Revista O Grito!

ProAC 2012: Maioria dos autores pede prorrogação de prazo

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Os cinco projetos contemplados em 2012 pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), projeto do Governo de São Paulo que financia a produção de histórias em quadrinhos, foram anunciados em novembro daquele ano.

O edital forneceu um prazo para conclusão dos projetos maior que nos anos anteriores: 12 meses em vez de 8. À época, a Secretaria de Cultura de São Paulo disse que a extensão se deu para atender um pedido dos autores.

Houve outras diferenças naquele ano. O número de projetos foi menor (5 no lugar de 10) e a verba para cada um foi maior: R$ 40 mil – até o ano anterior, era de R$ 25 mil.

O prazo para entrega das HQs do ProAC 2012 terminou no final de fevereiro.

Papo de Quadrinho apurou junto à Secretaria que apenas uma foi concluída no prazo regulamentar: Remy, de Júlia Bax, lançada em novembro do ano passado no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte.

Os demais autores solicitaram a prorrogação de 90 dias prevista no edital. Estes são os novos prazos de entrega:

22 de maio: A Vida de Jonas, de Magno Costa; Aos Cuidados de Rafaela, de Marco Oliveira e Marcelo Saravá; e Ronda Noturna, de Olavo Costa.

26 de maio: Quaisqualigundum, de Roger Cruz.

HQ de alunos da Quanta Academia tem lançamento nesta sexta-feira (14)

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Gibi Quântico foi produzido pela turma de Roteiro de Histórias em Quadrinhos ministrada por André Diniz.

Entre os roteiristas, há os profissionais Lillo Parra e Raphael Fernandes, além de Gustavo Aguilar, Alessio Esteves, Airton Marinho, Igor Damini, Liz Frizzine, Jujú Araújo, Jun Sugiyama e Tiago P. Zanetic.

A arte é dos também alunos e ex-alunos da Quanta Academia: Maurício Alves, Doug Dominicali, Tiago Silva, Leopoldo Alves, Diego Sazzo, Flavio Soares (do ótimo Vida com Logan), PriWi, Guilherme Petreca, Jefferson Costa (A Dama do Martinelli) e Ichirou.

A coletânea reúne dez histórias que vão do humor à ficção científica. A edição é de Raphael Fernandes e a capa, do professor André Diniz.

O lançamento acontece nesta sexta-feira (14) na Quanta Academia de Arte (Rua Dr. José de Queirós Aranha, 246 — Vila Mariana — São Paulo, SP — Próximo ao metrô Ana Rosa).

A revista tem 124 páginas em preto e branco, capa colorida, formato 13,5 x 20,5 cm e distribuição gratuita. No lançamento, será feito o esquema “pague quanto quiser”, para os interessados em colaborar financeiramente com o projeto.

Crítica: 02+01=00 de Amilcar Pinna

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Amilcar Pinna é um ilustrador com passagem por editoras mainstream como Marvel e DC, que lança agora sua primeira HQ autoral, “02+01=00″.

A HQ pode ser entendida como um mix de ficção científica, surrealismo e erotismo.
Pinna tem um domínio da narrativa que lhe permite contar a história sem diálogos e tanto seu estilo de enquadramento quanto sua técnica, lembram mestres da FC como Moebius e Bilal.
As cores chapadas intensificam a sensação de vazio, sobretudo no céu que nunca é colorido. Por carregar no erotismo, com personagens em atos explícitos, a HQ é sugerida para adultos.

Cabe a cada leitor tecer sua própria interpretação desta HQ de ficção científica, mas para esse editor,  02+01=00 é uma metáfora da participação humana neste pequeno planeta, com todas as suas passagens: o ciclo de contemplação, desejo, nascimento, o retorno à origem, (seja ela qual for) e o inevitável final de nossa espécie.

Serviço
02+01=00
Editora: independente
Páginas coloridas: 16
Formato: 21 X 28 cm
Preço sugerido: R$ 15,00
Para comprar encaminhe seu pedido para: amilcarpinna@gmail.com

Doctor Who: novas HQs em 2014

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O bom e velho Doutor é presença constante nos quadrinhos desde 1964, apenas um ano depois da estreia do seriado de TV na BBC.

Sua primeira aparição nessa mídia se deu na edição 674 da revista TV Comic, da TV Publications e, desde então passou por editoras como a própria BBC, Panini do Reino Unido, Marvel e IDW Publishing, que lançou a maior parte das histórias relacionadas à fase moderna do personagem, iniciada em 2005 com o 9º Doutor (Christopher Eccleston).

No início deste ano, a Titan Comics negociou os direitos do personagem. Agora, a editora revela seus projetos para 2014.

Serão dois títulos de linha simultâneos, ambos previstos para julho. Um deles é estrelado pelo 10º Doutor, com base no visual de David Tennant, e o outro, pelo 11º Doutor, interpretado na TV por Matt Smith.

A Titan garante já ter planos para mais uma revista depois que a oitava temporada entrar no ar e apresentar a 12ª versão do personagem, o ator Peter Capaldi.

Zumbis ganham nova série brasileira de livros

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Chegou às livrarias o primeiro volume de As Crônicas dos Mortos, de Rodrigo de Oliveira: O Vale dos Mortos.

Da mesma forma que na ótima trilogia Apocalipse Zumbi, de Alexandre Callari, também esta se passa no Brasil.

O autor parte da descoberta de um novo astro no sistema solar em rota de colisão com a Terra para explicar a origem da pandemia que transforma a maior parte da humanidade em mortos-vivos.

Ivan e Estela são os líderes que emergem do caos para liderar um grupo de duas mil pessoas entrincheiradas num enorme condomínio.

O Vale dos Mortos é um lançamento da Faro Editorial; tem 320 páginas e preço de R$ 34,90. A versão digital custa R$ 19,90.

Os demais volumes da série são: A Batalha dos Mortos (com previsão de lançamento na Bienal do Livro de SP, em agosto), A Senhora dos Mortos, A Ilha dos Mortos e A Era dos Mortos – todos para 2015.

“Mundo Nerd” pode virar mensal até o final do ano

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Nesta quarta-feira (5), chega às bancas de todas as capitais brasileiras o segundo número da revista Mundo Nerd – em São Paulo e Rio de Janeiro, começou a ser distribuída no dia 28.

Produzida pela mesma equipe da Mundo dos Super-Heróis, que já ultrapassou as 50 edições, a nova publicação da Editora Europa vem atender à demanda de uma parcela crescente de leitores por uma revista especializada em cinema, TV, livros, quadrinhos, games e afins.

Segundo o editor Manoel de Souza, a partir deste segundo número a ideia é que a publicação se torne bimestral e, ainda em 2014, mensal.

Veja as principais matérias da Mundo Nerd 2:

Capa: Star Wars vs. Star Trek: a investigação do século. Argumentos e estatísticas definitivas para descobrir qual das franquias nerds é a melhor.

50 anos de Doctor Who

Detalhes e curiosidades da série de ficção científica exibida há mais tempo na TV e o que esperar da nova temporada.

O legado de Arquivo X: A série que se tornou referência para Breaking Bad, Supernatural, Buffy e muitas outras.

Inspirações de Tolkien: Os detalhes da vida do consagrado autor que influenciaram a trilogia O Senhor dos Anéis.

Game of Thrones: Fatos curiosos sobre a produção da série baseada nos livros de George R. R. Martin.

Tenha medo, muito medo: Alguns dos melhores quadrinhos de terror
da atualidade – muitos deles inéditos no Brasil.

Rastros de ódio: Um polêmico artigo sobre quem acusa The Bing Bang Theory de ridicularizar os verdadeiros nerds e criar uma legião de posers.

Yes, nós temos Comic–Con: Entrevista com Ivan Freitas, um dos responsáveis pela Comic-Con Experience.

Zumbis na mesa: Como funciona The Walking Dead – The Board Game, o jogo de tabuleiro.

DNA Nerd: Um teste avaliar os conhecimentos sobre cultura pop

Pop Up: As principais notícias da TV, cinema, literatura…

Para assistir, ler, jogar, comprar…: Seção de dicas sobre filmes, séries, HQs, ivros, games e apetrechos.

A revista custa R$ 11,90, tem 68 páginas e formato 20,5 x 27,5 cm.

Crítica: “Minutemen” é uma dos melhores HQs da série Antes de Watchmen

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Esta edição conclui a publicação Antes de Watchmen no Brasil. Pena que ficou para o final. Muitos leitores que abandonaram a coleção no meio do caminho podem não ter a oportunidade de chegar a um dos melhores volumes.

Pela mediocridade da série como um todo (com exceção do brilhante Doutor Manhattan), o trabalho de Darwyn Cooke se destaca. E não é só porque seu traço cartunesco encaixa-se perfeitamente em histórias de época (vide DC: A Nova Fronteira e The Spirit).

Antes de Watchmen: Minutemen é uma tentativa honesta e esforçada de criar a mitologia dos primeiros heróis mascarados do universo de Watchmen. A trama é narrada por Hollis Mason, o Coruja original, no que seria a primeira versão de seu livro “Sob o Capuz”.

O relato funciona como uma confissão dos pecados que Hollis acredita ter cometido. Expõe muito mais erros seus e de seus colegas do que é evidenciado em Watchmen.

A pressão dos amigos, a consciência de que pode prejudicar inocentes e a revelação de uma “verdade” por ele desconhecida faz com que mude de ideia e refaça seu livro, chegando à versão que ficou conhecida.

Cooke incorre no mesmo erro de seus colegas roteiristas: explica ou amplia fatos insinuados por Alan Moore e Dave Gibbons na obra original. Como dissemos lá atrás, na crítica de Antes de Watchmen: Coruja, explicar uma piada faz com que ela perca a graça.

A favor do autor conta seu esforço em criar um background completo e complexo dos Minutemen.

Conta, também, seu domínio da narrativa, com vários planos sequência, a repetição de elementos gráficos em diferentes quadrinhos – recurso bastante visto em Watchmen –, a narração simultânea de momentos distintos que convergem adiante, o uso de muitas técnicas de desenho para contar a história.

O problema é que, nessa tentativa, Cooke inventou situações que vão na contramão de Watchmen, como, por exemplo, a revelação do verdadeiro assassino do Justiça Encapuzada.

Antes de Watchmen: Minutemen também pode ser lido como uma metáfora da Era de Ouro dos quadrinhos. Por trás das páginas coloridas e heróis de colantes berrantes, havia toda uma indústria mentirosa e exploradora.

Por suas muitas qualidades e também pelos muitos defeitos dos anteriores, este último volume é um dos melhores da série – perde apenas para o já citado Doutor Manhattan, em que J.M. Straczynski pensou literalmente “fora da caixa”.

Leia as críticas anteriores:

Coruja

Espectral

Rorschach

Doutor Manhattan

Comediante

Ozymandias

Dollar Bill & Molloch

Primeira imagem do novo trabalho de Luciano Salles

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O autor do ótimo O Quarto Vivente (leia resenha aqui) e também da HQzine Luzcia, A Dona do Boteco, anuncia para novembro L’Amour 12 oz.

Diz a sinopse: “Ao abrir da contagem feita pelo juiz, os dez segundos são uma eternidade ensanguentada. Quando os olhares se encontram, as horas adquirem um comportamento volátil. É como um poderoso vírus mutante. De qualquer forma, o tempo castiga os eleitos que amam. É dessa maneira que L’Amour: 12 oz se conduz dentro das histórias de quatro personagens. O velho pugilista (M) nos orienta em tudo, do início ao fim”.

Luciano tem ilustrações publicadas nas coletâneas Ícones dos Quadrinhos e Mônica(s), e desenhou uma história escrita por Raphael Fernandes na independente Quatro Estações.

Quem quiser acompanhar o desenvolvimento de L’Amour 12 oz pode visitar o blog do autor.

Esquadrão Suicida em “Arrow”

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Atualmente em hiato nos Estados Unidos – os episódios inéditos voltam a ser exibidos na próxima semana (26) –, a série televisiva do Arqueiro Verde vem com novidades.

O site Comic Book Resources divulgou a estreia do Esquadrão Suicida no programa no episódio do dia 19 de março (Suicide Squad). A equipe de vilões será comandada por Amanda Waller (num visual semelhante ao da linha Novos 52 dos quadrinhos), Pistoleiro, Tigre de Bronze e Granada – todos já vistos em Arrow.

A surpresa fica por conta de Diggle, atual parceiro do Arqueiro, e Lyla Michaels, sua ex-esposa. A relação de Lyla com Amanda e a agência governamental A.R.GU.S. foi mostrada no episódio Keep Your Enemies Closer, da segunda temporada.

Segundo o produtor-executivo Andrew Kreisberg, Amanda recruta Diggle e Lyla para uma missão, e diz que ele vai precisar de um time: o Esquadrão Suicida.

Na TV, a equipe segue a mesma orientação dos quadrinhos: é formada por vilões condenados que aceitam trabalhar secretamente para o governo americano em troca de redução da pena.

No Brasil, a segunda temporada de Arrow não estreou e nem tem previsão.

O Jogo do Exterminador: Obra-prima da Ficção Científica

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O livro de Orson Scott Card foi publicado originalmente em 1985 e voltou a ganhar notoriedade com a recente adaptação para o cinema – uma produção milionária estrelada por Harrison Ford e Ben Kingsley.

O Jogo do Exterminador, relançado neste ano pela Devir, acompanha a formação de Ender Wiggin — uma criança superdotada entre tantas outras — no líder que a Humanidade espera para evitar a terceira invasão de uma raça alienígena apelidada de “abelhudos”.

Seus treinadores, em especial o Coronel Graff, vão não só aperfeiçoar seu talento nato para a estratégia e a guerra, mas também desenvolver seu potencial para a bondade, a morte, a autopreservação e a obsessão pela vitória. Para isso, Ender é isolado, humilhado, torturado, tem a vida colocada em risco.

Como uma boa ficção científica, o livro não se atém apenas aos aspectos tecnológicos – viagens espaciais, raças alienígenas, estações futuristas –, mas também ao aspecto humano, à psicologia do homem do futuro. Apesar da narração em terceira pessoa, o leitor está constantemente na cabeça de Ender e conhece suas motivações, dúvidas, raciocínio lógico.

O autor não se esqueceu geopolítica. Elaborou uma ordem mundial de nações unidas sob a Hegemonia após a primeira invasão. Manteve uma nação dentro de outra, chamada de Segundo Pacto de Varsóvia, liderada pelos russos – na época que o livro foi escrito ainda vigorava a Guerra Fria.

Como escritor e mestre em Língua Inglesa, Card dá grande importância à palavra. Muito antes do advento das redes sociais, demonstra como a escrita pode influenciar pessoas, garantir notoriedade, conquistar o poder e até criar uma nova religião.

Por todos estes atributos, O Jogo do Exterminador é uma obra-prima da ficção científica, premiada em vários países e um dos melhores livros do gênero que você lerá na vida.

Obscurantismo

No início do ano passado, Card e sua obra ganharam notoriedade, mas por vias tortas.

Contratado pela DC Comics para escrever o primeiro capítulo de uma série de quadrinhos digitais do Superman, passou a sofrer pressão do grupo de ativistas LGBT All-Out, que em petição online pedia o fim do seu contrato com a editora.

Card é diretor de um grupo que combate a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos.

Num primeiro momento, a DC saiu em sua defesa, dizendo em nota oficial que respeita a liberdade de expressão e que a opinião de seus contratados não reflete a da empresa.

Mas quando o artista Chris Sprouse abandonou o barco por “não se sentir confortável” com a repercussão, a DC aproveitou para engavetar o projeto.

Para ler a história completa, clique aqui

Por conta da intolerância com a opinião contrária, justamente de um grupo que prega a tolerância, perdemos todos.

Considerando a abordagem científica e humanista que Card imprime a sua ficção, era de se esperar que fizesse um excelente trabalho com o Superman.

Filme

A versão cinematográfica de O Jogo do Exterminador (Ender’s Game) se esforça para fazer uma adaptação honesta. Há vários cortes, saltos, atalhos e mudanças esperados nesse tipo de transição do livro para o cinema.

Apesar do esforço, o resultado é desanimador. Se por um lado é interessante ver a reprodução cheia de efeitos especiais da Sala de Combate e das batalhas especiais, por outro o filme mal arranha a superfície da obscura personalidade de Ender, sua conflituosa relação com a família e as maquinações do Coronel Graff. Para tanto, precisaria, no mínimo, o dobro dos seus 114 minutos.

Sem conseguir cativar os leitores da obra original nem conquistar os não-leitores, O Jogo do Exterminador amargou uma bilheteria mundial de US$ 112 milhões, pouco mais que os US$ milhões investidos na produção.

Em tempo: outro grupo, o Geeks Out, propôs boicote ao filme para atingir Card.