Revista O Grito!

Apoie este projeto: Visualizando Citações, de Milena Azevedo (meta estendida)

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O projeto nasceu do hábito da professora de Técnica de Roteiros anotar citações de diferentes pensadores. Daí veio a ideia de transformar estas frases em histórias em quadrinhos – nem sempre com o mesmo significado pretendido pelo autor original.

Visualizando Citações contou com a participação de 26 artistas de vários Estados e virou webcomic, inclusive indicada na categoria ao HQ Mix deste ano. Milena busca financiamento coletivo para colocar a obra no papel.

O projeto não alcançou o financiamento inicial de R$ 8.000 e solicitou a chamada “segunda chance” – prática oferecida pelo Catarse aos projetos que obtiveram pelo menos 30% da meta (o site informa que a partir de outubro esta prática será abolida).

Depois da reformulação, a meta foi baixada para R$ 6.500 e atingida antes do prazo final de 30 de outubro.

Agora, a autora propõe a meta estendida de R$ 8.000 para aumento da tiragem, doação de reparte para escolas e bibliotecas públicas e aumento das recompensas.

Mesmo que o valor não for atingido, Visualizando Citações já é considerado bem sucedido e vai receber o financiamento. A previsão de entrega é janeiro.

FICHA:

Link do projeto: http://catarse.me/pt/provc

Data limite: 30 de outubro

Meta: R$ 8 mil (estendida)

Atingido até o momento: R$ 6.735

Colaboração mínima: R$ 15

Colaboração máxima sugerida: R$ 2.000

Recompensas: de versão em PDF até anúncio de meia página na obra (para empresas)

Apoie este projeto: Peixe Peludo 2, de Rafael Moralez

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Em parceria com Rodrigo Bueno, Moralez lançou em 2010 o primeiro volume de Peixe Peludo pela editora Conrad (ainda é possível comprar aqui). A HQ foi indicada a três prêmios HQ Mix.

Com a sequência totalmente desenhada, os autores buscam financiamento coletivo para impressão e distribuição.

Em Peixe Peludo 2 – O Herói da Raça, o personagem continua suas andanças pelo centro da cidade de São Paulo em meio a pensamentos caóticos e citações a bandas de rock, fanzines e cultura pop.

A previsão de entrega é novembro e os autores prometem festa de lançamento.

FICHA:

Link do projeto: http://catarse.me/pt/peixepeludo2

Data limite: 29 de outubro

Meta: R$ 6,5 mil

Atingido até o momento: R$ 4,615

Colaboração mínima: R$ 15

Colaboração máxima sugerida: R$ 300

Recompensas: de adesivo a três exemplares autografados

Neil Gaiman: Por que nosso futuro depende de bibliotecas, de leitura e de sonhar acordado

Neil-Gaiman-Reading-Agency-LecturexxxNeil Gaiman fez uma magnífica palestra à Reading Agency, sobre o futuro da leitura e das bibliotecas. A palestra foi publicada recentemente no jornal inglês The Guardian. Apesar de um pouco extenso, selecionamos as melhores partes. Vale muito a pena a leitura e a reflexão:

(…) Vou fazer um apelo apaixonado para que as pessoas entendam o que as bibliotecas e os bibliotecários são e para que preservem ambos.

E eu sou óbvia e enormemente tendencioso: eu sou um escritor, muitas vezes um autor de ficção. Escrevo para crianças e adultos. Por cerca de 30 anos eu tenho ganhado a vida através das minhas palavras, principalmente por inventar as coisas e escrevê-las. Obviamente está em meu interesse que as pessoas leiam, que elas leiam ficção, que bibliotecas e bibliotecários existam para nutrir amor pela leitura e lugares onde a leitura possa ocorrer.

Então sou tendencioso como escritor. Mas eu sou muito, muito mais tendencioso como leitor. E eu sou ainda mais tendencioso enquanto cidadão britânico.

E estou aqui dando essa palestra hoje a noite sob os auspícios da Reading Agency: uma instituição filantrópica cuja missão é dar a todos as mesmas oportunidades na vida, ajudando as pessoas a se tornarem leitores entusiasmados e confiantes. Que apoia programas de alfabetização, bibliotecas e indivíduos e arbitrária e abertamente incentiva o ato da leitura. Porque, eles nos dizem, tudo muda quando lemos.

E é sobre essa mudança e este ato de leitura que quero falar hoje a noite. Eu quero falar sobre o que a leitura faz. O porquê de ela ser boa.

Neil GaimanUma vez eu estava em Nova York e ouvi uma palestra sobre a construção de prisões particulares – uma ampla indústria em crescimento nos Estados Unidos. A indústria de prisões precisa planejar o seu futuro crescimento – quantas celas precisarão? Quantos prisioneiros teremos daqui 15 anos? E eles descobriram que poderiam prever isso muito facilmente, usando um algoritmo bastante simples, baseado em perguntar a porcentagem de crianças de 10 e 11 anos que não conseguiam ler. E certamente não conseguiam ler por prazer.

Não é um pra um: você não pode dizer que uma sociedade alfabetizada não tenha criminalidade. Mas existem correlações bastante reais.

E eu acho que algumas destas correlações, a mais simples, vem de algo muito simples. As pessoas alfabetizadas leem ficção.

A ficção tem duas utilidades. Primeiramente, é uma uma porta entrada viciante para leitura. O desejo de saber o que acontece em seguida, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em perigo e você precisa saber como tudo vai acabar… Este é um desejo muito real. E te força a aprender novos mundos, a pensar, a continuar. Descobrir que a leitura por si é prazerosa. Uma vez que você aprende isso, você está no caminho para ler de tudo. E a leitura é a chave.

Neil Gaiman, New Reading(…) Quadrinhos tem sido acusados de promover o analfabetismo. É tosco. É arrogante e é burro. Não existem autores ruins para crianças, que as crianças gostem e querem ler e buscar, por que cada criança é diferente. (…) Adultos bem intencionados podem facilmente destruir o amor de uma criança pela leitura: parar de ler pra eles o que eles gostam, ou dar a eles livros ‘chatos mas que valem a pena’ que você gosta, os equivalentes “melhorados” da literatura Vitoriana do século XXI. Você acabará com uma geração convencida de que ler não é legal e pior ainda, desagradável.

(…) E a segunda coisa que a ficção faz é construir empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, você está olhando para coisas acontecendo a outras pessoas. Ficção de prosa é algo que você constrói a partir de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, você sozinho, usando a sua imaginação, cria um mundo e o povoa e olha através dos olhos de outros. Você sente coisas, visita lugares e mundos que você jamais conheceria de outro modo. Você aprende que qualquer outra pessoa lá fora é um eu, também. Você está sendo outra pessoa e quando você volta ao seu próprio mundo, você estará levemente transformado.

(…)  Você também está descobrindo algo enquanto lê que é de vital importância para fazer o seu caminho no mundo. E é isto: O mundo não precisa ser assim. As coisas podem ser diferentes.

chinaEu estive na China em 2007 na primeira convenção de ficção científica e fantasia aprovada pelo partido na história da China. E em algum momento eu tomei um alto oficial de lado e perguntei a ele “Por que? A ficção científica foi reprovada por tanto tempo. Por que isso mudou?”. É simples, ele me disse. Os chineses eram brilhantes em fazer coisas se outras pessoas trouxessem os planos para eles. Mas eles não inovavam e não inventavam. Eles não imaginavam. Então eles mandaram uma delegação para os Estados Unidos, para a Apple, para a Microsoft, para o Google, e eles perguntaram às pessoas de lá que estavam inventando seu próprio futuro. E eles descobriram que todos eles leram ficção científica quando eram meninos e meninas. A ficção pode te mostrar um outro mundo. Pode te levar para um lugar que você nunca esteve.  (…)

Outra forma de destruir o amor de uma criança pela leitura, claro, é se assegurar de que não existam livros de nenhum tipo por perto. E não dar a elas nenhum lugar para que leiam estes livros. Eu tive sorte. Eu tive uma biblioteca local excelente enquanto eu cresci. Eu tive o tipo de pais que podiam ser persuadidos a me deixar na biblioteca no caminho do trabalho deles nas férias de verão, e o tipo de bibliotecários que não se importavam que um menino pequeno e desacompanhado ficasse na biblioteca das crianças todas as manhãs e ficasse mexendo no catálogo de cartões, procurando por livros com fantasmas ou mágica ou foguetes neles, procurando por vampiros ou detetives ou bruxas ou fantasias. E quando eu terminei de ler a biblioteca de crianças eu comecei a de adultos.

Eles eram ótimos bibliotecários. Eles gostavam de livros e eles gostavam dos livros que estavam sendo lidos. Eles me ensinaram como pedir livros das outras bibliotecas em empréstimo inter-bibliotecas. Eles não eram arrogantes em relação a nada que eu lesse. Eles pareciam apenas gostar do fato de existir esse menininho de olhos arregalados que amava ler, e conversariam comigo sobre os livros que eu estava lendo, achariam pra mim outros livros em uma série, eles ajudariam. Eles me tratavam como outro leitor – nem mais, nem menos – o que significa que eles me tratavam com respeito. Eu não estava acostumado a ser tratado com respeito aos oito anos de idade.

BibliotecaxxxMas as bibliotecas tem a ver com liberdade. A liberdade de ler, a liberdade de ideias, a liberdade de comunicação. Elas tem a ver com educação (que não é um processo que termina no dia que deixamos a escola ou a universidade), com entretenimento, tem a ver com criar espaços seguros e com o acesso à informação.

(…)  Nos últimos anos, mudamos de uma economia de escassez da informação para uma dirigida por um excesso de informação. De acordo com o Eric Schmidt do Google, a cada dois dias agora a raça humana cria tanta informação quanto criávamos desde o início da civilização até 2003. Isto é cerca de cinco exobytes de dados por dia, para vocês que mantém a contagem. O desafio se torna não encontrar aquela planta escassa crescendo no deserto, mas encontrar uma planta específica crescendo em uma floresta. Precisaremos de ajuda para navegar nesta informação e achar a coisa que precisamos de verdade.

Bibliotecas são lugares que pessoas vão para obter informação. Livros são apenas a ponta do iceberg da informação: eles estão lá, e bibliotecas podem fornecer livros gratuitamente e legalmente. Crianças estão emprestando livros de bibliotecas hoje mais do que nunca – livros de todos os tipos: de papel e digital e em áudio. Mas as bibliotecas também são, por exemplo, lugares onde pessoas que não tem computadores, que podem não ter conexão à internet, podem ficar online sem pagar nada: o que é imensamente importante quando a forma que você procura empregos, se candidata para entrevistas ou aplica para benefícios está cada vez mais migrando para o ambiente exclusivamente online. Bibliotecários podem ajudar estas pessoas a navegar neste mundo.

Eu não acredito que todos os livros irão ou devam migrar para as telas: como Douglas Adams uma vez me falou, mais de 20 anos antes do Kindle aparecer, um livro físico é como um tubarão. Tubarões são velhos: existiam tubarões nos oceanos antes dos dinossauros. E a razão de ainda existirem tubarões é que tubarões são melhores em serem tubarões do que qualquer outra coisa que exista. Livros físicos são durões, difíceis de destruir, resistentes à banhos, operam a luz do sol, ficam bem na sua mão: eles são bons em ser livros, e sempre existirá um lugar para eles. Eles pertencem às bibliotecas, bem como as bibliotecas já se tornaram lugares que você pode ir para ter acesso à ebooks, e audio-livros e DVDs e conteúdo na web.

(…) As bibliotecas realmente são os portais para o futuro. É tão lamentável que, ao redor do mundo, nós observemos autoridades locais apropriarem-se da oportunidade de fechar bibliotecas como uma maneira fácil de poupar dinheiro, sem perceber que eles estão roubando do futuro para serem pagos hoje. Eles estão fechando os portões que deveriam ser abertos.

(…) Livros são a forma com a qual nós nos comunicamos com os mortos. A forma que aprendemos lições com aqueles que não estão mais entre nós, que a humanidade se construiu, progrediu, fez com que o conhecimento fosse incremental ao invés de algo que precise ser reaprendido, de novo e de novo. Existem contos que são mais velhos que alguns países, contos que sobreviveram às culturas e aos prédios nos quais eles foram contados pela primeira vez.

Eu acho que nós temos responsabilidades com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos que essas crianças se tornarão, com o mundo que eles habitarão. Todos nós – enquanto leitores, escritores, cidadãos – temos obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.

Eu acredito que temos uma obrigação de ler por prazer, em lugares públicos e privados. Se lermos por prazer, se outros nos verem lendo, então nós aprendemos, exercitamos nossas imaginações. Mostramos aos outros que ler é uma coisa boa.

Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de encorajar outras pessoas a utilizarem bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza bibliotecas então você não valoriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.

Roedores Reforma 09Temos a obrigação de ler em voz alta para nossas crianças. De ler pra elas coisas que elas gostem. De ler pra elas histórias das quais já estamos cansados. Fazer as vozes, fazer com que seja interessante e não parar de ler pra elas apenas porque elas já aprenderam a ler sozinhas. Use o tempo de leitura em voz alta para um momento de aproximação, como um tempo onde não se fique checando o telefone, quando as distrações do mundo são postas de lado.

Temos a obrigação de usar a linguagem. De nos esforçarmos: descobrir o que as palavras significam e como empregá-las, nos comunicarmos claramente, de dizer o que estamos querendo dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta que deve ser reverenciada, mas devemos usá-la como algo vivo, que flui, que empresta palavras, que permite que significados e pronúncias mudem com o tempo.

(…) Temos a obrigação de entender e reconhecer que enquanto escritores para crianças nós estamos fazendo um trabalho importante, porque se nós estragarmos isso e escrevermos livros chatos que distanciam as crianças da leitura e de livros, nós estaremos menosprezando o nosso próprio futuro e diminuindo o deles.

Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.

(…) Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.

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Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia. “Se você quer que crianças sejam inteligentes”, ele disse, “leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”. Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender.

Crítica: Homens-Aranha

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O universo Ultimate ou Ultiverso surgiu em 2000 para atualizar a mitologia da Mavel e reformular algumas ideias e conceitos criados ainda na década de 1960. De quebra, pretendia atrair novos leitores, com uma linguagem mais atual e super-heróis recriados neste século. Com erros e acertos, o resultado foi muito positivo.

O Ultiverso emplacou sucessos editoriais como Supremos e Homem-Aranha Ultimate, e suas ideias serviram de base para inúmeros desenhos e filmes da Marvel. Esse novo fôlego deu margem para os roteiristas continuarem arriscando novos caminhos para os personagens já consagrados, sem mexer com a mitologia do universo Marvel conhecido.

Um bom exemplo foi a jogada editorial de alto risco que matou o Peter Parker do Ultiverso, em um evento publicado no Brasil na edição 25 de Marvel Ultimate de julho de 2012 — edição, diga-se de passagem, esgotada no Brasil.

Risco porque uma das características mais interessantes do Ultiverso é de que os super-heróis mortos não retornam, por isso, a morte do Homem-Aranha abriu espaço para novo herói que começou a surgir a partir do número 28 de Marvel Ultimate, com um garoto negro chamado Miles Morales, um dos personagens mais bacanas que surgiram nos últimos anos nas HQs.

Na edição especial Homens-Aranha há um inusitado encontro de Peter Parker, o Homem-Aranha do universo Marvel tradicional (cujo nome é Universo Marvel 616) com o novo Homem-Aranha do Ultiverso, o jovem Miles Morales. É uma HQ divertida, escrita por Bendis e ilustrado pela Sara Pichelli.

Ao perseguir o vilão Mystério — mais estranho do que o habitual — Peter Parker é arremessado acidentalmente em um mundo parecido com o seu, mas com diferenças marcantes. Nesse estranho universo, o Homem-Aranha morreu, revelando ao mundo sua identidade secreta: a versão adolescente de Peter Parker. Agora, seu legado é mantido por um estudante chamado Miles Morales, com um novo uniforme do Amigão da Vizinhança, e as mesmas grandes responsabilidades.
Além do estranhamento inicial entre os “Homens-Aranha” há toda uma carga emocional entre ambos, já que ao ser morto, o Peter Parker adolescente se tornou reverenciado pelos heróis do Ultiverso, principalmente por Morales. Agora, Peter Parker precisa ajudar Morales a encontrar Mystério, derrotá-lo e voltar ao seu lugar.

As comparações divertidas entre os vários super-heróis dos dois universos, os combates, as referências e a camaradagem, dão a tônica da aventura. Ficamos com a sensação de que a HQ serve para que o Peter Parker tradicional dê sua “bênção” ao novo Homem-Aranha do Ultiverso.

É diversão garantida para os fãs do Cabeça de Teia e principalmente para os fãs do novo Homem-Aranha, como esse Editor que vos escreve.

Serviço:

Homens-Aranha (reúne as edições norte-americanas de Spider-Men #1 a #5)
Edição especial, formato americano, 108 páginas, papel LWC, R$ 17,90. Está nas bancas, mas tem distribuição setorizada.

Superman: 75 anos em 2 minutos

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O vídeo vem circulando na internet desde o último domingo (13).

Produzido por Zack Snyder e Bruce Timm – dois nomes fortes ligados à mitologia recente do Superman – a animação de dois minutos homenageia o primeiro e maior super-herói de todos os tempos. Superman completou 75 anos de publicação em 2013.

A homenagem incluir numerosas referências. “A ideia foi começar com Siegel e Shuster e terminar com Henry Cavil, passando pelos pontos altos e momentos icônicos entre eles”, disse Timm ao site EW.

De fato, há de tudo um pouco: os desenhos animados dos estúdios Fleischer nos anos 1940, a encarnação de George Reeves e, claro, a de Christopher Reeve, o desenho Superamigos, a morte do Superman nos quadrinhos, a série Reino do Amanhã e a fase atual Novos 52.

As cenas são embaladas por uma fusão do tema clássico do Superman criado por John Williams para o filme de 1978 e a trilha sonora de O Homem de Aço, de Hans Zimmer.

Para os fãs, uma das diversões é justamente identificar esses momentos durante a animação. E também aqueles que faltam.

As versões live action de Brandon Routh e Dean Cain, por exemplo, ficaram de fora. “As pessoas vão se indagar sobre isso: por que isto está na animação e isto não?”, comentou Timm. “Tivemos um monte de reuniões para discutir o que tinha que ser incluído, e o que seria legal estar, mas não era absolutamente essencial”.

Mesmo com algumas ausências caras a parte dos fãs, uma coisa é fato: impossível não adorar e se emocionar com esta homenagem.

O curta animado será exibido hoje (16) no canal Cartoon Network americano e incluído no Blu-Ray de O Homem de Aço, a ser lançado em novembro.

Vale o Investimento: Terra Verde

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A Floresta Amazônica é uma área encravada em nosso país, palco de antigas discussões acaloradas e de conflitos mortais. Graças a toda essa beleza, violência e segredos, não é exagero dizer que a Amazônia está no imaginário de estrangeiros e de brasileiros, sobretudo a população urbana do Sudeste do país, que tem pouco ou nenhum contato com a floresta e está há anos luz de sua realidade.

Este editor que vos fala teve um pequeno contato com a Amazônia, graças aos belíssimos romances do manauara Milton Hatoum, que deleitam o leitor e aguçam ainda mais o interesse nesse ambiente.

Suas populações, o cotidiano, as contradições de como a exploração dos amplos recursos naturais seguem em contraste com a necessidade da preservação de bio espécies, colocam a Amazônia nos noticiários das maiores cidades do Brasil, ora falando dos conflitos, ora reafirmando sua posição como tesouro do planeta.

É neste cenário que Terra Verde — conto vencedor do III Festival Universitário de Literatura na categoria Novela — surge.

Relançado pela editora Draco em um livro simples, com uma bela capa, Terra Verde se apropria da imensidão do cenário e conflitos amazônicos para levar uma nova equipe de exploradores à floresta. A Amazônia dos garimpeiros, índios, aventureiros e prostitutas, é o lugar onde aliens aportam para aprender sobre nosso mundo, nossas espécies e evoluir eles mesmos, em novos estágios de existência.

O Explorador, que utiliza um humano como hospedeiro, precisa sobreviver diante do conflito entre garimpeiros e índios. Sensibilizado com os problemas da humanidade, esse Explorador será obrigado a escolher entre os propósitos que o trouxeram a esse mundo ou transformar para a comunidade que conheceu.

No limite preciso e entre a narrativa da realidade e a ficção científica, a história é muito bem conduzida. Os personagens interessantes, parecem ter saído das páginas dos jornais que tratam dos conflitos reais, mostrando as angústias de homens e mulheres que vivem nesta região.

Roberto Causo se destaca novamente com um texto seguro, fluído, usando a ficção científica como uma metáfora que dá voz aos explorados e dispõe a sociedade brasileira — no papel de extraterrena — exigindo desta sociedade uma decisão: agir ou se omitir sob o perigo de não “evoluir” como espécie. Por todos esses elementos, Terra Verde é um livro instigante, divertido e vale o investimento. Mais informações no site da editora Draco.

Morre Antonio Luiz Cagnin, pioneiro no estudo dos quadrinhos no Brasil

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A triste notícia chegou por meio da página do Facebook de Sonia Bibe Luyten, também ela respeitada pesquisadora da Nona Arte.

Cagnin estava com 83 anos. É dele o primeiro estudo semiológico sobre a linguagem dos quadrinhos no País. Alguns pesquisadores o precederam – Moacy Cyrne, Álvaro de Moya, Zilda Augusta Anselmo e a própria Sonia Luyten – mas a diferença é que Cagnin lançou um olhar acadêmico sobre a estrutura narrativa dos quadrinhos, seus vários elementos e como eles se relacionam para contar uma história.

Sua tese, que teve como orientador ninguém menos que o escritor e crítico Antônio Cândido, virou o livro Os Quadrinhos, em 1975.

Cagnin introduziu a linguagem dos quadrinhos em suas aulas de Língua e Literatura Portuguesa; em 1984, ingressou no departamento de Cinema, Rádio e TV da Universidade de São Paulo e logo no primeiro ano assumiu a disciplina de Quadrinhos.

Em 1986, durante suas pesquisas, deparou-se com a obra de Angelo Agostini, considerado o precursor dos quadrinhos no Brasil e até, talvez, no mundo. A paixão e dedicação de Cagnin ao tema o tornaram o maior especialista brasileiro em Agostini.

Infelizmente, o professor partiu sem ter conseguido concretizar o projeto de reeditar Os Quadrinhos. O livro está esgotadíssimo e hoje é considerado item raro.

Uma amostra do que ele apresenta pode ser vista em outro livro, bem mais recente: A Leitura dos Quadrinhos, do jornalista e professor Paulo Ramos, que tem a obra de Cagnin como importante fonte bibliográfica.

Também vale muito a pena ler a extensa entrevista de Cagnin ao cartunista Márcio Baraldi em 2010 (aqui).

Graphic novel dos Vingadores chega simultaneamente ao Brasil e EUA

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Em abril deste ano, Papo de Quadrinho anunciou que a Marvel voltaria a produzir uma série de graphic novels. Numa parceria com a Panini internacional, o lançamento aconteceria no início de outubro em vários países simultaneamente aos Estados Unidos.

Pois bem, a promessa foi cumprida. A Panini Brasil acaba de anunciar que Vingadores: Guerra Sem Fim chega nesta semana às bancas, com distribuição nacional.

O roteiro é de Warren Ellis, com arte de Mike McKone. Tem prefácio do ator Clark Gregg (que interpreta o agente Coulson, da SHIELD, no cinema e na TV) e posfácio de Stan Lee.

O melhor desta notícia é que Vingadores: Guerra Sem Fim tem tamanho grande (18,5 x 27,5 cm), acabamento premium, capa dura e um precinho camarada de R$ 24,90 por 124 páginas de história.

A edição oferece ainda volume extra de por meio do aplicativo Marvel AR, que inclui coletânea de capa e informações de bastidores.

HQ “As Barbas do Imperador” sai pela Quadrinhos na Cia

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A historiadora Lilia Moritz Schwarcz e o quadrinhista Spacca são os melhores no que fazem, e o que eles fazem é tudo de bom.

O primeiro fruto desse “casamento” se deu em 2008, com o ótimo D. João Carioca, sátira histórica da chegada da família imperial ao Brasil e do Primeiro Império.

Agora, a Quadrinhos na Cia. – divisão de quadrinhos da Companhia das Letras – lança o mais recente trabalho da dupla: a adaptação do livro de Lilia, As Barbas do Imperador.

A obra é um deleite. A autora mistura pesquisa rigorosa com uma prosa solta para descrever e fazer revelações sobre o Segundo Império – uma das épocas de maior desenvolvimento tecnológico e cultural do nosso país.

Tomando por base o trabalho em D. João Carioca, o que se pode esperar da quadrinhização de Spacca é mais uma obra-prima, com ampla pesquisa de figurinos, objetos, construções e costumes – e muito, muito humor.

As Barbas do Imperador tem 144 páginas, formato 21 x 28 cm, capa e miolo coloridos e preço de R$ 49. A editora não confirmou a data de lançamento.

5 perguntas para Hector Lima

hector-jaqueta-200x300Hector Lima tem uma longa ficha corrida de serviços prestados à divulgação da Cultura Pop e da produção de Quadrinhos nacionais. É jornalista, tradutor e DJ; como roteirista de quadrinhos, Hector foi publicado nas coletâneas britânicas Just 1 Page #2 e #4, Commercial Suicide #1 e #2 e nas brasileiras FRONT #9 [conto em prosa] e Manticore #3.

Sua webcomic de ação O Major foi publicada semanalmente no site estadunidense Komikwerks e depois impressa pelos selos Smashout e Ronin Studios.

Desta vez, Hector atacou como editor-coordenador, cotradutor e roteirista da excelente coletânea digital INKSHOT, lançada pela editora norte-americana MonkeyBrain no site Comixology.

Hector Lima responde 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1. Como surgiu esse trabalho com a editora MonkeyBrain?

Hector: A INKSHOT estava pronta desde 2010/2011 e seria lançada em livro impresso pela editora norte-americana IDW. Mas ela desistiu por achar arriscado lançar um livro com tantos autores desconhecidos. No fim de 2012, fiz contato com a MonkeyBrain por gostar de seus gibis e por ela ter se destacado no cenário com lançamentos digitais. O custo para lançar é zero, então arrisquei e o editor adorou as histórias.

2. Como foi o processo de seleção dos autores brasileiros?

Com a ajuda de Pablo Casado, Felipe Cunha e George Schall — com quem depois eu fiz Sabor Brasilis — escrevi para vários autores pedindo histórias entre 3 e 5 páginas sem tema, estilo ou gênero definido, mas que puxassem pela criatividade — o que acabou virando até tema de alguns dos trabalhos. Fiz questão de formar duplas de roteiristas e desenhista em alguns casos, para valorizar o trabalho de quem escreve, e assim chegamos nessas mais de 200 páginas de gibi.

3. Você acha que essas coletâneas digitais têm futuro enquanto produto final, ou apenas a título de divulgação para que mais adiante outros brasileiros sejam publicados em papel nos EUA?

Eu adoro coletâneas de todo tipo, são sempre celeiro de novos autores e fonte de material criativo muito interessante. A nova Dark Horse Presents, por exemplo, é uma das revistas mais legais do mercado atualmente (nosso colaborador George Schall publicou este ano lá) e oferece um respiro quando se está cansado da mesmice.

Do ponto de vista comercial acho que as coletâneas funcionam mais como exposição mesmo, são notoriamente uma “venda difícil” em todos os sentidos. Mas uma das inspirações da INKSHOT são os anuários de ilustradores e designers, então nesse sentido ela pode cumprir seu papel de mostrar novos autores ao público. No Brasil meio que já cumpriu em parte esse papel: alguns dos colaboradores dos três álbuns MSP saíram de um embrião da INKSHOT que o Sidney Gusman (coordenador editorial da Mauricio de Sousa Produções) viu há alguns anos.

4. O DRM (Digital Rights Management) é uma proteção paliativa, qualquer criança com algum conhecimento de informática sabe como burlar. Temos iniciativas totalmente abertas como a HQ The Private Eye de Brian K. Vaughn e Marcos Martin, onde você literalmente paga o que achar justo ou nem precisa pagar, colocando o leitor em uma armadilha moral. Você acredita que o público já está mais maduro para encarar a HQ digital como um produto bem feito e pagar por ele o preço justo?

Hoje em dia estamos mais acostumados a pagar pelo que achamos na internet. É tudo muito novo e ainda vai melhorar. Os gibis lançados digitalmente na Comixology são muito baratos, não envolvem custos de impressão e correio; eu, por exemplo, já me acostumei a comprar por lá. O sistema e o processo lembram o do iTunes ou Amazon. A questão da DRM é chata, mas é o preço que o autor paga por estar em um sistema com tanta exposição.

A Image Comics tem vendido seus gibis pela Comixology, mas também pelo seu site, sem proteção de DRM e com uma porcentagem maior de lucro para os autores. A Dark Horse também, mas no caso só vende por aplicativo próprio.

No Brasil, acho que estamos nos acostumando aos poucos a pagar pelo que vemos na internet. Conheço gente que baixa cada vez menos filmes e séries porque fez uma assinatura da Netflix, por exemplo, que não permite mandar os arquivos para os amigos. Tudo vai depender de qual modelo vai ser o mais fácil de ser usado e o mais adotado pelas pessoas.  A Comixology é muito prática, você pode ler as revistas na web, no computador, tablet ou celular, logando de qualquer lugar.

5. Alguma chance desses projetos se tornarem HQs impressas, ou não é necessário?

Pessoalmente gostaria que a INKSHOT tivesse versão impressa. A MonkeyBrain fez um ano e começou parcerias com algumas editoras como Image e (ironicamente) a IDW, para lançar coleções de certos títulos. Por ora, na versão digital, a coletânea pode ir mais longe e ser acessada por qualquer pessoa ao redor do mundo. Ainda não temos dados de vendas da MonkeyBrain, mas pra se ter uma ideia os países que mais acessam nosso blog de previews são Brasil, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, Portugal, Canadá… vai saber onde os gibis brasileiros podem chegar.