem de Aço; no verso, uma linha do tempo mostra a trajetória do Superman no cinema, seriados de TV e animações.

Outros destaques são: cobertura do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), realizado em novembro na capital mineira, e uma entrevista exclusiva feita durante o evento com o quadrinhista George Pérez; calendário com lançamentos para 2014 e matéria especial sobre a coleção de miniaturas do Batmóvel que a Eaglemoss trará para o Brasil; artigos sobre a série em quadrinhos Drácula, da Marvel, e o álbum Hicksville; a continuação da série de matérias sobre as grandes sagas da DC Comics; resenhas de lançamentos, cartas e desenhos dos leitores.

Mundo dos Super-Heróis 50 tem 64 páginas, capa e miolo coloridos, e preço de R$ 10,90. Compra de exemplares, assinatura e versão digital podem ser adquiridos no site da editora.

Crítica: “Marvel Comics — A História Secreta”: Ídolos com pés de barro

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Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis. A frase e suas muitas variações são atribuídas ao primeiro chanceler alemão, Otto Von Bismark.

Depois de ler Marvel Comics: A História Secreta, de Sean Howe, é grande a tentação de incluir mais um elemento à frase original: Os cidadãos não poderiam dormir tranqüilos se soubessem como são feitas as salsichas, as leis e as histórias em quadrinhos.

O livro de Howe faz uma radiografia da Marvel, maior editora de quadrinhos de super-heróis do mundo, desde sua gênese no final dos anos 1930 até próximo aos dias atuais.

Ao longo das páginas, o autor vai destruindo mitos. Um exemplo é a imagem lúdica do Bullpen, apelido carinhoso dado por Stan Lee à redação da Marvel nos anos 1960.

Lee perpetuou a ideia de uma sala animada, cheia de gente criativa e boa praça. Nada disso! Segundo Howe, era mais um conjunto de freelancers trabalhando nos próprios estúdios ou nos porões de suas casas, que apareciam na Marvel vez ou outra para entregar as páginas desenhadas.

E por aí vai. Nos anos 1970, à medida que os medalhões – Lee, Kirby, Ditko – saíram da editora ou se afastaram do o dia a dia, a redação foi tomada por guetos que se autoprotegiam para publicarem o que bem entendessem.

Revistas e personagens viraram instrumentos de crenças pessoais e vinganças mesquinhas. As puxadas de tapete eram uma constante. Tempos depois, a mão de ferro do editor-chefe Jim Shooter foi um mal necessário. Mas até ele sucumbiu à egolatria a partir do sucesso da saga Guerras Secretas.

Passa a impressão que Howe selecionou os piores trechos das numerosas entrevistas que realizou. Não há motivos para duvidar da seriedade de sua pesquisa nem de suas boas intenções. Em entrevista à revista Mundo dos Super-Heróis, o autor declara-se um fã da Marvel e coloca a paixão por gibis como motivação para escrever a obra.

Não é culpa Howe se nossos ídolos têm pés de barro.

A escrita fica um pouco corrida no final. Enquanto são dedicadas muitas páginas para tentar explicar as manobras que salvaram a Marvel da falência nos anos 1990, a recente compra pela Disney – um negócio de mais de US$ 4 bilhões – recebe pouquíssima atenção.

Nada disso tira o brilho do complexo trabalho de Sean Howe. Marvel Comics – A História Secreta é daqueles livros que não dá para parar de ler, e material indispensável tanto para fãs quanto para profissionais e pesquisadores.

O livro é um adorável tijolo com 560 páginas e preço de R$ 49,90. Vale o investimento de tempo e dinheiro.

Zumbis de George Romero pela Marvel chegam em janeiro

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A editora confirmou as notícias que já vêm correndo há algum tempo de que o “mestre” dos filmes de zumbis escreveu uma HQ.

A primeira edição (de 15) da série Empire of the Dead chega às lojas dos Estados Unidos no começo de janeiro, com arte de Alex Maleev (veja prévia na galeria abaixo).

Segundo a Marvel, a história se passa em Nova York, uma zona de quarentena num mundo tomado pela praga zumbi. Os sobreviventes têm que enfrentar não só a presença dos mortos-vivos, mas também de vampiros que espreitam nas sombras.

Para o editor Bill Roseman, Romero faz uma metáfora da luta de classes, com a humanidade pega no fogo cruzado.