Revista O Grito!

“O Doutrinador”: justiça pelas próprias mãos

doutrinador

O Doutrinador é mais um exemplo, entre muitos, da relevância da internet para a produção independente de quadrinhos.

O designer gráfico Luciano Cunha percorreu a via crucis de todo quadrinhista talentoso com uma ideia na cabeça e um pincel na mão. Bateu à porta de várias editoras e recebeu as negativas de praxe.

No seu caso, há uma agravante. O Doutrinador é protagonizado por um tipo específico de justiceiro: um assassino a sangue-frio de políticos corruptos e daqueles que se empoleiram no poder para benefício próprio.

No primeiro tratamento da obra, lembra Luciano no posfácio, ele manteve não só a aparência das vítimas, conhecidos políticos brasileiros, mas também seus nomes verdadeiros. Não é mesmo o tipo de trabalho que uma editora aceitaria.

A saída foi publicar na internet, já com mudanças, primeiro na linha do tempo do autor no Facebook, depois numa fanpage (que conta hoje com mais de 34 mil seguidores), e finalmente num site próprio.

Os primeiros capítulos de O Doutrinador começaram a ser postados em abril de 2013. Dois meses depois, as manifestações de rua que se espalharam por todo o país potencializaram a audiência do personagem.

Nem dá para chamar de “golpe de sorte”. À sua maneira, tanto a obra de Luciano quanto os protestos têm a mesma origem: o descontentamento com seguidos desmandos da classe política.

Com a popularidade crescente e a história concluída – e ainda sem uma editora interessada – Luciano partiu para a produção independente e lançou seu personagem em versão impressa, uma edição caprichada com 84 páginas, papel de qualidade, capa e miolo coloridos.

Nossa opinião

O Doutrinador é uma obra de ficção e, como tal, deve ser analisada pelo seu caráter simbólico. A obra expressa o justo sentimento de revolta contra o Estado burocrático, corrupto e injusto, que cobra altos impostos e não oferece a contrapartida adequada em saúde, educação, segurança e bem-estar.

Expressa, também, a dificuldade de certos grupos e pessoas em conviver no ambiente democrático. Ao assumir o papel de juiz, júri e carrasco, por conta própria e sem legitimidade, o Doutrinador adquire ares de fascismo e age da mesma forma, ou pior, do que aqueles que combate.

O Doutrinador é o terrorista V num regime democrático; é o Justiceiro que mata corruptos, mas ignora o bandido comum. Com o personagem da Marvel, guarda mais uma coincidência: sua motivação política nasce da perda pessoal; sem ela, talvez continuasse cego às injustiças sociais.

Luciano tem traço preciso e domínio narrativo. Ousa na diagramação, nos ângulos e faz bom uso dos recordatórios. O Doutrinador é uma obra que merece ser lida, conhecida, não só pelo esforço do autor em publicá-la, mas também por suas qualidades como narrativa gráfica.

O personagem tem o direito de ser julgado pelos leitores. Um julgamento que o próprio Doutrinador nem sempre garante às suas vítimas.

5 Perguntas para André Morelli

Herois-dos-Animes_-001-capa

André Morelli é um colaborador de primeira hora da revista Mundo dos Super-Heróis e autor dos livros Super-Heróis nos Desenhos Animados e Super-Heróis no Cinema e nos Longas-metragens da TV da Editora Europa.

Morelli se especializou em pesquisas sobre Cultura Pop, emoldurada em um texto ágil, bem escrito e bem apurado. Agora, ele ataca com seu mais novo livro: Heróis dos Animes (Editora Europa, 144 págs., R$ 24,99) um obra bonita, que foca nos Animes. São fichas completas com nomes originais das séries, sinopses, datas de lançamento e curiosidades. Indispensável para os fãs do gênero. Papo de Quadrinho não perdeu a oportunidade de fazer 5 perguntas para o amigo e escritor:

1 — Os animes arrebataram o público jovem. A que você atribui esse interesse por mangás e animes?

Acredito que um ponto importante para entender essa popularidade é perceber que não estamos falando de um único grupo. Apesar de apresentarem muitas características em comum, os fãs de animes e mangás acabam se dividindo em uma série de subgrupos, cada um com seu gênero favorito: comédia, romance, luta, ficção científica, terror, esportes… A diversidade de temas é provavelmente a maior arma dos japoneses para alcançar diferentes públicos.

2 — Tecnicamente o que evoluiu nos animes, a narrativa, o desenho…?

Talvez a principal diferença seja uma tendência a padronização nos estúdios ocidentais. Ao contrário dos estúdios japoneses, que costumam imprimir características fortes em cada uma de suas produções, é difícil perceber o mesmo processo em estúdios ocidentais, a não ser em trabalhos mais autorais ou longas-metragens. Outra diferença fundamental está nos roteiros. Mesmo em um anime para crianças, os roteiristas não veem problemas em adicionar drama ou discutir temas considerados tabus como morte e sexualidade. O Japão é um país budista, com outra visão a respeito de uma série de temas.

Herois-dos-Animes_-006

3 — Como você  se apaixonou pelos animes?

Não me considero um apaixonado e sim um grande admirador. Como qualquer pessoa da minha geração, fui fisgado por séries com Sawamu, Patrulha Estelar e Pirata do Espaço. Mas naquela época a noção de que essas séries eram animes ainda era muito vaga. Pra mim a identificação do gênero só aconteceu mais tarde, com a série Zillion.

4 — Porque os Animes são mais atraentes para os jovens que os desenhos animados Ocidentais?

Porque os animes normalmente apresentam um visual mais arrojado e histórias menos unidimensionais.
Quanto à questão técnica, se tornou difícil bater os asiáticos. Tanto que desde os anos 1980 que algumas produções norte-americanas e europeias são animadas na Ásia, como é o caso dos Thundercats e até mesmo dos Simpsons. Atualmente, a Coreia do Norte e a Coreia do Sul se transformaram em grandes fornecedores de mão de obra para o mercado de animação, aliando qualidade técnica a custos baixos.

5 — indique para nossos leitores três animes clássicos, três novos e três heróis.

Clássicos: A Princesa e o Cavaleiro, Speed Racer e Patrulha Estelar

Contemporâneos: Cowboy Bebop, Fullmetal Alchemist: Brotherhood e Death Note.

Heróis: Goku (Dragon Ball), Yusuke (Yu Yu Hakusho) e Astro (Astro Boy).

Mauricio de Sousa lança concorrente da “Capricho”

Tina_capa

O quadrinhista-empresário e sua equipe não brincam em serviço. Chegou neste mês às bancas a revista Tina, estrelada pela personagem criada na década de 1970, em roupagem nova, e voltada para meninas pré-adolescentes e adolescentes.

Mauricio já abocanhou uma parte deste segmento com o bem sucedido projeto Turma da Mônica Jovem. A inovação, agora, são as 19 páginas (de um total de 64) de conteúdo editorial, com matérias de interesse do público-alvo: personalidade (Jennifer Lawrence), namoro, blogueiras, produção de moda e beleza, teste de comportamento, amizade, pets e saúde da mulher.

Com Tina, os Estúdios Mauricio de Sousa passam a disputar um nicho editorial relevante, hoje dominado pela revista Capricho, seguida de publicações como Toda Teen, Atrevida, Yes Teen e outras.

A parte dedicada aos quadrinhos também apresenta inovações. Tina ganha visual descolado, cursa Jornalismo (parece que a profissão ainda tem seu charme entre os jovens), é apaixonada por moda e entra numa nova fase da vida adulta: morar sozinha (ou quase). A arte é totalmente digital e abre caminho para animações e games no futuro.

Outra investida não declarada, mas provável, é na área de licenciamento. Do logo da revista ao visual da personagem, Tina nasce pronta para estampar cadernos, bolsas e camisetas para adolescentes.

Com o lançamento, ganham todos: as jovem leitoras, que passam a ter mais uma opção e, quem sabe, até peguem gosto por histórias em quadrinhos; o mercado anunciante, com mais um veículo para explorar; Mauricio de Sousa, que consolida e até mesmo amplia sua penetração nesta faixa etária; e a Panini, que ganha um produto de combate num segmento em que até então não atuava.

Tina tem 64 páginas, capa e miolo coloridos, formato revista (19,5 x 27,5 cm), periodicidade mensal e preço de R$ 6,50.

Crítica: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

x1

Atenção: contém doses leves de spoilers

A decisão do diretor Bryan Singer de unir duas gerações de heróis mutantes do cinema – os da primeira trilogia e os da franquia iniciada em 2011 em X-Men: Primeira Classe – foi, no mínimo, inusitada. E acertada, como os fãs poderão comprovar nesta sequência que entrou em cartaz na última sexta-feira (23) no Brasil.

O roteiro é adaptado da HQ homônima produzida por Chris Claremont e John Byrne nos anos 1980: num futuro sombrio dominado por robôs caçadores de mutantes, os Sentinelas, os poucos sobreviventes dos X-Men mandam um dos seus integrantes ao passado a fim de remodelar a História.

Neste futuro estão os personagens mais conhecidos do público – as versões mais velhas do Professor Xavier (Patrick Stewart), Tempestade, Homem de Gelo, Kitty Pride, Colossus e Magneto (Ian McKellen) – e também alguns rostos novos: Bishop, Blink, Mancha Solar e Apache.

É a época em que têm lugar as melhores cenas de ação. As batalhas contra os Sentinelas, avançadas máquinas de extermínio capazes de replicar qualquer poder mutante, são pura narrativa de quadrinhos.

No passado, vive o que sobrou do elenco de Primeira Classe: a versão jovem de Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), Fera e Mística. Aqui fica concentrada a parte mais dramática do filme. A pouca ação é compensada pela breve, porém marcante, participação do velocista Mercúrio.

Hugh Jackman é o único ator a interpretar o mesmo personagem, Wolverine, nas épocas distintas. É ele quem faz a viagem mental no tempo e tem a missão de impedir o assassinato que vai desencadear a supremacia dos Sentinelas.

Uma vez que a trama se desenrola quase toda no passado, o resultado de Dias de um Futuro Esquecido é muito mais um drama sobre pessoas do que uma aventura de super-heróis.

Mudança de foco

Pela primeira vez, um filme dos X-Men não coloca a intolerância como tema principal. Claro, a questão continua lá; a criação dos Sentinelas pelo cientista Bolivar Trask (Peter Drinklage) e sua aceitação por parte do governo têm como base o preconceito contra os mutantes e o temor de que venham a se tornar a raça dominante.

Mas X-Men: Dias de um Futuro Esquecido prefere concentrar-se numa questão mais humana: as escolhas que pessoas fazem todos os dias, e que modelam seu futuro e o de outras. Os protagonistas – Wolverine, Xavier, Magneto e Mística – precisam fazer suas escolhas, e sobre esta última recai a maior responsabilidade em relação ao futuro.

Paradoxo

Viagens no tempo sempre criam paradoxos. Ao final, muitos fãs podem se perguntar quanto da trilogia anterior ainda vale, o que se repetiu e o que deixou de acontecer na nova linha temporal.

Esse parece um nó difícil de desatar, e é provável que não se resolva. Ao corrigir o futuro, Bryan Singer aproveitou para consertar também a cronologia dos X-Men no cinema. Não foi 100% bem sucedido, mas amarrou algumas pontas soltas.

Ao que tudo indica, o diretor passa agora a olhar para frente e não deve investir mais energia em questões antigas. A cena pós-credito confirma o que ele revelou meses atrás: o próximo filme da franquia terá como focos o vilão Apocalipse e a origem da raça mutante.

A nova aventura dos X-Men no cinema deve agradar e desagradar partes iguais de fãs. Nesta última categoria estão os desapontados com a ação comedida, os que não aceitam as mudanças em relação à HQ original ou os que se incomodam com o protagonismo de Wolverine.

Bobagem. Dias de um Futuro Esquecido é um filmaço. Está mais alinhado com Primeira Classe do que com a primeira trilogia, tanto em termos de densidade do roteiro, quanto nas pequenas doses de humor. Mais alinhado com a proposta de Capitão América 2 – O Soldado Invernal do que com a de Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro. E isso diz muito sobre o tipo de fã que deseja agradar.

“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” tem ótima estreia nos EUA

D

O filme fez US$ 90,7 milhões entre os dias 23 e 25 de maio, segundo estimativa do site Box Office Mojo. Apesar do ótimo resultado, está abaixo dos US$ 100 milhões estimados por conta do fim de semana prolongado nos Estados Unidos – amanhã é comemorado o “Memorial Day”.

O primeiro fim de semana de Dias de um Futuro Esquecido ficou abaixo da estreia de outros filmes de super-heróis deste ano: Capitão América 2 (US$ 95 milhões) e Espetacular Homem-Aranha 2 (US$ 91,6 milhões), e também de Godzilla (US$ 93,2 milhões). Ou seja: perdeu só para os campeões e é a quarta maior abertura americana de 2014.

Na comparação com os demais filmes dos X-Men, perde apenas para O Confronto Final, de 2006 (US$ 102,7 milhões). Isso em termos nominais; em valores atualizados, fica atrás também de X-Men 2, de 2003 (US 112 milhões) e praticamente empata com X-Men: Origens: Wolverine, de 2009 (US$ 90,7 milhões).

A estimativa é que nos demais países, Dias de um Futuro Esquecido já faturou outros US$ 171 milhões.

Leia aqui nossa crítica de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

“Godzilla” faz R$ 9 milhões e lidera bilheteria brasileira no fim de semana

 G

A estreia ficou em primeiro lugar entre os dias 16 e 18 de maio, e desbancou O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro depois de duas semanas de liderança.

Leia nossa crítica de Godzilla aqui.

Ainda assim, não é um resultado estrondoso. A título de comparação, o filme do herói aracnídeo estreou com R$ 24,5 milhões, e no segundo final de semana, mesmo com um declínio de quase 60%, fez mais que Godzilla na abertura: R$ 9,8 milhões.

Nos Estados Unidos a situação é diferente. Lá, o filme do monstro gigante, que também estreou no dia 16, faturou US$ 93 milhões, e já é a segunda melhor abertura do ano, atrás apenas de Capitão América 2 – O Soldado Invernal.

Crítica: Homem-Aranha 2 reencontra o caminho do herói no cinema

The-Amazing-Spider-2

Marc Webb se redimiu. Pelo menos com a parcela de fãs que não gostou do primeiro filme de seu reboot, em 2012 – este editor entre eles (leia nossa crítica aqui).

Difícil dizer se o diretor ouviu os apelos destes fãs, se leu mais e melhores quadrinhos do aracnídeo ou simplesmente livrou-se do fantasma da trilogia anterior dirigida por Sam Raimi.

O fato é que O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro – que estreou no dia 1 de maio no Brasil e manteve a liderança na bilheteria pelos dois primeiros finais de semana – é tudo que seu antecessor não foi: leve, divertido, com doses certas de ação e drama (veja trailer abaixo).

Webb conseguiu, inclusive, cumprir a promessa feita desde o filme anterior, que é fazer a audiência sentir-se como o próprio Homem-Aranha enquanto ele balança pelos prédios de Nova York. Os momentos em que a computação gráfica funciona melhor causam o frio na barriga que o diretor vinha buscando.

O filme começa em ritmo acelerado — mesmo não tendo o herói no centro da ação — ao revelar o que aconteceu aos pais do menino Peter Parker, deixado para ser criado pelos tios.

Emenda com o Homem-Aranha em perseguição ao caminhão roubado pelo bandido russo Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti) numa sequência típica das histórias em quadrinhos, e conclui com um quase atraso de Peter Parker à própria formatura – numa clara referência, também aos quadrinhos, das dificuldades de conciliar a vida particular com a de super-herói.

Tudo funciona nesta continuação: o humor é orgânico; o tom sombrio cedeu lugar à fotografia clara, à paleta de cores vibrante. Webb livrou-se também da carga de tentar contar a história de forma “realista” – o que por si só uma contradição em se tratando da adaptação de um super-herói. As cenas de ação ganharam vários momentos alternados entre super câmera lenta e acelerada, recurso que, apesar de meio batido, ainda cai muito bem nesse tipo de aventura.

O que se salvava no filme anterior fica ainda melhor neste: as atuações e a química entre o casal Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone, lindíssima). Ambos se mostram muito à vontade nos papéis, e até Sally Field, que fez uma tia May apática, agora imprime mais vitalidade à sua personagem.

A escolha do vilão principal também ajuda. Max Dillon/Electro (Jamie Foxx) é mais interessante e foi mais bem construído e caracterizado que o Lagarto do primeiro filme. A estreia de Harry Osborn/Duende Verde (Dane DeHaan) na franquia como o amigo de infância de Peter é bem conduzida.

O único senão de O Espetacular Homem-Aranha 2 é a quebra de ritmo. Depois da abertura alucinante, o filme patina um pouco. Se já leva tempo construir um vilão trágico, imagine dois. É o que acontece quando a atenção se volta à origem e motivações do Electro e do Duende.

É tanto tempo investido nisso que ao retomar o ritmo, o final soa acelerado demais. A primeira batalha do Homem-Aranha com Electro na Times Square é mais trabalhada que a última, na usina. E o Duende Verde acaba desperdiçado numa luta curta e que serve apenas para fazer cumprir a tragédia que os fãs de quadrinhos suspeitavam.

Novamente nesta cena, Webb, Garfield e Emma voltam a brilhar. Diretor e atores conseguiram passar toda a carga dramática do mesmo acontecimento nas HQs, e de modo tão envolvente que as pequenas alterações em relação ao material original não interferiram.

Decorrido um intervalo após o clímax, o retorno do Homem-Aranha como o herói divertido que é, na conclusão contra o vilão Rino, dá o tom que deve prevalecer no próximo filme do herói aracnídeo.

Webb finalmente encontrou o caminho. Melhor que continue nele.

Quadrinhistas brasileiros brilham em Portugal

CARTAZ

André Diniz, Laudo Ferreira, Laerte Coutinho, José Aguiar, Klévisson Viana e Sama integram a comitiva que embarca para o X Festival Internacional de BD de Beja, de 31 de maio a 14 de junho.

Os artistas brasileiros participam de exposições, sessões de autógrafos e mesas redondas. No festival, Laudo lança e autografa (no dia 31) a conclusão de sua trilogia Yeshuah – onde tudo está, e, junto com Diniz, terá uma amostra do trabalho conjunto da dupla, Olimpo Tropical, a ser lançado pela Polvo Edições em Portugal.

Diniz ainda segue para o Festival Internacional de Livros e Filmes Étonnants-Voyageurs, em Saint-Malo, na França, onde acontece a exposição Photo de La Favela, com páginas de seu álbum Morro da Favela e fotos de Maurício Hora.

Crítica — Godzilla: uma nova era para os “Monster Movies”

Godzilla-new-poster

A convite da Warner, Cris Camargo viu uma exibição exclusiva.
Em respeito aos leitores sua resenha NÃO possui spoilers.

Godzilla surgiu há sessenta anos como uma metáfora da tragédia nuclear no Japão. O monstro levou todo o tipo de bomba na cabeça e enfrentou exércitos, aliens e dezenas de kaijus ao longo de seus 28 filmes.

Quase sucumbiu a uma tragédia cinematográfica em 1998, uma iguana choca do diretor Rolland Emmerich, hoje relegada ao desprezo pelos fãs. Mas o lagartão mostrou que é mais forte e agora retorna aos cinemas em uma versão atualizada e digna de quem é considerado o Rei dos Monstros. Sim, senhoras e senhores: Godzilla está de volta.

O diretor britânico Gareth Edwards – fã do personagem desde criança – é quem finalmente dá a Godzilla uma versão americana de respeito, principalmente no tratamento ao personagem. Foi um alívio confirmar que um dos maiores ícones da cultura pop agora está em boas mãos.

Trama atualizada, mas com referências

O filme começa em 1954, com um flashback através de imagens de arquivo mostrando que alguma coisa pré-histórica foi desperta no mar do Japão. A história salta para 1999, quando o Dr. Ishiro Serizawa (Ken Watanabe), da organização Monarch, visita um canteiro de obras nas Filipinas onde operários descobriram uma caverna formada por um gigantesco esqueleto fossilizado. Dentro dela encontram um casulo – aparentemente também fossilizado. Serizawa e sua ajudante descobrem que na verdade eram dois, e seja lá o que for que saiu do maior deles arrombou a caverna e abriu caminho em direção ao oceano.

Enquanto isso, no Japão, o físico Joe Brody (Bryan Cranston, absolutamente FANTÁSTICO) trabalha com sua esposa Sandra (Juliette Binoche) na usina nuclear de Janjira. Os dois têm um filho pequeno chamado Ford. Joe está preocupado com a atividade sísmica cada vez mais frequente na região, que pode afetar a usina, mas ninguém lhe dá ouvidos. A usina é destruída por algo que a princípio parece um terremoto. Sandra morre, a radiação se espalha (referências a Chernobyl e Fukushima), a cidade é evacuada e as autoridades alegam que o acidente foi causado por um desastre natural.

bryancranstonQuinze anos depois, Ford (numa atuação ruim de Aaron Taylor-Johnson) se torna soldado e pai de família.

Em São Francisco, Ford recebe um telefonema avisando que Joe foi preso ao tentar invadir a área de quarentena de Janjira. Quando o filho vai ao encontro do pai para libertá-lo,  Ford, que continua obcecado em descobrir a verdade, explica que nos últimos dias seu monitoramento detectou a emissão de ondas eletromagnéticas cada vez mais fortes na região. Ele convence o filho a acompanhá-lo à área de quarentena,  o que restou de sua antiga residência abandonada, mas são presos e levados para a central da Monarch, onde Joe encontra o Dr. Serizawa. Aos poucos a verdade se torna impossível de esconder, ou melhor dizendo, de conter. Joe não estava louco. Só que já era tarde demais.

O filme é um espetáculo visual, tecnicamente perfeito. O CGI é incrível e a edição de som faz com que você sinta o peso dos monstros. Isso sem falar nos rugidos. Não é preciso dizer que este filme precisa ser visto no cinema, na maior tela e com o melhor som possível.

Detalhes dos monstros, não revelados em trailers, clips e spots, trarão mais impacto das cenas de luta, já que as criaturas são assustadoras, e responsáveis pelas melhores cenas de mortes e destruição. A trilha sonora de Alexandre Desplat faz uma moldura competente e bonita ao filme.

A direção de Gareth Edwards evoca – e muito – clássicos de Steven Spielberg, como Tubarão, sugerindo em vez de escancarar tudo desde o início, provocando a plateia e fazendo a tensão e a expectativa crescente. Edwards já havia acertado em apresentar criaturas através da perspectiva humana em Monstros — e sua ideia  funciona melhor ainda em Godzilla, principalmente na sequência da Golden Gate. Impossível não se sentir dentro da cena.

Já Godzilla está mais realista do que nunca. Além de acertar no design, Gareth Edwards manteve a personalidade e os poderes do Big G. Este Godzilla é uma mistura de todas as encarnações do personagem ao longo de 28 filmes. As referências à franquia japonesa estão espalhadas e vão agradar aos fãs antigos.

Bryan Cranston e Juliette Binoche estão fantásticos, mas seus personagens não passam do primeiro ato, deixando o resto do filme para um elenco que não consegue cativar o espectador. Aaron Taylor-Johnson e sua cara permanente de pastel é péssimo. Boa parte do drama humano perde totalmente o impacto por conta de sua inexpressividade. Não poderiam ter escolhido ator pior para um papel tão importante. Você simplesmente não consegue torcer pelos personagens humanos. Por fim,  não chega a ser um ponto fraco, mas é preciso dizer que o 3D é dispensável.

Godzilla é um reboot digno do personagem, um ícone da cultura pop mundial que completa 60 anos.

O filme consolida um merecido renascimento não apenas para o monstro, mas também para todo um gênero cinematográfico em um caminho pavimentado por Círculo de Fogo (Pacific Rim) em 2013.
Além de corresponder à maioria das expectativas, deixa um forte gosto de “quero mais”, e claro, seu final abre inúmeras possibilidades de continuações e até mesmo de uma nova franquia.

Godzilla estreia nessa quinta, 15 de maio, no Brasil

“Reverendo” Fabio Massari entrevista Malcolm McLaren – em quadrinhos!

capa-Malcolm-baixaO apelido não lhe faz justiça. Massari está mais para “Papa” do jornalismo musical. Com passagem por todas as mídias – jornais, TV, rádio, Internet – levou adiante a missão de iluminar os cantos escuros do rock, o lado B da música.

Foi durante sua passagem pela MTV Brasil que Massari entrevistou o polêmico produtor e agitador cultural Malcolm McLaren, em 1995. A entrevista completa nunca foi ao ar, e chega agora, quase duas décadas depois, num formato inusitado para o meio: um livro em quadrinhos.

Malcolm está sendo lançado pela Edições Ideal dentro do selo autoral Mondo Massari, uma parceria entre editora e autor iniciada com o lançamento do livro Mondo Massari – Entrevistas, Resenhas, Divagações & Etc.

O livro tem 68 páginas, capa dura colorida e miolo em preto e branco. As ilustrações são de Luciano Thomé e o posfácio, do jornalista André Barcinski.

O primeiro lançamento de Malcolm acontece neste final de semana em São Paulo, dia 11, na Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37), das 14h às 18h.